Cidades
Um passeio pelo mundo do artesanato
| CARLA SERQUEIRA Repórter O encanto parece ser geral. A Artnor, feira internacional de artesanato concentrada no Centro de Cultura e de Exposições de Maceió, abriu suas portas ontem, às 16h, e agradou aos primeiros visitantes. São 260 estandes, dos quais 60% apresentam a arte alagoana em suas mais diversas formas, de rendas a esculturas, de doces a bijuterias. Nos boxes, 25% expõem artesanato de outros estados brasileiros e 15% de outros países. Os estandes foram distribuídos, estrategicamente, numa espécie de corredor único, que leva o visitante a passear por todas as vitrines. Uma delas traz brincos de Minas Gerais e atraiu pelo preço. A expositora Maria de Fátima explica que os artigos vêm direto da fábrica e por isso o preço é baixo. Na entrada, o boi de carnaval Safari, do Jacintinho, fez a goiana Célia Regina disparar sua máquina fotográfica. De férias em Maceió com a filha, o genro e a neta, ela não poupou elogios. Está lindo, disse ela, exibindo a cestaria que comprou no estande de Coruripe e Feliz Deserto. O casal Maísa Oliveira e Luís Carvalho é de Alagoas. Eles moram na Ponta da Terra, têm 70 anos e há 5 namoram. Gostamos muito de festa. Voltaremos outras vezes, especialmente para dançar, disseram, ao falar dos shows de artistas populares. Ontem, Nelson da Rabeca e Eliezer Setton tocaram para o público. Tem de tudo. Estão lá os doces de cupuaçu do Piauí, o artesanato do Peru, até bolsas feitas com bagaço de cana e bambu. A meta é atrair, por dia, de 5 a 10 mil pessoas. Trabalhamos com muito carinho para montar esta feira. Agora, é só esperar o público; está tudo pronto, comentou o coordenador da Artnor, Eligius Thoen. Até o domingo, os organizadores esperam que 100 mil visitem os estandes. A feira abre das 16h às 22h e a entrada custa R$ 2. ### Mestres de Alagoas dão um show à parte durante a feira Em um trecho do corredor formado pelos estandes da Artnor reina o artesanato alagoano. Intitulado de Mestres de Alagoas, artesãos de lugares longícuos apresentam suas obras num exposição coletiva. As mãos ágeis de dona Clarisse Severiano, 70 anos e 62 de profissão, impressionam, principalmente turistas. Sua arte é a renda de bilro e vem de São Sebastião. É tão minusioso o seu trabalho que ela gasta 4 dias para fazer um metro de renda. Só assistir já é maravilhoso, diz Suelen Messias, 23 anos, de Goiás. Nunca tinha visto ao vivo, somente na televisão, conta. Ao lado de dona Clarisse, seu Fernando Rodrigues, 76, e Aberaldo Santos, 44, mostram as esculturas em madeira que produzem na Ilha do Ferro, povoado de Pão de Açúcar. Participar é um prazer. Aqui a gente conhece novas pessoas e divulga bem nosso trabalho, disseram. O artesão Rezêndio veio de Porto Real do Colégio com a esposa, Maria Rita. Suas peças trazem o humor dos episódios a que ele assiste no litoral sul de Alagoas. São mulheres recebendo a bênção, moças vestidas na moda, grávidas com a barriga de fora. Minha inspiração vem do formato da madeira, revelou Rezêndio. A madeira tinha uma ?barriga?, então fiz a grávida. Cerâmica trouxeram João das Alagoas, de Capela, e dona Irinéia, de União dos Palmares. João mostrou o presépio cheio de detalhes; Irinéia, suas meninas inspiradas nas novelas. |CS