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Só aeroporto não garante novos vôos internacionais

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| REGINA CARVALHO Repórter A inauguração do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares não deve aumentar, pelo menos de imediato, o número de vôos estrangeiros para Alagoas. Atualmente, somente dois desses vôos decolam na capital, uma vez por semana, rumo a Portugal e à Itália. Setores ligados ao turismo reconhecem que o primeiro passo foi dado, mas cobram a execução de obras estruturantes como forma de garantir a vinda de novos turistas estrangeiros. A Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav) acredita que somente a entrega do aeroporto não deve abrir as portas para o turismo alagoano. Ninguém viaja para uma cidade porque tem um aeroporto bonito ou novo. O turista quer muito mais que isso, diz o presidente da entidade, Afrânio Lages Filho. O aumento do número de vôos ainda vai depender das companhias aéreas, defende o secretário de Turismo de Maceió, Carlos Gatto. Atualmente, 12 vôos em média aterrissam diariamente no Zumbi dos Palmares. Na alta temporada, que tem como ápice os meses de janeiro e julho, esse número é duplicado. Além de um aeroporto moderno e com estrutura de ponta, outros fatores devem ser incorporados à obra para justificar a captação de novas linhas aéreas. As medidas devem garantir o aumento da demanda turística para Alagoas. Ocioso O risco é de que mesmo com os gastos com as obras, que chegaram a R$ 217 milhões, o principal objetivo - o aumento do número de turistas - pode se restringir à publicidade maciça do governo nos meios de comunicação. Desde o fim do ano passado o governador [Ronaldo Lessa, PDT] busca pessoalmente conseguir vôos regulares para cá. Agora será preciso uma ação política conjunta para a captação desses vôos, destacou a subsecretária extraordinária de Turismo, Perolina Lyra. Essa negociação deve passar pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) e o próprio governo do Estado. Queremos vôos internacionais regulares pelo menos da Itália e de Portugal, citou a subsecretária de Turismo, lembrando que empresários dessas nacionalidades têm negócios em Alagoas. ### Gargalo está na hotelaria, ainda considerada artesanal A superintendente do aeroporto, Socorro Pinheiro, confirmou que ainda não foram fechadas novas linhas para o Zumbi dos Palmares. Para isso é preciso um trabalho em conjunto e requer empenho político. Não sei de nada sobre ampliação do número de linhas, ressaltou a superintendente, durante a última visita à obra na última quinta-feira, antes da inauguração, sexta-feira, 16. Afrânio Lages, presidente da Abav, ressalta que o turismo em Alagoas deveria ser tratado com mais empenho e investimento pelos gestores. Para ele, um dos principais entraves para o crescimento desse setor no Estado é a rede hoteleira alagoana, que ainda é insuficiente. Se não aumentarem a rede hoteleira, vamos perder até para Sergipe, lamenta o presidente da Abav. TurISMO DE NEGÓCIOS Segundo avaliação de Lages, mais eficiente para atração de turistas é o Centro de Convenções. O aeroporto não deixa de ser uma ferramenta, como cartão de visita de Maceió. Mas em relação à atração de turistas o melhor é o Centro de Convenções que vai atrair mais gente de fora. Isso aliado a novos investimentos em hotéis, disse. Ele considera a cadeia hoteleira de Alagoas artesanal. Temos um terço da hotelaria de Natal e um quinto da oferecida em Fortaleza. É preciso, pelo menos, dobrar a nossa rede hoteleira. Nós ficamos para trás. Ainda falta profissionalismo no turismo aqui, lamentou. Processo Para a aquisição de novas linhas aéreas, as empresas devem encaminhar solicitação ao Departamento de Aviação Civil, o DAC, no Rio de Janeiro. Segundo o sargento Hortêncio, do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac), instalado no Recife (PE), o pedido deve passar por uma comissão de linhas do órgão, que realiza avaliação, dentre elas técnica e econômica. Essa avaliação demanda algum tempo, informou o sargento. |RC. ### Obra é considerada divisor de águas O presidente do Maceió Convention Visitors & Bureau, Márcio Coelho, considera a construção do novo aeroporto um divisor de águas. Realmente, com ele, Maceió se qualifica para receber novos vôos regulares internacionais. O aeroporto antigo estava fora dos padrões de segurança, diz. Porém, ele ressalta que será preciso, de agora em diante, a realização de obras estruturantes por parte do poder público que favoreçam a vinda e permanência de turistas em Alagoas. Tem que se investir em saneamento básico, em novas vias de acesso e na duplicação de rodovias, acrescenta Márcio Coelho. Esse aeroporto era um antigo anseio nosso, complementou. O secretário de Turismo de Maceió, Carlos Gatto, é mais otimista. Ele acredita que o novo aeroporto vai incrementar o fluxo de turistas na cidade. A expectativa é de que em 2006 haja um aumento de 40% no número de turistas e passageiros, aposta Gatto. Ele acrescenta que a reabertura de dois hotéis e a construção de mais dois no litoral norte do Estado, por grupos estrangeiros, serão primordiais para aquecimento do setor. Já existe negociação com companhias aéreas, acrescentou o secretário. HARMONIZAÇÃO A subsecretária estadual de Turismo, Perolina Lyra, ressalta que o novo aeroporto é uma grande conquista não apenas do turismo, mas para a sociedade alagoana. Não era admissivel ter um aeroporto aquém das belezas naturais, declarou a subsecretária. A expectativa, de acordo com Perolina Lyra, é de que vôos internacionais regulares sejam rotina no aeroporto internacional. Esse é o primeiro passo para aumentar o fluxo de turistas. Modernidade O arquiteto Mário Aloísio, responsável pelo projeto arquitetônico do novo aeroporto, que envolveu o trabalho de 12 pessoas, afirma que o Zumbi dos Palmares é o mais moderno do Nordeste graças, segundo ele, à utilização de novas tecnologias. É o mais moderno em relação à arquitetura e tem essa obrigação porque é o mais novo, disse Mário Aloísio. Mas esse conceito de moderno depende dos usuários que podem, ou não, achar, diz. Ele lembrou que começou a trabalhar no projeto em 1998, durante o governo Manoel Gomes de Barros, mas somente colocou em prática no governo Ronaldo Lessa. Só colocamos o projeto em prática com o governador Ronaldo Lessa, acrescentou. RC ### Demora em obra dobrou custos iniciais Orçada inicialmente em R$ 140 milhões, a construção do novo aeroporto ultrapassou a ordem de R$ 217 milhões. Essa diferença de valores deve-se aos contratos, que sofreram alterações com o tempo, declarou o engenheiro da Infraero responsável pela obra, Ernesto Camaço. O aeroporto levou mais de três anos para ficar pronto. O projeto arquitetônico explora o uso de vidros, metal e granito, além da presença de traços culturais que identificam Alagoas. O novo aeroporto também vai oferecer espaço para exposições artísticas, mirante panorâmico, capela, 24 balcões de atendimento (check-in), sete escadas rolantes, nove elevadores e quatro túneis de embarque que ligam o prédio ao interior das aeronaves. Sessenta e dois espaços comerciais e 600 vagas de estacionamento. Tudo isso numa área de 24 mil metros quadrados. Agora, a capacidade para recebimento de passageiros será de 1,2 milhão por ano. Novos Empregos Segundo informações da assessoria do governo do Estado, com ampliação e reforma, infra-estrutura e terminal de passageiros, foram gerados pelo menos 240 empregos diretos e 720 indiretos. A Infraero acredita que o número de empregos dobre depois do pleno funcionamento do Zumbi dos Palmares. A Infraero informou que o destino do antigo prédio, localizado numa área de oito mil metros quadrados, ainda será definido. O outro aeroporto será totalmente desativado. Ainda não sabemos o que será feito lá, acrescentou o engenheiro Ernesto Camaço. Ele ressalta que a diferença de um para outro é inquestionável. São várias mudanças, dentre elas o ambiente que será totalmente climatizado e não mais embarque e desembarque a pé, ressaltou o engenheiro. Camaço ressalta que a própria Infraero contratou mais pessoal para dar conta do trabalho. No Brasil somos o aeroporto pioneiro em produzir energia e água gelada para climatização. Isso gera maior economia e segurança, acrescentou o engenheiro. O secretário-executivo de Turismo do Estado, Eugênio Sampaio, declarou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que o trade turístico já vislumbra um turismo forte em Alagoas, com o Centro de Convenções e o novo aeroporto e prevê o aumento da ocupação da rede hoteleira.|RC ### Estado aposta no incremento turístico Na última visita ao Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, no dia 14 deste mês, o governador Ronaldo Lessa (PDT) disse que essa é uma das principais obras do seu governo, principalmente pelo volume de recursos aplicados e a importância econômica. Como ele somente o Canal do Sertão. Essa é obra muito importante para Alagoas, lembrou o governador. O secretário-executivo de Turismo, Eugênio Sampaio, reitera as declarações do governador e diz que o setor turístico está otimista com a obra que, segundo ele, deve incrementar a próxima temporada de verão em Alagoas. Ele ressalta o aquecimento do setor turístico, em especial, depois do novo aeroporto e do Centro de Convenções. Isso possibilitará o aumento de vôos domésticos e implementará novas linhas regulares internacionais, consta nas informações passadas por assessores da secretaria. Ocupação Dados da Secretaria Executiva de Turismo apontam que no primeiro semestre deste ano a taxa de ocupação hoteleira em Maceió foi de 67,3%, o que representa acréscimo de 12,73% em relação ao mesmo período em 2004. Mesmo com esses números, a Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav) cobra mais oferta de hotéis. Os turistas que mais visitaram Alagoas no primeiro semestre deste ano foram, em ordem decrescente, os estados de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Bahia. Também no mesmo período, a maioria dos vôos internacionais que chegaram ao Estado foi oriunda da Argentina, Portugal, Chile e Uruguai. O novo aeroporto será capaz de atender 1,2 milhão de passageiros ao ano e está localizado a 400 metros do antigo, que foi totalmente desativado. Rotinas A subsecretária de Turismo de Alagoas, Perolina Lyra, acredita que com o novo aeroporto a expectativa do setor é de que vôos internacionais regulares sejam rotina. O primeiro passo é aumentar o número de vôos e o fluxo de turistas, salientou Perolina Lyra. Mário Aloísio, responsável pelo projeto arquitetônico do novo aeroporto, ressaltou que teve de vencer desafios. Vários fatores devem ser levados em consideração em relação a essa obra. Temos sim um aeroporto moderno, pois utiliza novas tecnologias, destacou o arquiteto. |RC

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