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Espelho-dágua de Memorial é ameaça

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| CARLA SERQUEIRA Repórter A polêmica construção do Memorial Teotônio Vilela, na Pajuçara, além de impedir a vista para o mar e possuir um espelho- d?água que ninguém vê da rua, representa uma ameaça para a saúde dos moradores do bairro e para quem circula pela região. Durante um mês e meio, a água que forma o espelho-d?água e que alimentaria uma cascata dentro do minimuseu (embaixo do monumento) ficou parada, servindo como foco de mosquitos, correndo o risco, inclusive, de se tornar um ponto de proliferação da dengue. Lutando contra o tempo, ontem, quatro funcionários da construtora contratada pelo governo do Estado usaram latões de tinta como baldes, das 8h às 16h, para fazer a limpeza da piscina - o espelho-d?água no monumento. Não existe nenhum cano para escoar a água daqui de cima. Tentamos puxar o volume com a bomba, mas ela não conseguiu esvaziar por completo. O resto tem que ser na lata mesmo. É o jeito!, lamentou o mestre- de-obras Antônio Arruda, de 52 anos. No projeto não tem cano, mas a gente ainda pode colocar um, disse. O esforço é para deixar tudo pronto até segunda-feira, dia 25, quando a peça será inaugurada às 19h e entregue, oficialmente, à população pelo governador Ronaldo Lessa. Lita Batista tem 54 anos, mora num edifício bem em frente à construção e não esconde a antipatia pelo monumento. Não questiono a homenagem. Na minha opinião é muito justa. Teotônio Vilela foi muito importante para a democracia no País, mas que o monumento fosse feito em Viçosa, que é a terra dele, não aqui, reclamou a moradora, que há 28 anos via a piscina natural da Pajuçara de sua janela. Hoje não vejo mais nada. Perdemos a visão do mar e a quadra de basquete. Segundo ela, o monumento só trouxe prejuízos. Nunca tivemos problemas com mosquitos. Agora é só o que tem. Está todo mundo reclamando, denunciou. O coordenador da célula de Infra-estrutura do governo estadual, Wellington Melo, responsável pelo acompanhamento da obra, explicou que a função da piscina é, na verdade, alimentar uma cascata projetada dentro do minimuseu que vai expor pertences do homenageado. O escoamento é feito por um dreno, dentro do museu. Não sei dizer se o sistema está pronto, disse, sem saber explicar também por que a água permaneceu parada no monumento durante tanto tempo. Acidente Na quinta-feira, dia 21, o monumento ganhou, literalmente, a figura de Teotônio Vilela. A estátua pesa 130 quilos e representa o senador alagoano com um pássaro pousado em suas mãos. Enquanto fixava a estátua no monumento, o mestre-de-obras Antônio Arruda escorregou junto com a escada, levou cerca de 10 pontos no rosto e torceu o braço. Foi vacilo meu, garantiu. /// Niemeyer não participa da inauguração Oscar Niemeyer, o famoso arquiteto que projetou a cidade de Brasília, projetou também o monumento que homenageia o senador, considerado o menestrel de Alagoas, Teotônio Vilela. No entanto, a sua ausência na noite da inauguração da peça (segunda-feira, 25) foi confirmada, ontem, pela assessoria do governo do Estado, sem revelar o motivo. A cerimônia vai contar com autoridades políticas, a família do homenageado e com um show da cantora Fafá de Belém, a partir das 19h, aberto ao público. A polêmica construção do monumento envolveu prefeitura, governo do Estado e arquitetos, resultando em alguns embargos na obra, feitos pela Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) e Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Um arquiteto ouvido pela Gazeta na época dos embargos, que pediu para não ser identificado, diz que o fato de a obra impedir a visão da paisagem é a prova de que ela não seguiu a concepção de Oscar Niemeyer. Pedro Cabral, também arquiteto, lembrou que Niemeyer, no projeto de uma praça que fez para uma cidade litorânea francesa, previu que o logradouro fosse rebaixado, justamente para não impedir a visão do mar. Cabral fez questão de ressaltar que fala como cidadão. Não tenho nada contra a homenagem nem sou representante do Niemeyer. Mas, apenas com base em seus projetos, imagino que ele não aprovaria do jeito que está, opinou. Trânsito O Memorial Teotônio Vilela será inaugurado na próxima segunda-feira, dia 25, mas ainda não está pronto. Correndo contra o tempo, a construtora terceirizada pelo governo do Estado vai trabalhar nas noites de hoje e amanhã para garantir a entrega no monumento a tempo. Ontem, no final da tarde, as ruas nas imediações do monumento já se encontravam interditadas para o tráfego de veículos. Minha filha teve que contornar dois quarteirões para chegar em casa. Mesmo de carro, é constrangedor, afirmou Lita Batista, de 54 anos. Segundo o superintendente municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), Ivan Vilela, a obstrução das ruas só foi autorizada para o governo de Alagoas durante as noites de sábado (23) e domingo (24). Mandei um assessor conversar com os guardas que estavam bloqueando as ruas para suspender a ação. Só sábado e domingo as ruas serão fechadas, garantiu. Durante o dia, o fluxo volta ao normal. A justificativa é o atraso na construção do Memorial Teotônio Vilela. A explicação foi para dar tempo de preparar a inauguração do monumento, marcada para segunda-feira, afirmou Ivan Vilela. Os moradores devem andar com comprovante de residência para evitar constrangimentos para chegar em casa, avisou o superintendente, dizendo que guardas de trânsito estarão auxiliando os motoristas sobre as ruas em que poderão trafegar. |CS

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