Cidades
Devoção arrasta multidão para o mar de Pajuçara
CARLA SERQUEIRA Repórter O feriado de ontem, para muitos fiéis, serviu para agradecer a São Pedro, o padroeiro dos pescadores, que também tem fama de protetor das viúvas, e de guardador das portas do céu. O santo foi o primeiro papa da Igreja Católica, e, em Maceió, arrastou uma multidão, tanto para a lagoa, como para o mar. Sob a luz do sol, crianças, adultos e muitos idosos deixaram a Colônia de Pescadores Z-1, na Pajuçara, e seguiram pelas ruas do bairro, saudando as imagens de São Pedro e Nossa Senhora até o mar, onde cerca de 15 embarcações, entre jangadas e barcos de pesca, circularam a baía, despejando pétalas de rosa por onde passavam. A procissão, de acordo com a presidente da Colônia, Maria Aparecida da Silva, sai desde 1921. Toda a comunidade participa. Muita gente da Pajuçara vive da pesca, e hoje é o dia de agradecer e rezar pelo alimento que recebe do mar, conta ela, acrescentando que a Colônia, hoje, reúne mais de 1.500 pescadores, desde a Pajuçara até o distrito de Ipioca. São Pedro foi escolhido por João Evaristo para se tornar um dos apóstolos de Jesus Cristo, tendo em vista a sua popularidade e liderança. Seu nome verdadeiro era Simeão ou Simão. Pescador, nasceu num vilarejo da Galiléia e é considerado um dos fundadores da Igreja Católica Romana. Algumas versões dizem que o santo foi executado, aos 64 anos, em Roma. ### Bairro dos pescadores saúda padroeiro No Vergel do Lago, pelas avenidas do Dique Estrada, uma multidão acompanhou a imagem de São Pedro. A maioria dos moradores do bairro vive da pesca na Lagoa Mundaú. A procissão saiu da Igreja de São Pedro e foi comandada pelo padre Zezinho. Este ano, a procissão não avançou para a lagoa através das canoas. Foi para atender a maioria que segue por terra, afirma o padre. Pessoas de todas as idades prestigiaram o Dia de São Pedro e aproveitaram para agradecer ou fazer pedidos ao santo. A Praia de Pajuçara também recebeu o protetor dos pescadores. A procissão que sai da Colônia de Pescadores Z-1 tem 174 anos de tradição. Antônia Oliveira do Nascimento, de 85 anos, acompanha a procissão de São Pedro desde criança. Sempre fui atendida. Peço saúde e paz para todo mundo, conta ela. Este ano, Antônia não pôde acompanhar os fiéis por causa de um problema na circulação sangüínea. Enquanto a imagem do santo saía pelas ruas da cidade, ela sentava-se em frente à Colônia para esperar o retorno da procissão Não fico triste não. Dou viva para São Pedro de todo jeito. Se a idade já avançou e eu não posso andar tanto, é porque São Pedro e Deus quiseram assim, disse. Oração de pescador Grande parte dos pescadores se fizeram presentes à procissão em homenagem a São Pedro, na Pajuçara. Josenildo dos Santos tem 52 anos e é filho de pescador. Desde os 15 anos ele também pesca e é do mar que ele tira o sustento para seus três filhos. Venho pedir saúde, primeiramente, conta Josenildo, enquanto observa os barcos levarem a imagem de São Pedro mar afora. Quando a gente está em alto-mar, passamos por muitos perigos. Muitas vezes é preciso rezar e pedir ajuda, conta. Para Josenildo, os navios e as ondas que chegam até cinco metros de altura são as maiores ameaças. Passamos até quatro dias em alto-mar e quando a gente avista um navio tem que sair rápido do caminho, senão.... Segundo ele, pesca até tubarão quando parte para o fundo do mar. Já pesquei um agulhão de 50 quilos, diz. Muitas famílias também acompanharam a procissão na Pajuçara ao som da banda da Polícia Militar e de cantigas religiosas entoadas pelas beatas. Antonieta Emanuela Monteiro dos Santos, 22 anos, conta que desde criança sua mãe a levava para ver a imagem de São Pedro sendo levada pelos pescadores para o mar. Sempre participei e agora trago a minha família também para participar, diz, acompanhada do esposo e do filho de um ano de idade. A família de Maria Augusta da Silva, de 87 anos, também mantém a tradição. Ontem, ao lado da filha de 57 anos e da bisneta de 4, percorreu os dois quilômetros que separam a Colônia de Pescadores do mar da Pajuçara. Venho todos os anos. Peço pela saúde de meus familiares e pelo fim da violência que está grande aqui em Maceió, disse.|CS ### Alagoanos pegam praia em dia de sol Para quem não é tão fiel aos costumes da Igreja Católica, o feriado de ontem serviu mesmo para o descanso. Aproveitando o sol que brilhou por quase todo o dia, muita gente não resistiu a um passeio pela orla de Maceió. O casal Ademi Francisco Ferreira, de 35 anos, e Juliana de Barros Santos, 24, levaram os filhos para se divertir na Ponta Verde e, no corredor Vera Arruda, no Stella Maris, encerraram o passeio, depois que as crianças brincaram no parque. Aproveitamos o sol para pegar um praia. Deixamos as crianças brincarem até enjoar hoje, disse Ademi. Os jovens Roberto Acioli, 21, Rafael Araújo, 21, e Marcelo Araújo, 15, também foram aproveitar o sossego do corredor Vera Arruda. Nas mãos, um violão. Viemos aproveitar a tranqüilidade do lugar para passar algumas músicas, disse Rafael, justificando que os três fazem parte de uma banda evangélica. A família do comerciante Alexandre Lima também optou pelo passeio na Jatiúca. Acompanhado da esposa, Adriana Pacheco de Souza, dos filhos e de um sobrinho, Alexandre disse que sempre vai ao corredor Vera Arruda para ver as crianças andarem de bicicleta. É um local seguro, onde as crianças podem brincar livres, sem o perigo de carros, comenta. Mas a tarde de ontem, para grande parte dos brasileiros, foi diante da televisão. Nas ruas da Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara não era difícil encontrar torcedores em bares, aos gritos, testemunhando a derrota da Argentina e vendo o futebol brasileiro ganhar o título de Campeão da Copa das Confederações. As turistas Lígia Meireles, proveniente do Rio de Janeiro, e a Iraci Ramos, da Itália, escolherem um bar da orla para assistir ao clássico duelo entre os dois países. Chegamos de Recife e só deu tempo de deixar as coisas no hotel e vir ver o jogo, conta ela, torcendo que a semana seja de sol, como ontem. Estava chovendo muito em Pernambuco. Espero que aqui, em Alagoas, seja diferente. Iraci é brasileira, mas vive na Itália há 20 anos. Trouxe dois filhos, que são italianos, para conhecer a beleza das praias do Nordeste brasileiro. Tomara que o sol ajude, torce. |CS