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Obra pioneira faz 50 anos e consolida sua importância

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VALMIR CALHEIROS Repórter A mais antiga e importante estrada asfaltada ligando a capital alagoana ao interior do Estado, a BR-316, construída no governo Arnon de Mello, completa 50 anos neste 29 de janeiro, e somente agora é contemplada com obras de restauração da pista e recuperação do acostamento em boa parte de sua extensão, a partir de Palmeira dos Índios até o município do Pilar. Os melhoramentos estão sendo realizados pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (DNIT). Porém, as primeiras intervenções na pista foram inauguradas pelo ministro dos Transportes em outubro do ano passado - um trecho de 36 quilômetros entre Palmeira dos Índios e Tanque d?Arca, com recursos da União e do Banco Mundial, estimados em R$ 9 milhões. O jornalista e empresário Arnon de Mello assumiu o governo de Alagoas em 1951 e sabia dos enormes desafios que enfrentaria nos quatro anos seguintes, para combater os problemas mais graves e urgentes do Estado, que já contava com cerca de 1 milhão de habitantes. A fim de apressar o progresso de nossa terra, como disse, referindo-se a Alagoas, em pronunciamento na Associação Comercial, em 19 de setembro de 1953, lançou um programa administrativo que a muitos pareceu ousado demais. Nele, destacou o plano de construção de estradas, começando pelas rodovia ligando Maceió a Palmeira dos Índios, que daí prosseguiria até a localidade de Carié, na direção de Paulo Afonso, na Bahia, a atual BR-316, destinada a incentivar a produção das regiões do Agreste e do Sertão. Iniciou também a que seria um trecho da atual BR 101-Sul, de Maceió a Colônia Leopoldina, na divisa com Pernambuco, que acordará uma das regiões das mais ricas do Estado e ainda não explorada por falta quase absoluta de vias de comunicação, disse Arnon. Nessa época, o Estado enfrentava dois anos de seca, ocupava o penúltimo lugar nas estatísticas em relação à educação, com 77,9% de analfabetos, à frente apenas do Piauí, com 78,4%. Apresentava os piores índices na área de saúde. A esquistossomose atacava, em determinadas regiões, até 70% da população. O crescente êxodo rural era acentuado pelos males do latifúndio e pela péssima qualidade de vida no campo. ### Em 1956, Alagoas era o 4º Estado mais pavimentado Arnon estava convencido - tinha razões de sobra para isso - de que, com sua decisão, o Estado caminharia a passos largos para o verdadeiro desenvolvimento, uma vez que os centros de consumo logo estariam definitivamente ligados aos de produção, e o transporte mais fácil e barato, importando no rebaixamento do custo de vida pela redução do preço das utilidades. Estou certo de que a execução de tal plano implicará em um novo e vigoroso impulso da economia alagoana, disse Arnon à época. Ele achava que a ausência de uma boa via de comunicação entre Maceió e o Sertão - aquele vazio então celebrizado como Zona do Cangaço e também chamado de Oco da Maconha- criava um entrave ao engrandecimento de Alagoas como um todo e acentuava o estado de pobreza do povo alagoano. Apesar de enfrentar inúmeras dificuldades, sobretudo em termos de finanças, agravadas pelo fato de governar sem maioria na Assembléia Legislativa e fazer parte de um partido (UDN) contrário ao do presidente Getúlio Vargas (PTB), Arnon não vacilou um só instante. Quando teve de importar asfalto do exterior (Alemanha e Venezuela), Arnon de Mello presidiu, a 29 de janeiro de 1956, no derradeiro ano de gestão, a solenidade de inauguração da rodovia que, muitos anos depois, passou para domínio do governo federal e tornou-se a atual BR-316. Justamente a estrada asfaltada de Maceió a Palmeira dos Índios, a precursora no Estado e uma das primeiras no gênero em todo o território nacional. Naquele dia histórico, Arnon entregou ao povo alagoano os primeiros cento e cinqüenta e quatro quilômetros de estradas pavimentadas em Alagoas, concluídos em apenas dois anos e nos quais foram gastos 170 milhões (moeda da época) conseguidos com o governo federal. E ao concluir o mandato, manifestou o seu contentamento pelo fato de colocar Alagoas no quarto lugar em matéria de pavimentação no País, depois de São Paulo, do Estado do Rio e da Guanabara, nesta ordem. ### Régis Bittencourt: Alagoas é exemplo Na inauguração da estrada asfaltada de Maceió a Palmeira dos Índios, o engenheiro Régis Bittencourt, então na direção do DNER, declarava: Bem conheço a ação do governador Arnon de Mello, porque, na direção do DNER, tive oportunidade de debater com ele assuntos de interesse do Estado. O que o governador Arnon realizou em Alagoas foi uma obra impressionante, que coloca este pequeno Estado na frente dos maiores estados do País. Sinto-me feliz por ter ajudado Arnon de Mello a realizar empreendimento tão notável. Alagoas é hoje um exemplo para o Brasil. No balanço que o governador Arnon de Mello fez, na conclusão de seu mandato, em 1956, sobre suas obras de estradas, não aparece o Fundo Rodoviário Nacional (FRN), e sim o Fundo Nacional de Pavimentação (FNP), com o qual não contou em seu governo. Pois só foi criado (o FNP) por lei de 27 de dezembro último, e para ser tirado dos ágios sobre os combustíveis e lubrificantes líquidos e derivados do petróleo, conforme ressaltou. Durante meu governo as rodovias pavimentadas foram conservadas à custa do Estado, disse Arnon. E o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) considerara devidamente seu pedido de conservá-las a sua própria custa. O assunto estava dependendo da aprovação, pela Assembléia Legislativa, do projeto que lhe encaminhou no sentido de o Estado doar ao DNER uma área de terreno no Tabuleiro do Martins, já, aliás, escolhida, a fim de aí ser construída a Residência Rodoviária encarregada daquela conservação. Antes da construção dos primeiros trechos asfaltados da estrada Maceió a Palmeira dos Índios, os engenheiros alagoanos iam estudar pavimentação em São Paulo. E não demorou muito tempo para que engenheiros de outros estados, incluindo os do Sul, viessem se especializar em Alagoas. VC ### BR-316: dos anos 50 para a década de 70 No começo do governo Arnon de Mello, no início dos anos 50 do século passado, o transporte ferroviário era ainda o mais seguro para quem desejasse ir de Palmeira à capital. A viagem durava entre 6 e 7 horas. O horário de partida dos trens de passageiros - três e meia da madrugada - determinava a vigília de toda uma noite, e a morosidade da viagem, a bem dizer, indispunha o viajante contra qualquer atividade durante o resto do dia, diziam historiadores da época. Dias de viagem Antes do asfalto, o transporte de mercadorias, por caminhão, de Palmeira para Maceió, via Atalaia, em plena estiagem, durava um dia inteiro de viagem, e na época chuvosa, usando outras ligações, porque a de Atalaia se tornava intransitável, não tinha tempo de duração fixado. Considerava-se então perfeitamente normal que o caminhão demorasse uma semana para ir e voltar de Maceió a Palmeira dos Índios, necessitando, ainda, além do motorista, de dois ou mais ajudantes para resolverem os problemas das paradas forçadas pelo mau estado da rodovia. Mesmo assim era preciso que o veículo não usasse toda sua capacidade de carga, para que seu motor melhor vencesse os atoleiros. Avanços Nos anos 70, vinte anos após a obra pioneira de Arnon de Mello, ligando Maceió a Palmeira, Alagoas ainda se empenhava com o objetivo de sensibilizar a União, por meio do Ministério dos Transportes, para que fossem providenciadas obras de pavimentação do prolongamento da BR-316, já imaginado por Arnon, no trecho Palmeira dos Índios-Carié, cortando o sertão alagoano até a divisa com o Estado da Bahia. Pelo novo projeto, a extensão do trecho seria de cem quilômetros, a um custo estimado de 700 mil cruzeiros. ### Asfalto na BR-316 trouxe vantagens para a economia Quatro anos depois de abrir os caminhos entre Maceió e o interior de Alagoas, Arnon de Mello diria que, utilizando-se a estrada asfaltada que ele acabava de inaugurar, a viagem já podia ser feita por ônibus, no verão como no inverno, em duas horas, e em automóvel ainda em menor tempo. Um caminhão poderia, em pleno inverno, descontando o tempo gasto com carga e descarga, fazer duas vezes por dia a viagem de ida e volta a Palmeira dos Índios, e transportando, ademais, carga superior à fixada para sua capacidade. Produção E resumia, assim: Se no verão de 1951 um caminhão, de capacidade média de seis toneladas, transportava, em doze viagens por mês, de Maceió a Palmeira e de Palmeira a Maceió, 114 toneladas, hoje (1956) transporta, em igual período, 672 toneladas, ou seja, mais 528 toneladas por mês, o que equivale a 466% de aumento da produção do veículo. Em 1951, no inverno, o caminhão transportava 48 toneladas em um mês, com um chofer e dois ou mais ajudantes, enquanto agora, em 1956, sua capacidade de carga aumenta para 424 toneladas, isto é, 1.400% a mais, contabilizou Arnon de Mello. Não bastassem as enormes vantagens refletidas nesses números citados pelo ex-governador, logo começaram a ser auferidos, em decorrência dessa sua obra pioneira, os lucros com o aumento do rendimento por autocarga, e também dos automóveis e ônibus. Por outro lado, em virtude da pavimentação rodoviária, os fretes em Alagoas se mantiveram baixos e inalterados, embora se houvessem elevado as tarifas ferroviárias, marítimas e aéreas, e aumentado até em 500% os preços dos veículos, da gasolina, dos lubrificantes, das peças de substituição, dos reparos de oficinas, serviços de conservação e salários no setor de transportes e cargas, completou Arnon. VC ### Asfalto na BR-316 trouxe vantagens para a economia Quatro anos depois de abrir os caminhos entre Maceió e o interior de Alagoas, Arnon de Mello diria que, utilizando-se a estrada asfaltada que ele acabava de inaugurar, a viagem já podia ser feita por ônibus, no verão como no inverno, em duas horas, e em automóvel ainda em menor tempo. Um caminhão poderia, em pleno inverno, descontando o tempo gasto com carga e descarga, fazer duas vezes por dia a viagem de ida e volta a Palmeira dos Índios, e transportando, ademais, carga superior à fixada para sua capacidade. Produção E resumia, assim: Se no verão de 1951 um caminhão, de capacidade média de seis toneladas, transportava, em doze viagens por mês, de Maceió a Palmeira e de Palmeira a Maceió, 114 toneladas, hoje (1956) transporta, em igual período, 672 toneladas, ou seja, mais 528 toneladas por mês, o que equivale a 466% de aumento da produção do veículo. Em 1951, no inverno, o caminhão transportava 48 toneladas em um mês, com um chofer e dois ou mais ajudantes, enquanto agora, em 1956, sua capacidade de carga aumenta para 424 toneladas, isto é, 1.400% a mais, contabilizou Arnon de Mello. Não bastassem as enormes vantagens refletidas nesses números citados pelo ex-governador, logo começaram a ser auferidos, em decorrência dessa sua obra pioneira, os lucros com o aumento do rendimento por autocarga, e também dos automóveis e ônibus. Por outro lado, em virtude da pavimentação rodoviária, os fretes em Alagoas se mantiveram baixos e inalterados, embora se houvessem elevado as tarifas ferroviárias, marítimas e aéreas, e aumentado até em 500% os preços dos veículos, da gasolina, dos lubrificantes, das peças de substituição, dos reparos de oficinas, serviços de conservação e salários no setor de transportes e cargas, completou Arnon. VC ### Maceió e Belém: pontos extremos Trabalho publicado em outubro de 1970, pela delegacia alagoana da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), de autoria do engenheiro Emerson Loureiro de Albuquerque, sob o título Infra-estrutura do Estado de Alagoas: Transporte, Energia e Comunicação, menciona a BR-316 entre as rodovias diagonais do Plano Rodoviário Federal, tendo como pontos extremos as capitais de Belém e Maceió, com uma extensão de 297 quilômetros no território alagoano. Sendo de 138 quilômetros a extensão pavimentada e em revestimento primário 159 quilômetros. Nesta época havia um contrato com a firma Tucon para recuperar e revestir com lama asfáltica do Km 13 ao Km 90. Diz o mesmo estudo que até 1966 (dez anos após a construção da estrada asfaltada de Maceió à entrada do Sertão, em Palmeira dos Índios), a extensão da rede rodoviária no Estado era de 72 quilômetros de estradas pavimentadas ao âmbito estadual, e 206 km na esfera federal, correspondentes, respectivamente, aos trechos estaduais: Maceió-São Luiz do Quitunde, BR-101- Rio Largo, BR-316-Pilar, Arapiraca-Taquarana; e as federais: Maceió-Palmeira dos Índios e parte da BR-101 Norte e Sul. 29 de janeiro de 1956, Palmeira do Índios: o então governador Arnon de Mello (depois senador) inaugura a primeira estrada asfaltada do Estado

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