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Terra não é demarcada há décadas

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REGINA CARVALHO Repórter Palmeira dos Índios - Pesquisadores confirmam que a saúde indígena está intrinsecamente ligada à questão da terra, da produção, da renda e de uma situação de liberdade para os índios. O professor-doutor Gilberto Fontes coordenou estudo sobre a prevalência de parasitoses intestinais no aldeamento. Ele constatou que 74,5% dos índios eram parasitados por pelo menos uma espécie de helminto ou protozoário; sendo a maior freqüência de parasitose encontrada em menores de 10 anos. Problemas cardiovasculares em adultos, característica predominante do homem urbano, apareceu durante a pesquisa em índios na Fazenda Canto. A avaliação feita pela professora- doutora Maria Alayde Mendonça detectou que a perversidade dos indicadores no universo socioeconômico da aldeia leva a que se entenda o contexto estudado como de mais alta vulnerabilidade. A saúde bucal nas crianças também foi avaliada no aldeamento. A pesquisa coordenada pela professora Cynthia Valéria Silva Gomes constatou o alto índice de cárie, perfazendo um total de 88% no aldeamento. O índice não assusta porque as populações urbanas no Brasil apresentam estatíticas parecidas. Terra Membro do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Jorge Vieira reconhece os problemas vivenciados por índios em Alagoas. Segundo ele, no Estado vivem cerca de 13 mil índios e em todas as aldeias a situação é bastante delicada. Nós sabemos que o grande problema é a terra. Há várias décadas não há avanço na demarcação das terras indígenas, declarou Vieira. O Cimi alerta para o fato de que o governo tem se preocupado apenas em cuidar da saúde curativa. A questão da saúde preventiva ainda deixa a desejar, disse o membro do Cimi. A reportagem da Gazeta de Alagoas tentou contato com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), na última sexta-feira, mas não conseguiu. ### Faltam ambulância e médico em aldeia As 280 famílias de indígenas integrantes da etnia xukuru-kariri que vivem na Aldeia Fazenda Canto, em Palmeira dos Índios, cobram do governo federal ampliação da estrutura médica disponível para o atendimento da comunidade. O atendimento do médico só é feito uma vez por semana, revela a técnica em enfermagem Silvana Machado, segundo a qual outra luta da comunidade é pelo atendimento médico diferenciado nos hospitais da região Agreste. A assistência médica das famílias da Fazenda Canto é atribuição do governo federal, por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que mantém uma única equipe médica para o atendimento das sete aldeias que compõem a tribo xukuru-kariri, em Palmeira. O número reduzido de profissionais de medicina à disposição da comunidade faz com que os indígenas busquem auxílio nos hospitais do centro de Palmeira ou de Arapiraca. Embora a aldeia Fazenda Canto esteja situada a menos de 10 minutos do centro de Palmeira, os indígenas ficam até três horas no aguardo do transporte para chegar ao posto de saúde do município ou então ao Hospital Regional Santa Rita. Isso porque a única ambulância enviada pelo governo federal para o atendimento das sete comunidades capotou há seis meses. A ambulância continua no conserto em Maceió. Ficamos na dependência de uma picape cujo motorista atende todas as comunidades da nação xukuru-kariri, revela o índio Genival Caetano, que trabalha como agente de saúde na Fazenda Canto. Resistência Quando fala sobre seus 86 anos de vida, o índio Cassimiro Aleixo da Silva ergue os braços e, olhar fixo para o céu, afirma que somente o bom Deus é capaz de explicar o porquê de ainda estar vivo. O pessoal aqui vai embora (morre) muito cedo. É difícil encontrar alguém da minha idade, explica o agricultor, que falou à reportagem da Gazeta ao lado da esposa Nila Correia da Silva, de 75 anos. Cidadão mais idoso da Aldeia Fazenda Canto, em Palmeira dos Índios, seu Cassimiro tem na ponta da língua a receita para sua longevidade numa comunidade onde a expectativa de vida é muito baixa. São mais de 70 anos com a mão na enxada. E continuo o serviço na roça todos os dias. Se não plantar milho e feijão, vou comer o quê?, questiona o indígena, que é pai de 10 filhos, avô de 15 netos e de quatro bisnetos. Crianças A aldeia tem 112 crianças matriculadas em turmas da pré-escola a 4ª série do ensino fundamental. A garotada recebe os fundamentos educacionais num espaço com estrutura precária e improvisada, ao lado de uma escola inacabada e que se transformou num elefante branco que custou aos cofres públicos mais de R$ 241 mil e que deveria ter sido concluída em abril de 2002. O mais simples na obra é o acabamento. Isso nunca foi feito. Resultado: as crianças assistem às aulas numa escola completamente improvisada, reclama a professora Luci Souza de Menezes. A escola a que se refere a pedagoga pós-graduada em Inspeção Escolar se chama Pajé Miguel Celestino da Silva. Tudo aqui é improvisado. Não há local adequado para armazenamento de livros nem também da merenda, completa. O atraso de três anos nas obras de conclusão da escola, que consumiram mais de R$ 241 mil do governo federal, também inviabiliza o ensino de 5ª a 8ª série. Embora a conclusão da obra seja de responsabilidade do governo federal, a educação agora é atribuição do Estado, que também é responsável pela capacitação de 65 adultos que acabam de aprender a ler e escrever. COMIDA As crianças não podem crescer sem manter vivas nossas tradições, diz a professora. Ao contrário das tribos indígenas do Sertão - onde a falta de alimentos é uma realidade - a nação xukuru não sofre esses efeitos. Comida não é problema. Todas as crianças estão alimentadas, diz Silvana Machado. A aldeia Fazenda Canto está situada numa das regiões mais férteis do Agreste. MM

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