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Sem-terra prometem repetir abril vermelho com invasões

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BLEINE OLIVEIRA Repórter Se no chamado abril vermelho as organizações do movimento sem-terra assustaram ao governo e a proprietários em todo o país com invasões e ocupações, neste mês de julho a situação pode se repetir. Em Alagoas, dirigentes públicos, principalmente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), devem se preocupar, pois as organizações já definiram que vão às ruas e ao campo para obrigar o governo a agir para que a meta da reforma agrária seja concretizada. Ontem, o coordenador estadual do Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST), Marcos Antônio da Silva, o Marrom, revelou que estão previstas ocupações de terra e atos públicos em Maceió e em vários municípios. O coordenador da Comissão Pastoral da Terra, Carlos Lima, descartou ocupações, mas assegurou que a CPT estará nas ruas para marcar o Dia Nacional do Trabalhador Rural, cuja data será comemorada no dia 25 próximo. A cada ano fica sempre um déficit na meta da reforma agrária. Não podemos assistir a isso de braços cruzados, disse o coordenador da CPT, que ontem se reuniu com o superintendente regional do Incra, Gino César Menezes, para discutir processos de áreas ocupadas pela Pastoral da Terra em Alagoas. O coordenador do MLST, Marcos Antônio, disse que nenhuma organização que luta pela reforma agrária acredita que o governo consiga realizar o Plano Nacional de Reforma Agrária, que prevê o assentamento de 530 mil famílias até o fim de 2006. Em Alagoas, a meta é de 3 mil famílias. Não chega a 800 o número de famílias assentadas até agora, reclama o dirigente sem-terra. ### MLST ocupa fazenda em Branquinha Na madrugada de ontem, 150 famílias do MLST ocuparam a fazenda Jundiaí, no município de Branquinha. Segundo Marcos Antônio da Silva, o Marrom, foi a décima ocupação na região entre os municípios de União, Branquinha e Messias e a 14ª no Estado. A fazenda está arrendada a Usina Capricho, mas, segundo o dirigente do MLST, pertence a empresários do grupo São Semeão, que também já teve usina de açúcar. São 800 hectares. Só que mais de 70% estão improdutivos, argumenta ele. Marrom diz que o clima no acampamento é calmo, apesar de alguns carros terem rondado a área onde as famílias estão montando barracas de lona. Hoje começa o trabalho de capinação para que, na próxima semana, seja iniciado o plantio de culturas de subsistência. GOVERNO IGNORADO As famílias estão recebendo ajuda de paróquias católicas, sindicatos e de assentamentos que doam sementes para o plantio. Entre as mudas estão mandioca e batata doce, e sementes de feijão e milho. Nosso objetivo é a reforma agrária e não há outro meio de conquistá-la senão com ocupação, declarou Marrom. Ele deixa claro que o MLST não está interessado em saber qual a reação do governo, e naturalmente do Incra, quanto a invasão de ontem e as que realizarão este mês. O MLST, ressalta Marrom, não teme a reação do governo, pois sua meta é acabar com o latifúndio improdutivo que impõe miséria e fome no campo e na cidade. Assim, até o fim do mês, e provavelmente no dia 25, o movimento vai ocupar no campo e se manifestar nas ruas. |BL

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