loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Carro personalizado conquista alagoano

Ouvir
Compartilhar

FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Brasileiro é realmente apaixonado por carro. Os alagoanos não fogem à regra. Que o digam os adeptos do tuning, o processo de personalização de um automóvel de acordo com o gosto do dono, com aumento de potência e performance de um automóvel. Mas, para ter um carro personalizado, é preciso um bom investimento. Dependendo dos acessórios e das modificações feitas no veículo, é preciso desembolsar entre R$ 5 mil até mais de R$ 20 mil. Muitas vezes, o custo da personalização é o dobro do valor de mercado do carro. ADEPTOS O tuning começou a ganhar cada vez mais adeptos em todo o mundo a partir da década de 90, principalmente, nos Estados Unidos e na Alemanha. No Brasil, a moda de personalizar o carro chegou com toda força depois da exibição do filme americano Velozes e Furiosos, em 2001, seguido de Mais Velozes e Mais Furiosos, em 2003. A partir daí, a personalização de carros se tornou uma verdadeira febre, não só pelos participantes de corridas de velocidade, mas por jovens de classe média, simplesmente, para se firmar socialmente. O empresário Rogério dos Santos Martinez abriu há um ano e meio uma oficina de personalização de carro, na Avenida Gustavo Paiva, em Mangabeiras. Ele disse que, inicialmente, pensou em montar apenas uma loja de acessórios para veículos, como equipamentos de som, alarmes, travas e películas, mas depois decidiu oferecer um pouco mais a seus clientes. PARA TODA IDADE Rogério conta que a febre do tuning demorou a chegar um pouco mais no Brasil, devido à dificuldade de se encontrar alguns equipamentos. Alguns têm que ser importados, o que é um dos fatores de encarecimento da personalização de um veículo. Mesmo sendo um serviço caro, Rogério chega a receber uma média de 20 a 30 carros para serem personalizados. A onda da personalização não escolhe idade. Tenho um cliente que tem 60 anos, exemplifica Rogério. Segundo ele, devido ao custo, muitos jovens não têm condições de arcar com a personalização de um veículo. Segundo ele, são poucas as empresas, em Alagoas, que oferecem esse tipo de serviço. Algumas colocam acessórios, mas não fazem uma personalização completa como nossa. A personalização de um veículo vai desde da turbinação do motor - tornando mais potente- até a colocação de bancos de corridas, piso de ônibus, faróis com luzes neons, colocação de aerofólios, películas, caixas de som, entre vários, rebaixamento da suspensão dos carros, entre outras modificações. ### Turbinados se limitam a arrancadões O empresário Rogério dos Santos Martinez, dono de uma oficina de personalização, revela que a maioria dos carros personalizados é usada para competições esportivas como os chamados arrancadões. Isso porque, algumas modificações do carro sofrem restrições da legislação do trânsito e por isso não podem circular pelas ruas. Uma das restrições é em relação ao rebaixamento do veículo. Por isso já existem opções como suspensão de roscas para fazer o levantamento do veículo. Paixão Eduardo Jorge de Arthur Jucá Júnior, 23 - sócio de Rogério - investiu R$ 25 mil para personalizar um Opala, da marca Chevrolet, ano 76. O carro é utilizado apenas para participar de competições esportivas e já coleciona vitórias em alguns arrancadões. Eduardo disse que o carro pertence ao pai, que não colocou nenhuma objeção nas modificações. A principal delas foi no novo motor carburado, que faz o carro chegar perto de 200 quilômetros por hora. Na parte interna do veículo a única modificação foi a colocação de novos bancos de couro. O carro ficou parado mais de um ano na oficina para fazer as modificações. Com suas características originais, o valor de mercado do carro não passaria de R$ 5 mil. Hoje, segundo Eduardo, já ofereceram por ele R$ 30 mil. Não costumo rodar com ele no dia-a-dia. Só estou andando com ele no momento porque estou trocando de carro. Júnior também está adaptando para os arrancadões um antigo Passat. Já o vendedor Carlos Alberto Gomes, 32, foi ainda mais radical. Fez uma transformação total no seu Vectra GLS/98 Turbo e para isso teve que desembolsar R$ 28 mil. Tive que gastar praticamente o dobro do valor do carro, avaliado em R$ 16 mil, disse Carlos. Mas ele não se arrepende do investimento. No início, quem não gostou muito da idéia foi o pai do rapaz. Mas, depois de ver o carro todo pronto, as modificações foram aprovadas. E não é para menos. O carro foi personalizado desde os pára-choques ao volante, além do motor que ganhou ainda mais potência. Os faróis ganharam opcionais de luzes neon, caixa de som e até DVD. Só este último equipamento custou R$ 1.200 e o cano de escape R$ 700,00. Carlos disse que nada substitui o prazer de andar num carro que chama a atenção das pessoas, principalmente das meninas. Não tenho intenção de participar de competições. Quis apenas ter um carro diferenciado. Só que devido às modificações feitas no veículo, Carlos terá que levá-lo para inspeção no Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), que expedirá um laudo garantindo que o carro está dentro das especificações da legislação de trânsito. Só assim, ele poderá obter o documento de regularização do veículo no Detran. FAS ### Em quatro meses, 100 carros foram apreendidos em AL Apesar de a personalização garantir mais potência e beleza ao veículo, é preciso ter cuidado para não acabar ficando preso numa blitz dos órgãos de trânsito. Quem faz esse alerta é o comandante do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), tenente-coronel Marcos Pinheiro. As pessoas que querem fazer a personalização dos veículos devem ter o cuidado de se informar no Detran o que pode ou não ser alterado, para não ferir a legislação de trânsito, explica. Apreensões De janeiro até maio deste ano, foram registradas no BPTran 100 apreensões em Alagoas por causa de descaracterização de veículos, principalmente em relação ao rebaixamento da suspensão. O maior número de apreensões foi nos meses de março (27) e maio (28). Segundo o tenente-coronel Pinheiro, na última reunião do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), no dia 2 de junho, foram discutidas algumas questões polêmicas em relação ao cumprimento da legislação de trânsito. Uma delas foi a colocação de películas nos veículos. Segundo ele, na reunião ficou estabelecido que pelo Código de Trânsito Brasileiro, não é permitido o uso, em nenhuma hipótese, de películas reflexivas. E nos casos das películas não reflexivas, elas só podem ser usadas nos vidros laterais e traseiros. O uso de películas no vidro dianteiro do veículo não é permitido, até por questões de segurança do próprio motorista. Ele explicou que no caso de um veículo ser flagrado usando películas de forma irregular, o procedimento é a retenção do carro. O motorista é notificado e o carro só liberado após a retirada da película, que pode ser feita no próprio local, explicou o comandante do BPTran. Segundo ele, algumas questões não foram regulamentadas pelo atual Código de Trânsito, como é o caso de colocação de luzes néon nos faróis. Mesmo assim, os órgãos de trânsito entendem que o uso desse tipo de luz é prejudicial aos motoristas que seguem em sentido contrário, principalmente em casos de pessoas que sofrem de problemas como daltonismo. Para coibir alguns excessos na personalização de veículos, os agentes de trânsito têm usado como base o artigo do Código de Trânsito Brasileiro que trata das mudanças das características originais do veículo. Ele explicou que os veículos personalizados só podem ser usados para competições esportivas e devem portar um documento próprio, expedido pelo Detran. Esses veículos devem ser transportados de forma adequada até o local da competição, porque não é permitida a circulação deles pelas ruas. Ele disse que um exemplo de alteração que não é permitido é o rebaixamento do veículo. O procedimento nesse caso é notificar o proprietário e fazer a retenção do carro. E para liberá-lo, o proprietário tem que chamar um mecânico até o local para corrigir o problema. A mesma observação é feita em relação a alteração dos pneus, usando os chamados tala-largas, que dão uma sensação de rebaixamento do veículo. O coronel Pinheiro acredita que muitas vezes as pessoas fazem as alterações porque desconhecem as proibições impostas pelas leis de trânsito e são influenciadas pelos argumentos das empresas que vendem acessórios para veículos. Outra irregularidade verificada pelos policiais de trânsito é o uso de reboques para esconder a placa do automóvel. Quando o veículo não está rebocando nada, a bola do reboque deve ficar para baixo para não obstruir a visão da placa, alerta o coronel Pinheiro. Ele acrescenta que o uso de néon nos faróis dos carros também é uma forma de obstruir a visão da placa. |FAS

Relacionadas