Cidades
Sargento da PM alagoana vira policial americano
EDNELSON FEITOSA Repórter Aprender o que de mais moderno existe em técnicas de combate à criminalidade. Um curso de primeiro mundo, ministrado pelos policiais de maior eficiência nos Estados Unidos, os oficiais da Swat. Este foi o desafio de um grupo de 12 policiais, os primeiros brasileiros a terem acesso à academia de Beaumont Police Departament, no Texas. O sargento PM alagoano Andrey de Albuquerque Brandão aceitou o desafio e passou quase um mês em terras do Tio Sam. Andrey ingressou na PM de Alagoas em 1992. Ex-cabo do Exército Brasileiro, com cursos de técnicas de resgate, rapel, policiamento com cães e até de mergulho; o sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se declarou maravilhado com o que viu e pôde aprender na academia texana. É outra realidade, condições de trabalho, mentalidade e salários. Foi uma experiência sem comparação, destacou o militar. O que assistia na sala de aula era aprimorado com ricas aulas práticas. Horas e horas de treinamento, que começava pela manhã e não tinha hora para acabar. O término da preparação era o que se poderia chamar de perfeito, inclusive para o instrutor americano. Na Swat, eles levam a sério a preparação, pois acreditam que somente assim se pode realizar um trabalho com eficiência, comentou Andrey. No curso de preparação da Swat, os policiais brasileiros receberam instruções sobre técnicas de operações de alto risco, combate no escuro e entradas em ambientes fechados. Receberam, também, treinamento com o que há de mais moderno em armamento, armas usadas pela polícia e até pelo Exército norte-americano. Cada um deu mais de mil tiros, fato que surpreendeu até um delegado da PF brasileira, que participou do curso. ### Técnicas são repassadas a policiais do Bope em Alagoas Invadir um ambiente, utilizando-se do que há de novo em técnicas e armamentos, é tudo que um policial de carreira pode esperar. E na academia de Beaumont, criada com padrões de qualidade da América, pode se considerar um sonho. As aulas teóricas eram ministradas em salas de aulas e, em seguida, todo mundo era levado para os locais de treinamento, explicou o militar. O sargento PM Andrey destacou a perfeição do estande de tiro, onde eles atiraram com fuzis AR-15, metralhadoras MP-5 e armas curtas, principalmente pistolas. Tudo: sem poupar munição. Participar do curso da Swat e trazer para o Brasil o que de melhor existe em técnicas de combate à criminalidade não custou um centavo para os cofres do Estado. O curso foi oferecido por meio de um convênio com uma empresa privada. A Cati é responsável por cursos de imobilização tática nos Estados Unidos e assim conseguiu o convite para levar policiais brasileiros para a academia do Texas, sem custos. O trabalho de preparação dos policiais brasileiros nos Estados Unidos já está dando resultados. O sargento PM Andrey já está repassando as novas experiências e preparando um time tático para policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). É verdade que as técnicas de combate precisarão ser adaptadas à realidade brasileira. Uma adaptação que Andrey vai contar com o apoio dos dois oficiais da PM alagoana que a exemplo dele participaram do curso. Nos EUA, os policiais não sofrem tanto com controles externos como o Ministério Público, por exemplo. Nem a fiscalização da sociedade civil organizada. As leis são mais rígidas e cumpridas. Acompanhamos uma operação de combate ao tráfico de drogas, onde o acusado saiu do ponto-de-venda de maconha direto para o presídio, com data e hora marcadas para começar o julgamento, esclareceu Andrey. Participaram do curso da Swat, no Texas, policiais da Rota de São Paulo, da Polícia Rodoviária Federal da Bahia, policiais civis de Minas Gerais, um delegado da PF de São Paulo e um policial civil do Amazonas. Alagoas mandou o sargento Andrey e os tenentes Alexandre Braga Braz e Patrick Alexandro Madeiro de Oliveira, do Bope. A policial baiana Mércia foi a primeira e única mulher brasileira a participar do curso, que ocorreu em abril. |EF