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Jornalista lança livro sobre guerra política no Agreste

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| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - A guerra político-partidária entre as duas facções que brigavam pelo comando de Arapiraca na década de 1950 tem como seu mais sangrento episódio a tocaia do dia 7 de fevereiro de 1957, que resultou na morte do deputado estadual José Marques da Silva, o médico dos pobres. O crime abalou Alagoas, teve repercussão internacional e culminou com o impeachment do então governador Muniz Falcão. Quase cinco décadas depois, a mais trágica história de Arapiraca é o tema principal do livro Marques da Silva: A Morte Anunciada, obra do jornalista Roberto Gonçalves, que será lançada hoje à noite, às 21h, na Casa da Cultura, no centro de Arapiraca. No texto, o autor leva às novas gerações o resultado de cinco anos de pesquisa e detalhes da tocaia armada pelo então deputado e coronel Claudenor Albuquerque Lima, adversário de Marques da Silva. Farpas Marques da Silva e Claudenor Albuquerque trocavam farpas em seus discursos políticos. Eram os dois principais adversários políticos da época, afirma o jornalista. Um dos pontos mais fortes do livro de 208 páginas é a reprodução da carta enviada por Marques da Silva ao presidente de seu partido, a UDN, em 1956, denunciando a trama e apontando os nomes dos três interessados em sua morte: Claudenor Lima e os irmãos Valdomiro, Florisval e Djacy Barbosa. Dois meses depois do envio da carta, a previsão de Marques da Silva seria confirmada. Era noite do dia 7 de fevereiro de 1956 quando o médico dos pobres foi chamado para socorrer Nair Fernandes, que dizia estar passando mal. Às 21h45 meia hora antes do usual o maquinário da empresa Força e Luz [que iluminava a cidade] foi desligado. A cidade ficou às escuras e Silva foi morto com dois tiros de revólver à queima-roupa disparados por dois pistoleiros pernambucanos. Segundo o autor, logo após o crime os pistoleiros [Luiz e Sebastião] foram vistos pulando para dentro o muro da residência do deputado Claudenor Albuquerque. Vinte pessoas foram indiciadas pelo crime, resultando na queda do então governador Muniz Falcão, que era aliado do então deputado Claudenor Albuquerque. Os acusados do crime confirmaram a trama e, anos depois, foram trucidados no sertão de Pernambuco, em condições misteriosas. Recebi conselhos para que não publicasse a história. Entendi, no entanto, os fatos documentados pela polícia e fotos daquela tragédia mereciam publicação para que a população jovem conheça a verdadeira história de sua cidade, ressalta Roberto Gonçalves.

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