Cidades
Passageiros já pagam R$ 1,60 em ônibus
FÁTIMA ALMEIDA Repórter Os passageiros dos transportes coletivos de Maceió já enfrentam desde à zero hora de hoje, mais um aumento de preço nas catracas dos ônibus. A tarifa pulou de R$ 1,45 para R$ 1,60, conforme deve ser publicado hoje no Diário Oficial do Município, com a homologação do novo preço pelo prefeito Cícero Almeida (PTB). Os empresários defendiam um reajuste maior. Ontem à tarde, depois de muita confusão e protestos de estudantes em frente à prefeitura, contra o reajuste, as assessorias de comunicação e jurídica da prefeitura receberam os representantes da classe estudantil para anunciar o novo preço. As assessorias informaram que este foi o menor preço conseguido, diante do aumento de insumos como combustível e pneus, além dos impostos. O prefeito Cícero Almeida chegou a afirmar, ontem, ser este o primeiro aumento dado por esta gestão. Já que, há dez meses, a prefeitura se posicionou contrária ao aumento e a decisão foi tomada por liminar na Justiça, disse Almeida. Protesto Pela manhã, os estudantes chegaram a ocupar a entrada do prédio da prefeitura, forçando a prometida reunião com Cícero Almeida, marcada na semana passada. A Guarda Municipal não conseguiu impedir o acesso dos estudantes ao interior do prédio. A polícia foi chamada para reforçar a segurança. Do lado de fora, sindicalistas e militantes do PSTU e do PCR reforçavam a manifestação. No final da manhã, um grupo de estudantes chegou a ser recebido pela assessoria de comunicação da Prefeitura de Maceió, que justificou o cancelamento da reunião, em virtude da decisão anunciada pelo prefeito, de homologar a passagem no valor de R$ 1,60. ### Empresários: prefeito adotou tarifa política no aumento A decisão do prefeito Cícero Almeida, de não acatar o valor das passagens aprovado pelo Conselho (de R$ 1,70), foi chamada de atropelamento por representantes do setor empresarial. Ontem pela manhã o Conselho Municipal de Transportes reuniu-se na sede da SMTT, e houve críticas à decisão de instituir a tarifa de R$ 1,60, anunciada na última segunda-feira. PREJUÍZO Os representantes dos empresários decidiram investir em medidas para compensar o que eles chamam de prejuízo. O Conselho é deliberativo, mas foi atropelado pelo prefeito. Ficou claro, mais uma vez, que está apenas no papel, porque aprovou uma tarifa com base em estudos técnicos, mas vigorou a tarifa política, disse o engenheiro de tráfego da empresa Piedade, e assessor do Sindicato dos Transportes Urbanos de Maceió, Alexandre Rangel. Segundo ele, isso vem se repetindo inclusive em governos anteriores. O valor nunca é o técnico. Isso prejudica questões como o compromisso de renovação da frota, que acaba sendo sempre adiado, diz ele. Gratuidade A decisão do prefeito reforçou a discussão de itens como o que os empresários e a própria SMTT chamam de excesso de gratuidade, e trouxe mais uma vez à pauta o questionamento do direito à meia passagem para estudantes de escolas particulares. Há uma injustiça nessa questão. O aluno de uma escola onde estudam pessoas de alto poder aquisitivo paga meia passagem, enquanto um trabalhador que ganha o salário mínimo paga tarifa inteira, diz Rangel. Transporte clandestino Ele confessa que essa questão ainda não existe como proposta, mas que está sendo discutida com base em alguns parâmetros, e cita o exemplo da cidade de Curitiba onde, segundo ele, só tem direito à meia passagem os estudantes que moram a mais de 1 km de distância da escola, e cuja renda familiar é menor do que dois salários mínimos. O Conselho decidiu, também, investir no combate ao transporte clandestino, como forma de recuperar uma fatia de usuários que deixou de andar de ônibus, e deliberou pelo encaminhamento de um ofício ao governo do Estado, sugerindo a compra de vale-transporte para os policiais civis e militares. No próximo dia 22, o Conselho volta a se reunir, já com propostas concretas sobre todas essas questões. |FAL