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Falta de segurança afeta bolso de famílias alagoanas

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NIVIANE RODRIGUES Repórter Era o início de uma tarde de domingo e a família resolveu sair para passear. A diversão, no entanto, acabou interrompida pelo telefonema da vizinha comunicando que a casa acabara de ser assaltada. Cinco pessoas, entre as quais um menino de 12 anos, arrombaram a janela e levaram equipamentos eletrônicos, computador, dinheiro, jóias, aparelhos celulares e roupas. Fugiram em uma carroça. Assustados e com medo de que os ladrões voltassem, os donos da casa, a funcionária pública Norma Araújo e o arquiteto Jânio Alves, decidiram apostar num investimento quase obrigatório para quem deseja proteção contra a violência em Maceió: segurança eletrônica. Instalaram cerca elétrica, central de alarme e portão eletrônico, além de grades nas janelas e portas. Eles também mantêm dois cães de guarda. O casal calcula na ponta do lápis o que gastou para se sentir mais protegido. Com a cerca foram R$ 800, mais R$ 600 do portão, R$ 140 pagos todo mês pelo aluguel do sensor, R$ 1 mil pelas grades e outros R$ 80 mensais com alimentação dos cães. Essa foi a saída para termos segurança, diz Norma Araújo, que reclama da falta de policiamento onde mora, o loteamento Jardim da Serraria, situado no bairro de mesmo nome, uma área onde os assaltos são freqüentes. ### Moradores armam trincheira anti-roubo Um verdadeiro aparato anti-roubo também foi montado na Rua Antônio Murta, no bairro do Pinheiro. Cansados de esperar a ação policial contra assaltantes, os moradores formaram uma trincheira com cercas elétricas, portões eletrônicos e sensores de alarme em suas casas. Para reforçar a segurança, contrataram três vigilantes e instalaram uma guarita na entrada da rua, que funciona 24 horas por dia. Para cada vigilante foi dado um celular com o número dos moradores, para quem eles devem ligar a qualquer sinal de perigo. As medidas de proteção, segundo o advogado Tales Viana, que há 16 anos mora na mesma rua, reduziram em quase 100% o número de assaltos, mas pelo aparato os moradores tiveram que desembolsar uma quantia significativa. Aqui a gente não tinha segurança nem para chegar em casa. Meu vizinho foi o primeiro a instalar a cerca elétrica, depois que ladrões entraram na casa dele. Daí, resolvi colocar na minha casa, diz o advogado. A cerca custou R$ 1.200, mais R$ 600 do portão eletrônico. Com a guarita foram gastos R$ 800, divididos entre os 19 moradores. Cada um também desembolsa por mês R$ 60 para pagar os vigilantes. Na casa de Tales Viana é mantido ainda um cão pastor alemão, que consome R$ 80 por mês de ração. O investimento valeu a pena. Hoje, a qualquer hora que chegarmos em casa temos segurança, garante ele. Câmeras contra assaltos Cerca elétrica, porteiro eletrônico e vigilantes não bastam para os moradores do edifício Palais de Versailles, na Rua José de Alencar, no Farol, sentirem-se seguros. Eles já têm em mãos um projeto para instalar um circuito fechado de câmera interligado a uma empresa de segurança para monitorar o movimento no prédio. O assunto vai ser levado à reunião dos condôminos que começam a se preparar para a despesa extra. Chamamos uma empresa para fazer o orçamento e devemos gastar R$ 5 mil para instalar oito câmeras no prédio, diz o síndico Adelmo Cavalcante. Mas é na orla de Maceió onde se concentram os maiores investimentos em segurança eletrônica. Em um dos prédios luxuosos da região, na Avenida Álvaro Otacílio, na Jatiúca, dez câmeras instaladas há um mês monitoram todo o movimento. Antes a gente só tinha o sensor eletrônico. Como o prédio é muito grande, fica difícil monitorar tudo. Agora podemos controlar melhor o movimento, disse um dos porteiros do edifício de 13 apartamentos. Vendas aumentam 50% Há seis anos o paulista de Ribeirão Preto Luiz Henrique de Souza decidiu deixar a terra natal e se mudar para Maceió, onde instalou uma distribuidora de produtos de segurança eletrônica. A aposta não surgiu por acaso. Com o crescimento da cidade e a violência, as pessoas estão investindo cada vez mais nessa área e hoje esse é um mercado em expansão, garante o empresário. Nos últimos dois anos ele diz que o aumento nas vendas foi de 50% em Alagoas. A distribuidora é uma das três no ramo instaladas em Maceió. De lá, os produtos saem para as empresas de segurança eletrônica. São cerca de 500 itens que vão de um simples chaveiro a um moderno circuito de câmeras. Os preços variam de acordo com a qualidade do produto. Uma central de alarme básica, composta de sensor, bateria, controle remoto, sirene e placa indicativa do sistema de segurança custa entre R$ 450 a R$ 500, diz Luiz Henrique. O metro do fio para cerca elétrica, um dos itens de segurança mais usados, é vendido a R$ 6, o mais caro. Já um chaveiro que abre fechaduras e portão eletrônico, não sai por menos de R$ 35. O circuito fechado de câmeras está entre os itens mais caros. Uma única câmera colorida custa entre R$ 280 a R$ 350. Segundo o empresário Luiz Henrique, que possui outra loja em Aracaju e divide o ramo com o pai, Aparecido Souza e a mãe, Ivani, o aparelho que possibilita a visualização ao mesmo tempo de imagens em diversos ambientes do imóvel custa R$ 800. O monitoramento pode ser feito tanto por uma empresa de segurança eletrônica, quanto pelo próprio usuário, de casa, do trabalho ou de qualquer local onde estiver. Basta para isso instalar uma placa digital de visualização no computador que vai de R$ 1 mil a R$ 15 mil. Os produtos nacionais vêm em sua maioria de Santa Rita do Sapucaí (MG), considerado o pólo da indústria eletrônica. Já os importados são procedentes do Canadá, Japão e China. NR ### Segurança eletrônica vira aliada da PM Ao contrário do que muitos imaginam, não são os bairros considerados nobres os campeões em assaltos, mas a periferia, segundo comprovam os números da Companhia de Policiamento da Capital (CPC), vinculada à Polícia Militar de Alagoas. De janeiro a agosto de 2005 foram apreendidas 303 armas utilizadas para atacar a população nesses pontos. Além das armas, 820 crianças e adolescentes foram encaminhados à delegacia por praticarem infrações e 3.281 pessoas presas acusadas dos mais diversos crimes. Desse total, a maioria das ocorrências, segundo o comandante da CPC, coronel Antônio Brito, foi registrada no Jacintinho, seguido do Benedito Bentes, Tabuleiro do Martins, Vergel do Lago, Trapiche, Chã da Jaqueira e Ipioca. O Farol, onde as reclamações de assaltos são constantes, aparece em 12º lugar na lista da polícia e a Ponta Verde em 39º. NoFarol, no mesmo período de janeiro a agosto, de acordo com a CPC, foram registrados oito assaltos envolvendo arma de fogo, enquanto na Ponta Verde, apenas um. O comandante Antônio Brito admite que investimentos em segurança eletrônica feitos por moradores das áreas nobres estão contribuindo para a redução das ocorrências policiais nessas regiões. Lógico que se em uma casa existe segurança eletrônica, o assaltante vai partir para aquela onde não há proteção. Por isso, os números de assaltos são maiores nos bairros periféricos, afirma o coronel. Ele considera que a situação socioeconômica, o crescimento populacional e a pobreza contribuem com o aumento da violência. E admite: Este ano os índices de crimes aumentaram 30% em relação a 2004. Ação contra o crime Para não perder a batalha contra o crime, a PM de Alagoas anuncia ações de repressão, principalmente nos bairros de maior incidência de casos de violência. Reforçamos o policiamento nessas áreas, de acordo com as estatísticas da criminalidade. Também iniciamos blitze em vários pontos, diz Antônio Brito. A operação, denominada Maceió contra o crime, envolve 300 homens e inclui barreira permanente no Benedito Bentes, considerado um ponto de desova de cadáveres e de tráfico de drogas. Nesse local, todos os veículos e pessoas suspeitas serão abordados, garante o comandante. Um dos grandes entraves na opinião dele continua sendo a carência de policiais. Em Alagoas, o contingente da PM é de 7.500 homens, mas, segundo o coronel Antônio Brito, são necessários 16.200 homens, número previsto na lei. É preciso que se faça urgentemente concurso público para suprir essa carência, o que já foi acenado pelo governador Ronaldo Lessa que pretende abrir 1.500 vagas logo após o concurso do Corpo de Bombeiros, diz. O militar acredita que o concurso para contratação de 500 soldados voluntários aliviará a situação. Esses voluntários serão mantidos na área burocrática, enquanto os militares que ocupam esses postos serão deslocados para as ruas, revela. Outra saída apontada pelo comandante da CPC é o policiamento em motos. As 30 motocicletas adquiridas pelo Estado vão reforçar o policiamento na capital, ressalta Antônio Brito. Para isso, diz ele, enviamos dois oficiais à PM de São Paulo, onde aprenderam o que há de mais moderno nesse tipo de policiamento. Durante 15 dias, em dois horários, esses oficiais vão aplicar um treinamento para nossos policiais que passarão a pertencer à Radiopatrulha, o batalhão de elite da PM. Os policiais de moto percorrerão as áreas críticas da cidade. Vamos poder dar uma resposta melhor à sociedade, já que a moto oferece mais rapidez no deslocamento e perseguição de suspeitos, avalia Antônio Brito. NR ### Aparato inclui salas de radiofreqüência Enquanto aguarda o reforço do policiamento anunciado pela PM, a população se protege como pode dos assaltos. Nessa busca, a segurança eletrônica ganha cada vez mais adeptos. Tanto é que atualmente existem 80 empresas do ramo atuando em Maceió e nos municípios pólos do interior, como Arapiraca, Palmeira dos Índios e Penedo. Na corrida pelo cliente, as empresas investem na modernização dos equipamentos. É o que se vê nas salas de monitoramento do sistema eletrônico de alarme, onde operadores trabalham 24 horas. Conectado aos sensores instalados em casas e pontos comerciais e nas cercas elétricas, um sistema de telefonia e de radiofreqüência, ligado a um computador, capta o sinal enviado pelo sensor. No computador, os operadores terão a exata visão da área que foi violada. Imediatamente, inspetores treinados para esse tipo de ação seguem de moto para fazer o reconhecimento do local e se houve um real ou falso disparo do alarme. Se confirmada a invasão do imóvel, a polícia é imediatamente acionada, revela Ely Setton, diretor operacional de uma empresa de segurança eletrônica em Maceió. Para ter o aparato de segurança, o diretor diz que basta apenas desembolsar a partir de R$ 80, via linha telefônica ou mais R$ 30 pelo monitoramento duplo, que inclui a radiofreqüência e é considerado 100% eficaz. No contrato de garantia, oferecemos o seguro para casos de falha do sistema e ressarcimento das perdas, garante Ely Setton. O técnico Márcio Vasconcelos, dono de uma empresa especializada em instalação e manutenção de equipamentos de segurança eletrônica em Maceió diz que os equipamentos têm evitado os assaltos, mas alerta para a necessidade de atentar para a qualidade e instalação dos produtos. A cerca elétrica, por exemplo, inibe os roubos. Ela é pulsante e pode dar choque de até 7 mil volts, dependendo de sua extensão. No entanto, é necessário estar atento para o material empregado e a instalação. Deles dependem os resultados do equipamento. Uma falha dessas pode acabar facilitando o roubo, afirma. |NR ### Cães entram na guerra contra crime Mas não são apenas os equipamentos eletrônicos que estão atraindo os alagoanos preocupados com a própria segurança. Os cães de guarda também ganharam espaço nessa guerra contra o crime. Comércio, indústria e residências descobriram no animal um arma para se defenderem da ação dos assaltantes. Há 13 anos trabalhando com cães de guarda, Stênio Filho, dono de um canil em Rio Largo, diz que o negócio está em expansão e a concorrência também, o que acaba dividindo o lucro. No canil, ele mantém 100 animais, das raças rottwailer, pastor alemão, pit bull e mastin napolitano, considerados ideais para o trabalho de vigilância. Houve um crescimento de 50% na procura por cães de guarda, principalmente nos fins de semana, feriados prolongados e festas de Natal e revéillon quando as pessoas costumam viajar , afirma Stênio Filho. O contrato de locação é mensal de cada dupla de animal custa R$ 400. Antes de locarmos, vamos à residência verificar se há necessidade de mais de dois animais. Damos, ainda, durante dois dias instruções para a pessoa que vai lidar com o animal, para sabermos se ela tem condições de agir em situações de risco, por exemplo, explica Stênio Filho. Cuidados Os animais também são submetidos a um treinamento antienvenenamento por meio da água e dos alimentos. Diariamente, à noite, vamos no local onde o cão está sendo mantido. Verificamos os cuidados oferecidos e se percebermos algum maltratado, o cão é imediamente retirado da casa, diz Stênio Filho, formado em adestramento de animais em São Paulo. É possível comprar um cão de guarda no canil, desde que o interessado esteja disposto a pagar R$ 400 por um animal adestrado durante oito meses e R$ 3 mil com adestramento completo, que dura um ano e cinco meses. A despesa mensal com ração chega a R$ 80, mas o adestrador diz que o investimento vale a pena pela eficácia dos animais.|NR

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