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A auto-estima faz parte da nossa identidade

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Gazeta - Como a senhora define a auto-estima? Simone Mazzoni - Na minha forma de sentir e entender, a auto-estima está inevitavelmente ligada ou fazendo parte de nossa identidade. A nossa identidade é estruturada a partir da nossa constituição e suas interações com o ambiente em que vivemos, ou seja, nossas fantasias inconscientes e as sensações perceptivas da realidade, inclinam-me a ligar a auto-estima à representação que temos de nós mesmos, melhor dizendo, a forma como nós nos percebemos, tanto do ponto de vista físico, espacial, temporal e relacional, tudo sob a égide do nosso psiquismo. A isso chamamos de self, sendo fruto direto do já falado por mim, e, agora, enfatizo a pessoa, ou, as pessoas, com as quais nós nos ligamos, principalmente, nossos pais, destacando a figura principal, que é a figura da mãe. Existem escalas de valores para se desenvolver a auto-estima? Penso que do ponto de vista psíquico, uma boa ou má auto-estima de uma pessoa já começa antes mesmo do seu nascimento, por exemplo, como é o relacionamento de seus pais, amam-se? A concepção foi algo pensado, desejado? O filho foi um acidente de percurso no namoro? O bebê é visto como um um problema criado pelo resto da vida? Essas perguntas abrangem um campo, onde uma personalidade pode ser de uma forma positiva ou negativa desenvolvida e, com ela, sua auto-estima. Como podemos saber se estamos com a auto-estima baixa ou alta? Pelas nossas reações diante dos acontecimentos exitosos ou frustradores em nossa vida. Uma pessoa que tem sua auto-estima mal estruturada pode reagir diante de um sucesso alcançado, elevando-o demais, melhor dizendo, acha-se, competitivamente falando, a melhor de todos, a mais inteligente, a mais bonita, a mais capacitada etc... A sua auto-estima alcança as nuvens, e a pessoa tem uma grande satisfação consigo mesma. Nesse momento, ela se ama e gosta de si em todos os aspectos. Por outro lado, diante do fracasso, sua auto-estima cai das nuvens para o esgoto. Sente-se sem valor nenhum; todas as pessoas são mais bonitas e interessantes que ela; são mais capazes; sente-se incapaz de ser amada. Odeia-se! É um auto-sentimento que parece com a função de um elevador: ora sobe, ora desce. Não há uma constância objetal dentro dela, quer dizer: em seus relacionamentos primitivos não houve (principalmente com a mãe) contatos onde ela se sentisse, por dentro, verdadeiramente aceita e amada. Essa oscilação pode acontecer sem que haja motivação externa. É de dentro, é endógeno. É uma identidade não estruturada, não conseguiu completar sua formação. Daí a falta de apoio em si mesma. Quem mais deve se empenhar em exercitar a auto-estima: os adolescentes, os jovens, os adultos ou as pessoas da terceira idade? O termo certo, acho eu, que não seja exercitar, mas procurar, através de um especialista no campo da psicologia, ajuda, compreensão e estímulo para se sentir com uma confiança em si, maior, assim como, com o tratamento, deixar de ser muito narcísica e ter um amor real por si e pelos outros, assim como aceitar de uma forma, também, mais real, os sucessos e os insucessos desta vida. Qual a sua influência em cada uma dessas etapas da vida? A sua influência negativa acontece em todas as idades. As três esferas principais de nosso existir são afetadas, a saber: o amor, o lazer e o trabalho. Os cuidados com o corpo podem ajudar a melhorar a auto-estima? Ajudam sim, porém não modificam a estrutura, não atingem a profundidade do problema. Vale salientar que o físico, principalmente o rosto-reflexo das experiências primeiras (com que rosto e com que olhar minha mãe me aprovara ou não), é o fator mais importante que incide sobre a auto-estima. A reação positiva ou negativa revela o que dentro do conceito da auto-estima? Como devemos reagir diante de uma crítica ou elogio? A reação positiva indica uma identidade firme, centrada em si mesma que possui algo introjetado bom, amoroso com o qual a pessoa se identifica e, conseqüentemente, se sente capaz de amar e ser amada. A reação negativa é a outra face do que acabo de falar. Como a auto-estima se reflete no ambiente de trabalho, em casa ou nas relações amorosas? Sempre criando um clima desagradável, inseguro, desconfiado, competitivo, em excesso, e com tendências a uma atmosfera paranóide, isto quando a auto-estima é negativa, quando ela é positiva, o clima é agradável e de respeito pelo outro, há um sentimento de valor em relação a sua personalidade, que influi de uma forma benéfica nos ambientes em que vive e com as pessoas com quem tem uma interação.

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