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Sertão teme rejeição de carne e de leite

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| MAIKEL MARQUES Repórter Olho d?Água das Flores - A possibilidade de isolamento da carne bovina e dos derivados de leite de Alagoas no mercado do Nordeste soou como alarme entre prefeitos e produtores rurais alagoanos. Ontem, eles se reuniram na Algodoeira Sertaneja, em Olho d?Água das Flores, com quatro deputados estaduais para discutir e cobrar da Secretaria de Estado da Agricultura agilidade no envio à Assembléia Legislativa do Projeto de Lei propondo a criação da Agência de Defesa Agropecuária (ADA). A criação da agência é uma das exigências técnicas do Ministério da Agricultura para que sejam enviados a Alagoas técnicos responsáveis pela inspeção sanitária e a conseqüente mudança de classificação de zona de risco desconhecido para zona de risco conhecido e com vacinação no que se refere ao combate à febre aftosa. A doença não atinge nenhum animal alagoano há mais de seis anos, segundo apurou a reportagem da Gazeta. Rejeição alta Se não houver agilidade, criadores de gado de corte e produtores de leite que já não comercializam produtos derivados de leite para Sergipe e Bahia - ficarão isolados do cenário nordestino. Isso porque Pernambuco - para onde Alagoas ainda vende derivados de leite - receberá a equipe de inspeção federal para que sua classificação de zona de risco desconhecido mude para zona de risco conhecido e com vacinação. Com a mudança de classificação, Pernambuco não poderá comprar produtos de Alagoas, Estado considerado zona de risco desconhecido. NEM DE GRAÇA Para os produtores, o fechamento da divisa de Pernambuco - para onde são comercializados mais de 90% dos derivados de leite de Alagoas - trará conseqüências catastróficas para a economia da região sertaneja. Se isso ocorrer, boi e vaca de Alagoas não serão aceitos nem de graça no restante do País, disparou o deputado estadual Antônio Albuquerque. DEVER DE CASA Para o produtor Álvaro Vasconcelos, o governo de Alagoas precisa fazer o dever de casa e agilizar a aprovação da Agência de Defesa Agropecuária, que é exigência do mercado internacional para que Alagoas possa exportar carne bovina e produtos derivados de leite. Embora a febre aftosa esteja erradicada, poderemos ficar isolados porque o Estado não cumpriu uma simples exigência técnica, alertou o produtor. ### Envio de projeto condiciona Orçamento Depois de ouvir inúmeras críticas à burocracia do governo do Estado, o presidente da Comissão de Finanças da Assembléia e deputado estadual Marcos Ferreira avisou: O Orçamento de Alagoas para 2006 só será aprovado caso o governo envie o projeto de criação da Agência de Defesa Agropecuária, último item que o Estado precisa cumprir para pedir ao Ministério da Agricultura mudança na classificação de zona de risco desconhecido da febre aftosa. Durante o encontro, produtores apresentaram dados, segundo os quais 90% dos derivados de leite da região são exportados para Pernambuco. O isolamento de Alagoas seria catastrófico para a economia da Bacia Leiteira, alertou o produtor André Ramalho. Os deputados Antônio Albuquerque, Francisco Tenório, Marcos Ferreira e Eraldo Cordeiro assumiram compromisso de agilizar a aprovação do projeto de criação da Agência de Defesa Agropecuária. Governo O atual secretário de Agricultura, Kleber Torres, acatou as críticas dos produtores e, depois de afirmar que não pode responder pelos atos de seus antecessores, avisou que não mediu esforços no sentido de desengavetar da Secretaria de Administração o projeto da agência. O governador já marcou reunião sobre o assunto e o projeto chega à Assembléia no máximo até a próxima semana, garantiu Kleber Torres. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas, Álvaro Almeida, o resultado da reunião foi bom. Almeida acredita que o apoio dos deputados é importante e defende agilidade na criação da agência. Esperamos que o governo agilize a criação da Agência, a situação é grave e o Estado precisa mudar de classificação para não ficar isolado, acrescentou Almeida. |MM ### Torres: Já considero a agência criada PETRÔNIO VIANA Repórter O projeto de criação da Agência de Defesa Agropecuária (ADA) deverá ser encaminhado para aprovação da Assembléia Legislativa do Estado (ALE) ainda esta semana. Segundo o secretário estadual de Agricultura, Kleber Torres, o projeto está em fase de conclusão e já foi entregue para análise do vice-governador Luís Abílio de Sousa (PDT). O secretário explicou que a demora na elaboração do projeto de criação da agência se deve à cautela que visa evitar erros que provoquem a devolução ao Poder Executivo. Eu já considero a agência criada. Não houve relaxamento. Alguns processos são demorados. Existem despesas e nós temos de respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas essa é uma prioridade do governo do Estado, disse Kleber Torres. Para Torres, não houve excesso de zelo na elaboração do projeto. Apenas queremos nos certificar de que isso não se desmanche no futuro. A Secretaria de Administração já divulgou seu parecer e fica faltando somente a aprovação da Assembléia, disse, lembrando que a ALE já está ciente da necessidade da aprovação até o dia 15 de dezembro, quando terá início o recesso parlamentar. Será responsabilidade da ALE a inclusão dos gastos com a Adeal no orçamento do Estado para o ano de 2006. De acordo com o secretário Kleber Torres, o governador Ronaldo Lessa (PDT) já teria publicado no Diário Oficial do Estado a Lei de Defesa Agropecuária, que orienta os produtores a respeitarem as determinações do Ministério da Agricultura. O secretário Kleber Torres se diz otimista quanto à campanha de vacinação contra a aftosa no Estado de Alagoas. Ele revelou que alguns dados extraoficiais da campanha apontam um índice de 30% do rebanho bovino alagoano já imunizado contra a doença. Segundo Torres, 230 mil doses contra a aftosa foram distribuídas a pequenos pecuaristas com rebanhos de até dez cabeças de gado. Logo que o Estado tiver condições, vamos realizar concurso público para contratação de veterinários, agrônomos e técnicos agrícolas para trabalhar na agência, informou Torres. O secretário acredita que a mudança na classificação do Estado de Pernambuco quanto à febre aftosa, de área de risco desconhecido para área de médio risco de ocorrência, não vaiprejudicar o Estado de Alagoas. Segundo Torres, existem quatro barreiras epidemiológicas para Alagoas: os estados de Sergipe e Bahia, o Oceano Atlântico e o Rio São Francisco. Caso Pernambuco consiga mudar sua classificação, Alagoas não teria meios para tirar do Estado sua produção de origem pecuária. O Ministério da Agricultura exige a declaração de vacinação de 80% do rebanho do Estado para que a classificação seja revista. O órgão que determina a mudança é a Organização Internacional de Epizotias (OIE), com sede na França. Pernambuco tem a mesma classificação de Alagoas, mas prega que vão mudar agora. A única vantagem deles é que lá a agência já foi criada, comparou Torres.

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