Cidades
Aeroportuários denunciam privatização branca em AL
CARLA SERQUEIRA Repórter Uma crise na Infraero fez aeroportos do Brasil inteiro paralisarem suas atividades ontem. Em Alagoas, 80% dos funcionários do Aeroporto Zumbi dos Palmares aderiram ao movimento que prevê uma greve contra a privatização da empresa. Os passageiros não foram prejudicados ainda. Mas Maceió pode sentir a partir de amanhã [hoje], já que a maioria dos seus vôos depende de escalas, explicou o secretário geral do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Samuel Santos. Os funcionários reivindicam também a implantação do Plano de Cargo, Carreira e Salário (PCCS) e a contratação dos aprovados no último concurso, realizado o ano passado. Nenhum concursado foi chamado até hoje; enquanto isso, um funcionário tem de cobrar as tarifas das aeronaves na pista de vôo e correr para controlar a entrada e saída dos veículos no estacionamento, afirmou Santos. Os setores administrativo, operacional e de armazenamento de cargas estão totalmente parados no Aeroporto Zumbi dos Palmares. Não conseguimos que alguns funcionários paralisassem, como os fiscais de pátio, encarregados de sinalizar para os aviões pousarem. É militarismo demais, acusou. A crise na Infraero pode ser traduzida na participação dos funcionários nos lucros da empresa. Samuel Santos informou que, em 2004, a menor participação foi de R$ 1.600. Este ano, em média, os funcionários irão receber apenas R$ 29. Privatização Branca Os funcionários dos principais aeroportos do Brasil também paralisaram suas atividades. A cidade de Guarulhos espera uma reforma em seu aeroporto no valor de R$ 1 bilhão. Como é que numa crise dessas o presidente da Infraero [Carlos Wilson Campos] pensa numa megaobra?, questiona Samuel Santos, explicando que, em Alagoas, a intenção de privatizar o aeroporto também começa a dar sinais. A inauguração do novo aeroporto está marcada para o dia 29 de julho. Até agora nenhuma contratação foi feita. Isto é um sinal. Em poucos meses vamos ter uma carência de pessoal e a solução mais rápida será a privatização. De acordo com o sindicalista, R$ 217 milhões foram investidos na ampliação do Aeroporto Zumbi dos Palmares. Inicialmente a responsabilidade dos recursos foi dividida entre os governos federal e estadual e a Infraero. Mas 80% do dinheiro veio de empresas privadas. O que está acontecendo é uma privatização branca, afirmou Samuel Santos. Os aeroportos que aderiram à paralisação, além de Maceió, foram Cuiabá (MT), Guarulhos e Campinas (SP), Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Confins e Pampulha (MG), Londrina (PR), Pelotas (RS) e Santarém (PA) com participação de 70%. ### Infraero virou trampolim político Para o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Samuel Santos, a crise que a Infraero enfrenta hoje é um jogo político do presidente da empresa, Carlos Wilson Campos. Ex-senador da República pelo Estado de Pernambuco, Carlos Wilson tomou posse na Infraero em janeiro de 2003. Ele quer usar a Infraero como trampolim político. Não podemos assistir a isso de braços cruzados, afirmou Samuel Santos, explicando que o maior objetivo da paralisação é chamar atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Queremos mostrar ao presidente que alguma coisa está errada na Infraero. Não é à toa que a maioria dos aeroportos do Brasil paralisa suas atividades, explicou. Segundo Samuel Santos, enquanto nenhum dos aprovados no último concurso da empresa foi chamado, cerca de 300 pessoas foram contratadas como assessoras da presidência. Isso é um absurdo. Muitos destes funcionários recebem mais de R$ 7 mil. Grande parte deles sequer vai trabalhar, revelou. Carlos Wilson está de olho nas eleições de 2006. Como muitos políticos oportunistas, ele agora é PT por conveniência. Na tarde de ontem, a superintendente da Infraero em Alagoas, Maria do Perpétuo Socorro Chagas Pinheiro, não foi localizada no aeroporto para responder sobre a paralisação e uma possível greve dos funcionários. Não temos autorização para repassar o número do telefone dela. Só a matriz, em Brasília, pode falar sobre este assunto, justificou uma funcionária identificada apenas como Sílvia.