Cidades
Grupo protestará no centro com beijaço
| MARCOS RODRIGUES Repórter A lentidão nas investigações da morte do técnico em enfermagem José Maciel da Cruz Silva, 29, no mês passado, em Coruripe, mobilizará os representantes do Grupo Gay de Alagoas (GGAL) que realizarão um beijaço no centro de Maceió. A vítima era homossexual e foi morta com requintes de crueldade no dia 24 de janeiro, em sua residência. Tememos que essa morte se transforme num novo caso Renildo dos Santos, que foi morto há 12 anos e até agora os culpados, mesmo identificados, não foram julgados, denuncia o secretário de Direitos Humanos do GGAL, Dino Alves. Renildo era vereador por Coqueiro Seco e foi assassinado por causa de sua opção sexual. Dino Alves diz que desde a semana passada o movimento tenta contato com a cúpula da Secretaria de Defesa Social (SDS), mas não obtém êxito. Na avaliação do movimento, o inquérito está paralisado por falta de interesse. Para piorar teve a mudança na secretaria. Com a saída de Paschoal Savastano ficamos sem notícias, acrescentou Dino. O dirigente do GGAL também se queixa das dificuldades enfrentadas para manter contato com o delegado Waldeks Pereira da Silva, responsável pelas investigações. Ele alega que não tem tido acesso a detalhes do caso porque policiais de Coruripe não forneceram o telefone do delegado. É por essa e outras razões que o GGAL vai às ruas para denunciar o que considera pouco caso as autoridades. As estratégias da mobilização do beijaço do dia 6 de fevereiro, no Centro, serão reveladas hoje pela manhã, durante uma entrevista coletiva. O protesto não vai se restringir ao episódio da morte de José Maciel. Para o movimento, a discussão que tem que ser levantada é quanto à homofobia, que leva alguns segmentos a enxergar o homossexual como um doente e alguém inferior. Queremos levantar essa discussão para darmos visibilidade a nossa causa, que é a defesa da diversidade sexual. O que está em questão não é a propaganda da nossa opção, mas o respeito por ela, explica Dino, que se apresenta como bissexual. EMPENHO A Gazeta ouviu o delegado Waldeks Pereira. Por telefone ele rebateu todas as críticas das lideranças do GGAL. Ao contrário do que dizem estamos empenhados nesse caso. Hoje [ontem] fiz novas diligências, inclusive, com o apoio do pai da vítima, alegou o presidente do inquérito. Ele diz que a polícia já tem pistas dos supostos agressores e já sabe que um deles tem sotaque paulistano. Mas, segundo Waldeks, a população poderia colaborar com mais detalhes.