loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Plano Diretor traça novo desenho para sair do saturamento

Ouvir
Compartilhar

FÁTIMA ALMEIDA Repórter O saturamento de alguns bairros de Maceió, a exemplo da Ponta Verde, começa a desenhar um novo caminho para o crescimento imobiliário da capital: rumo ao Litoral Norte, entre os bairros de Jacarecica e Riacho Doce. O setor da construção civil resolveu esperar mais um pouco, na expectativa de que seja aprovado o Plano Diretor da cidade, contemplando o planejamento de infra-estrutura e serviços, mas a concretização dos projetos é tida como certa. Eles existem e serão realizados. Apenas foram adiados por entendimento dos empreendedores de que é melhor esperar pelo Plano Diretor, destaca Felipe Cavalcante, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). O adiamento, segundo ele, é a curto prazo. Creio que os primeiros projetos sejam iniciados até o final do ano, diz ele. A espera é fundamental para que a região do litoral norte da capital, que ainda mantém um aspecto bucólico, quase rural, com um padrão de vida que inclui sossego e acesso fácil, e não corre o risco de atingir, em poucos anos, os mesmos índices de saturamento de bairros como Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara, exemplos mais expressivos do adensamento populacional de Maceió nas últimas décadas. A decisão é fruto de uma discussão madura. Não nos interessa o adensamento descontrolado que aconteceu na Ponta Verde, diz o presidente da Ademi. IMPACTOS AMBIENTAIS Nesse intervalo, segundo Felipe, estão sendo realizados vários estudos com especialistas, sobre impacto ambiental, saneamento, acessibilidade, rodovias e infra-estrutura de serviços. O projeto-base prevê uma área habitacional, de Jacarecica até Riacho Doce, seguida de uma área de interesse prioritário de turismo, que vai até o limite do município, em Ipioca. Queremos garantia de infra-estrutura. Estamos acompanhando as discussões da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) sobre o plano diretor viário, que prevê novas vias de acesso entre a parte alta e a AL-101 Norte, facilitando o escoamento do trânsito, mesmo quando forem implantados esses empreendimentos, diz Felipe Cavalcante. Além disso, segundo ele, os empreendedores imobiliários estão propondo uma parceria entre os setores público e privado, para saneamento do local, beneficiando não só os futuros empreendimentos, como a população hoje residente. Nosso objetivo é aproveitar os potenciais turístico e habitacional da região, com preservação ambiental e qualidade de vida, afirma. A proteção da nova área de expansão imobiliária de Maceió contra o adensamento descontrolado está nas regras que estão sendo definidas no Plano Diretor. A altura dos edifícios vai ser maior do que a permitida na Ponta Verde, por exemplo, mas pelo menos o aumento da área de lote mínimo (que passa de 900 para 1.800 metros quadrados), e do recuo das edificações, garantem maior espaçamento entre os prédios. O planejamento evitará que se repitam erros que transformaram a Ponta Verde num verdadeiro amontoado urbano, assinalou Cavalcante. ### Stella Maris é exemplo de região saturada na orla Nos bairros da orla, que cresceram para cima na mesma dimensão em que o solo foi milimetricamente ocupado, os problemas no trânsito e no fornecimento de serviços públicos também cresceram. Não são raras as reclamações de falta de água e os registros de queda no fornecimento de energia elétrica. Como não é raro, também, ter que desviar o caminho por absoluta falta de acessibilidade ao tráfego de veículos em algumas ruas, devido à quantidade de edifícios construídos. Perda de privacidade Sem contar que muita gente já perdeu, há muito, a sua vista para um pedacinho do mar, em prol de quem pagou mais caro, para morar mais alto e na frente. Mais do que isso, perdeu-se a própria privacidade de quem abre a janela do quarto e se depara, a poucos metros, com a sala de estar do vizinho, devido ao pouco espaçamento entre os edifícios. Em algumas ruas o adensamento foi tanto que até a luz do sol entra com dificuldade. Stella Maris No Stella Maris, que surgiu como um condomínio residencial no bairro da Jatiúca, as reclamações dos moradores vão desde a deficiência no abastecimento de água até a falta de estrutura da rede de esgoto, que não atende a todas as residências. Entre o espaço cultural Vera Arruda e a Avenida Álvaro Calheiros, não há rede de esgoto, reclama Hélio José Dant, morador da Rua Nabuco Lopes. Ele construiu sua casa há 18 anos, e como não tinha rede de esgoto, implantou o sistema de fossa. Acontece que o conjunto cresceu, ganhou edifícios do tipo espigões e dimensões de bairro. Mas a infra-estrutura não acompanhou. Muitas casas continuam sem ligação de esgoto. Outras ligaram na rede, feita com tubulação de 100 milímetros, que não suporta a demanda. O resultado é o mau cheiro de fossa aberta nas ruas e galerias. Falta água todos os dias porque os poços estão saturados. A Casal teve que abrir novo poço para reduzir a deficiência, complementa Dant, mostrando sua indignação com o crescimento desordenado do condomínio. Residências Segundo diretores da Casal, a rede do Stella Maris foi programada para residências uni-familiares (casas), mas o crescimento verticalizou ultrapassando as projeções. Na avaliação do diretor de planejamento da Casal, Marcus Lopes, já existe uma consciência maior do setor da construção civil, com itens de infra-estrutura, aliado, também, a uma exigência maior da coletividade, principalmente em áreas saturadas como o Stella Maris. Mas a expansão imobiliária é imprevisível, e o bairro acabou inchado, precisando de vias de escoamento e lazer, como foi o caso do recém-construído Espaço Cultural Vera Arruda, mas a região quer mais infra-estrutura. Lopes destaca que, para atender aos projetos de crescimento habitacional, sem acarretar em colapso dos serviços públicos, é preciso que o Plano Diretor trace as definições. Precisamos saber para onde Maceió vai crescer, para saber onde investir, diz Marcus Lopes. Ele confirma que o setor imobiliário de Maceió tem participado de reuniões para planejar o crescimento do litoral norte de Maceió, e diz que o melhor aproveitamento do Rio Saúde está na pauta. ### Bairros pobres: urbanismo zero Um dos primeiros reflexos do adensamento populacional, sem planejamento, é o estrangulamento nos serviços públicos e disso a Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água de Alagoas (Casal), entende bem. Para acompanhar o crescimento da capital, além da expansão do sistema de superfície, com o aproveitamento da Bacia do Pratagy, em andamento, o órgão tem investido no sistema de poços tubulares profundos (artesianos), cuja manutenção é cara e instável. Hoje são 215 poços na cidade, representando 60% do abastecimento, e já há disgnóstico de superexploração. Prejuízo Segundo o diretor de operações do órgão, Wallace Padilha, a falta de planejamento da cidade faz com que a Casal esteja sempre correndo atrás do prejuízo no abastecimento. Mesmo assim, ele afirma que o sistema de captação atende, hoje, 80% da capacidade do município. Os outros 20% são abastecidos com formas alternativas, explica. Parte dessa deficiência é provocada pela ocupação desordenada de grotas e encostas, que embora não constem no fornecimento oficial, por serem ocupações irregulares, utilizam o sistema por meio de ligações clandestinas. sururu de capote A favela Sururu de Capote, no Dique Estrada, é um exemplo. Eles fazem as ligações, puxam água de algum lugar, e isso gera deficiência no abastecimento do bairro. As redes, projetadas para 10, 20 anos, se esgotam em pouco tempo, por causa dessa ocupação desordenada, diz Padilha. A Casal já admite sinais de estrangulamento no Vergel; partes do Jacintinho, devido à proximidade das grotas; Santa Lúcia e Santos Dumont, além de localidades onde o abastecimento já é deficiente, embora tenha água todos os dias.

Relacionadas