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Para ONG, negros alagoanos não concluem estudos

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| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Racismo no Brasil. Esse foi tema do Seminário Unidade na Diversidade, promovido pela Organização Não-governamental Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos, encerrado ontem em Maceió. O encontro reuniu estudantes e professores brasileiros e africanos, que mostraram suas experiências quanto à temática. A coordenadora do projeto Unidade na Diversidade, desenvolvido pelo fórum, Mariana Alvarenga Eghrari Pereira, disse que o preconceito de raça, etnia e sexo não é escancarado, mas existe nas escolas. Em Alagoas, segundo ela, estatísticas apontam que a maioria dos alunos matriculados é negra, mas poucos conseguem concluir os estudos e chegar à universidade. Africanos Os estudantes africanos Ismael Tchaim e Cadija Sulai falaram das dificuldades que enfrentaram ao chegar a Maceió, há quatro anos, para cursar Comunicação Social e Serviço Social na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) graças a um projeto de intercâmbio. Provenientes de Guiné Bissau, um país onde a maioria da população é negra, ao chegar ao Brasil sentiram o peso do preconceito racial na universidade. Nos dois primeiros anos, praticamente não havia negros na minha turma. Só depois da implementação de políticas de ações afirmativas, como a das cotas para negros na universidade, é que eles começaram a aparecer, disse Ismael, que está prestes a se formar em Relações Públicas e decidiu ficar mais dois anos em Maceió, cursando Jornalismo. ### Cotas tentam romper barreiras sociais Já Cadija Sulai, que está se formando em Serviço Social, disse que também sentiu o peso do preconceito racial quando chegou ao Brasil. Ela é uma das poucas negras de sua turma. No meu país, a maioria da população é negra. Lá você é branco ou é negro. Mas não existe essa discriminação como aqui no Brasil, disse Cadija, acrescentando se sentir discriminada por ser negra. Em alguns locais, como o shopping, a gente sente esse preconceito racial. A coordenadora do projeto Unidade na Diversidade, desenvolvido pelo fórum, Mariana Alvarenga Eghrari Pereira, disse que é a favor da política de cotas para a universidade. Para ela, as cotas são o primeiro momento para romper essas barreiras sociais que impedem os negros de melhorar sua condição social. Discriminação que também persiste no mercado de trabalho. Algumas pessoas brancas dizem que são contra as cotas porque não existe discriminação na universidade. Mas essa discriminação existe, de fato, e a escola precisa trabalhar isso. Durante o seminário, os educadores receberam informações de como acessar o site www.unidadenadiversidade.org.br, desenvolvido pelo Fórum Nacional de Educação, que oferece orientações pedagógicas de como tratar a questão da discriminação dentro da sala de aula. O Fórum Nacional foi criado em 2000, formado por uma coalizão de entidades e indivíduos comprometidos com a promoção dos direitos humanos. A ONG desenvolve três projetos: Educadores pela Diversidade; Quem é Quem na Educação em Direitos Humanos no Brasil e Passarela dos Direitos Humanos. |FA

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