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Crise une rivais do setor de transporte

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| BLEINE OLIVEIRA Repórter Dois anos e meio após a regulamentação do transporte alternativo, que passou a ser chamado complementar, os problemas no sistema de transporte intermunicipal continuam. Agora com dois novos ingredientes: a ação de taxistas do interior, que a cada dia avançam mais para ocupar espaço no sistema legalizado, e a suspensão da operação em linhas que as empresas, por critérios próprios, consideram deficitárias. A crise tem se intensificado, chegando a unir segmentos antagônicos, como rodoviários e empresários. Eles estão se juntando para cobrar ações da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal). E ameaçam promover uma grande manifestação em Maceió. Os rodoviários alegam que estão sendo duramente atingidos pelo avanço dos clandestinos (taxistas e particulares). Baixo salário e demissão É até estranho que a gente esteja na mesma posição das empresas, mas é o que está acontecendo, afirma Cícero Vital da Silva, diretor de relações trabalhistas do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Alagoas (Sinttro/Al). Segundo ele, além da quase extinção de algumas funções, como a de cobrador por exemplo, os rodoviários estão sofrendo com o alto índice de demissões e os baixos salários. No atual momento, afirma Cícero Vital, o Sinttro não tem outra alternativa senão cobrar da Arsal e do governo alagoano medidas de combate aos clandestinos. Isso nos junta aos empresários, admite. Um dos grandes vilões do sistema de transporte hoje são os taxistas. A acusação vem tanto dos rodoviários quanto dos transportadores complementares. Há um movimento crescente entre os dois segmentos que se dizem prejudicados, e que pode resultar num confronto com conseqüências que prejudicarão a população. Desempregado há três anos, o cobrador Renato Cassiano da Silva Filho, 36 anos, residente no Conjunto Eustáquio Gomes, no Tabuleiro do Martins, se diz vítima do avanço dos taxistas. Nunca mais consegui outro emprego, reclama Renato, que tem sobrevivido graças à ajuda que recebe por serviços prestados ao Sindicato dos Rodoviários. Ele revela que foi demitido em 2002 em decorrência da crise provocada pela ação dos kombistas e perueiros, chamados clandestinos. A empresa entrou em crise , afirma Renato, acrescentando que hoje não consegue recuperar o emprego por causa da concorrência com os taxistas. ### Acuados, setores vão às ruas protestar Estamos discutindo como fazer uma grande manifestação em Maceió, fechando ruas, pra ver se o governo toma providências , alerta Manoel Francisco da Silva, presidente em exercício da Federação das Associações de Transportadores Alternativos de Alagoas (Fata/Al). Mais que um alerta, a declaração é uma ameaça. Segundo Silva, a insatisfação entre os transportadores regulamentados cresce a cada dia. Ainda de acordo com ele, a ação pode ocorrer em curto prazo, já que têm se reduzido as possibilidades de uma solução negociada por meio da Agência Reguladora. Nas duas reuniões já realizadas, tanto a Fata quanto o Sinttro reclamaram do avanço dos taxistas e clandestinos, cobrando fiscalização e punição para as irregularidades cometidas. Os táxis do interior estão acabando com a nossa categoria, reclama Cícero Vital, acusando o Sindicato dos Taxistas de Alagoas (Sintaxi/Al) de estar emitindo concessões para permitir o transporte de passageiros nos municípios. O problema, denunciam o Sinttro e a Fata, é que, associados ao Sintaxi, os taxistas conseguem um registro nas prefeituras e passam a atuar como transportadores. A denúncia das duas entidades é que eles não fazem o transporte dentro do município onde se cadastraram. Ao contrário, atuam como transportadores intermunicipais, trazendo passageiros inclusive para Maceió. O Sintaxi está prejudicando a própria categoria, pois quando entram em Maceió os que vêm do interior levam os passageiros a qualquer bairro, afirma Manoel Francisco. Ele diz que a Fata já tem provas de que os taxistas do interior estão entrando no sistema urbano da capital sem que a Arsal e a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) adotem qualquer ação de combate a essa irregularidade. Mas se estão juntos para cobrar ações contra os taxistas, o Sinttro e a Fata se dividem em outras questões. As duas entidades têm interesses divergentes quando se trata, por exemplo, de questões trabalhistas. Neste ponto, Cícero Vital lembra que mais de 900 trabalhadores já foram demitidos, e cobra a regularização da atividade complementar. Vamos buscar na Justiça o direito de termos carteira de trabalho assinada, um piso salarial e carga horária definida, anuncia o diretor do Sinttro.|BL ### Arsal questiona crise e diz que há certa má-vontade Todas as queixas, tanto de rodoviários quanto da Fata, são do conhecimento da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal). O diretor-presidente do órgão, Álvaro Otávio Machado, garante que a fiscalização é permanente, mas as questões trabalhistas devem ser encaminhadas aos setores competentes. Embora admita que há problemas, o diretor questiona a existência de uma crise no setor de transporte público. Ele argumenta que, até a criação da Agência Reguladora, não havia fiscalização ou normas para o sistema intermunicipal. Agora, continua Álvaro Machado, como há uma política de governo, o setor reage. Os estudos técnicos não mostram as dificuldades que algumas empresas estão apontando para deixar de operar, declara. Ele se refere à Real Alagoas, uma das maiores transportadoras do Estado, que recentemente suspendeu a operação de mais de 30 linhas entre a cidade de Arapiraca e diversos municípios. O diretor acredita que há certa má-vontade de alguns empresários, mas estes terão que cumprir os termos do contrato que têm com o Estado, que concedeu a eles o direito de explorar o transporte público. Mais passageiros Para mostrar que o sistema pode funcionar de acordo com as normas legais e garantir o lucro das empresas, Álvaro Machado cita a empresa Transporte Tropical, que recentemente entrou no sistema assumindo as linhas da empresa Rio Largo. A nova empresa triplicou o número de passageiros ao oferecer melhor serviço ao usuário, declara Machado. Na avaliação dele, os que reagem à regulamentação estavam acostumados à falta de fiscalização, o que já não ocorre. Machado assegura que a Arsal tem fiscalizado tanto os convencionais quanto os complementares. Machado se comprometeu em promover uma reunião ampla com todos os segmentos (empresários de ônibus, complementares e rodoviários) na busca de soluções para os problemas comuns. |BL

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