Cidades
Sem-terra purificam Incra na saída de Gino
Munidas de sal grosso, galhos de arruda e alho, lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram ato simbólico ontem, para purificar a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e comemorar a saída do superintendente Gino César de Meneses, que se afastou do cargo para disputar as eleições deste ano como candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em tom de deboche e de posse de material de limpeza, os integrantes do MST lavaram as escadarias do prédio. Os funcionários do Incra que deixaram o órgão também eram batizados com sal grosso. O dirigente nacional do movimento, José Roberto da Silva, declarou que Gino César promoveu a desagregação, mentiu e fez politicagem quando estava à frente do órgão. Ele falou que assentou 1.300 famílias em 2005, mas foram menos de 700. Espero que o próximo a entrar não faça a mesma politicagem que o Gino. Quem entrar tem que estar comprometido com a reforma agrária, reforçou José Roberto. Enquanto cartazes eram afixados nas paredes do prédio, acusando o superintendente de oportunista, lideranças gritavam fora Gino. Sem qualquer resistência por parte dos funcionários, eles foram ocupando corredores. Ato de Vandalismo O atual chefe de gabinete do Incra e ex-secretário de Ação Social, historiador Gilberto Coutinho, vai assumir hoje a superintendência com a saída de Gino. Ele é membro do Partido dos Trabalhadores (PT). Indiquei o nome dele, que foi aprovado, disse Gino. Sobre o episódio de ontem promovido pelas lideranças, ele declarou que foi mais um ato de vandalismo e que isso somente atrapalha a reforma agrária. Foi um ato de vandalismo isolado. Existem outros movimentos. Toda vez que isso acontece falo para os funcionários deixarem o prédio, disse Gino César. Já as lideranças citam supostas denúncias: Gino é o maior corretor de lotes. Em 2005, mais de 500 lotes foram regularizados pelo superintendente, como aconteceu em Branquinha, disse o dirigente do MST. Depois do protesto, a assessoria de comunicação do órgão informou que, por orientação de Brasília, Gino César não iria se pronunciar pessoalmente sobre o ato promovido pelas lideranças do movimento. Em nota enviada à imprensa, ele rebate as acusações sobre o número de famílias assentadas durante sua gestão. De acordo com o chefe da Divisão Operacional do Incra, José Everaldo Morais, em 2004 foram devolvidos por não utilização R$ 109.724, 20 de um total de R$ 10.381.710, 80 empenhados para ações nos assentamentos e que o número de 1.300 famílias assentadas é real. Lideranças disseram ontem que a superintendência em Alagoas teria devolvido ao governo federal, nos últimos dois anos, mais de R$ 3,5 milhões, que deveriam ser aplicados em infra-estrutura. Acuados com o ato simbólico, os funcionários do Incra deixaram o prédio, que somente retomou às atividades à tarde. Segundo informação da assessoria de comunicação do instituto, antes de deixar o prédio lideranças esvaziaram extintores de incêndio e jogaram urina na cisterna. |RC