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Pressão faz governo cancelar delegacia em pólo industrial

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BLEINE OLIVEIRA Repórter A resistência da classe empresarial levou o governo a cancelar em definitivo a transferência da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) para o Distrito Industrial Governador Luiz Cavalcante. A notícia da instalação da delegacia no distrito industrial foi dada com exclusividade pela Gazeta, que mostrou a insatisfação dos empresários com a iniciativa governamental. O presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial (Adedi), Gilvan Leite, disse ter recebido informação do secretário da Indústria e Comércio, Alberto Cabús, de que a transferência foi cancelada por decisão do próprio governador Ronaldo Lessa. Com a decisão, os dirigentes dos órgãos de segurança já começaram a procurar outra área para instalar a DRFV, que precisa sair do espaço que ocupa na sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), no Pontal da Barra. O assessor de comunicação da Secretaria de Defesa Social (SDS), major Maxwell Santos, confirmou que, diante da resistência do empresariado, o Distrito Industrial está fora dos planos do secretário de Defesa Social, coronel PM Ronaldo Santos. Voltamos à estaca zero, disse. Os dirigentes da SDS planejaram a transferência depois de terem localizado no distrito industrial dois galpões de propriedade do Estado. O plano era levar a DRFV para aquela área e o Detran para o espaço onde fica o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), também na região do Tabuleiro. Como os presídios Rubens Quintella e Cirydião Durval estão lotados, o governo decidiu transformar o complexo onde funciona o Detran numa espécie de cadeião, para abrigar os detentos que cumprem regime semi-aberto. No projeto está ainda a intenção de reduzir o número de presos nas delegacias, que estão superlotadas. ### Distrito foi criado para atrair indústrias e gerar empregos Tudo perfeito se, no caminho, a SDS não tivesse encontrado a resistência dos empresários. Entendemos que uma delegacia desvirtua o objetivo do distrito- disse o empresário Gilvan Leite, que preside a Adedi. Ele deixou claro que a entidade nada tem contra a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, mas não poderia deixar de se posicionar em defesa dos interesses dos empresários e da sociedade. Nesse aspecto, a diretoria da Adedi iniciou uma ação política capaz de reverter a decisão da SDS. O secretário da Indústria e Comércio, Alberto Cabús, entrou em cena e mostrou ao governador Ronaldo Lessa que a instalação da DRFV prejudicaria o esforço do próprio governo para atrair investidores para o pólo industrial de Maceió. O distrito foi criado para atrair indústrias, gerar empregos, reage o empresário Gilvan Leite. MAIS EMPREGOS Segundo ele, os galpões desejados pela Secretaria de Defesa Social já são do interesse de uma indústria do setor de alimentos, cujos proprietários pretendem se instalar no Distrito Industrial Luiz Cavalcante. Se tudo der certo teremos mais 240 empregos no distrito, revela Gilvan. Ressaltando que em nenhum momento as autoridades da área de segurança pública pretenderam criar problemas ou alimentar polêmica com os empresários do distrito, o assessor da SDS, Maxwell Santos, deixou claro que a questão está resolvida. Já estamos pensando em outras áreas, disse ele. Segundo Maxwell, em nenhum momento o comando da Defesa Social imaginou que a ocupação dos dois galpões, numa área de 100 x 150m, próximo à indústria Ifril, pudesse gerar problemas. De modo algum queremos causar embaraço ao governo ou criar problemas para os empresários, afirmou. Para trás O empresário Gilvan Leite aproveitou a discussão para cobrar mais investimento naquela área. Infelizmente, disse ele, os entraves burocráticos e a falta de estrutura continuam emperrando o processo de industrialização do Estado. Enquanto estados como a Bahia, Pernambuco e Paraíba avançam, nós estamos ficando para trás, reclamou o presidente da Adedi. Ele disse também que o atual governo contribuiu muito para o desenvolvimento alagoano, especialmente com a Lei de Incentivos Fiscais. Mas avalia que os investimentos em infra-estrutura deveriam ter sido maiores. Somos um Estado pobre, com alto índice de desemprego e exclusão. Somente com indústrias gerando emprego e renda podemos sair desse patamar. |BL

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