Cidades
Vale do Reginaldo volta a ser redenção
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter O Vale do Reginaldo voltou à pauta dos arquitetos e técnicos da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento de Maceió. Foco de antigos projetos e promessas de campanha, a comunidade que se instalou ao longo do leito do riacho retrata a miséria que afeta grande parte da população da cidade. Na última campanha eleitoral o projeto de um eixo viário ligando o centro de Maceió ao bairro do Tabuleiro, passando pelo Reginaldo, foi uma das principais bandeiras do então candidato Cícero Almeida. Mas, na realidade, o projeto, em si, nem existe. Segundo representantes da Secretaria Municipal de Planejamento, o que existe é a idéia e estudos de gestões anteriores que já estão defasados e não têm a abrangência pretendida. Entretanto, segundo a diretora de Geoprocessamento da Secretaria de Planejamento, Ana Paula Acioli, desta vez, a intenção de fazer do Reginaldo um projeto estruturante para Maceió é mesmo para valer. planejamento Uma seqüência de reuniões envolvendo diversos outros órgãos municipais, estaduais e federais começa a trabalhar o projeto contemplando, além da questão viária - que visa a construção de uma via alternativa para facilitar o escoamento do trânsito entre o Centro e o Tabuleiro -, também itens como drenagem, saneamento, habitação, infra-estrutura e serviços urbanos. A Secretaria de Planejamento montou uma equipe multidisciplinar para planejar procedimentos como o diagnóstico socioeconômico, cadastro habitacional e levantamento físico-territorial que vão fundamentar os projetos técnicos para a região. Para se ter uma idéia, o último levantamento habitacional da área foi feito há oito anos. ### Moradores não acreditam em mudança O Vale do Reginaldo é destacado no Plano Diretor de Maceió como uma grande Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), e isso, segundo a arquiteta Edith Nogueira, lhe dá status de prioridade no planejamento urbanístico. Mas de acordo com o plano diretor e com as novas referências de mobilidade urbana, os projetos na área devem manter a população no local, beneficiando-a com a regularização fundiária e a melhoria dos serviços urbanos, e removendo apenas as populações que habitam áreas de risco. Estas, devem ser transformadas em áreas verdes. É preciso trabalhar com a realidade local, dotando a comunidade de infra-estrutura urbana, e respeitando, inclusive as manifestações culturais, diz Edith, complementando: Hoje, o Ministério das Cidades evoluiu o conceito de política de mobilidade urbana, dando-lhe características mais modernas e mais amplas e tratando-a como fator de inclusão social. FAL ### O canal só é limpo de 4 em 4 anos O caminhoneiro aposentado Carlos Roberto do Nascimento mora no Vale do Reginaldo desde a década de 70, época em que, segundo ele, não existia o canal, e o Riacho Reginaldo corria livremente, com água limpinha, onde as pessoas costumavam se banhar. Viu a comunidade crescer e o local, que era apenas uma fazenda com porteira de entrada nas imediações da Praça Senhor do Bonfim, no Poço, se estender num amontoado de barracos e construções subnormais; viu o lixo descer pelo riacho, os minadores serem substituídos por canos de água suja e o Reginaldo se transformar num enorme esgoto a céu aberto, retrato mais autêntico da situação de miséria em que vivem os habitantes de suas margens. Nesses 30 anos, Carlos Roberto já ouviu muita promessa de projetos de urbanização para o Vale do Reginaldo. Ele trabalhou na construção da ponte que liga o Farol ao Feitosa e chegou a acreditar em melhorias. Mas o progresso que passou em cima da ponte não chegou à comunidade que mora embaixo dela. FAL ### Projeto extrapola solução para trânsito A diretora de Geoprocessamento da Secretaria Municipal de Planejamento, Ana Paula Acioli, reconhece que muito já se falou em melhorias do Vale do Reginaldo, mas nunca da forma abrangente que se pretende agora. Existem projetos diversos, mas todos tratam do Vale do Reginaldo como via de transporte. São estudos pontuais, diz ela. No histórico dos projetos a recuperação da área do vale estava prevista, inclusive, no projeto de revitalização do bairro do Jaraguá. O viaduto Ib Gatto, no Poço, é a parte viabilizada dessa trajetória, assim como a implantação da estação elevatória do Salgadinho. Mas é preciso planejar, inclusive, a implantação de coletores ligando a vazão do riacho ao emissário submarino de Maceió, localizado na Praia do Sobral, no Trapiche da Barra. É preciso ?casar? o projeto com o saneamento do Salgadinho e com outros projetos já existentes, dizem as técnicas da Secretaria Municipal de Planejamento, deixando escapar uma dica de que a realidade ainda não é tão concreta. Elas destacam a importância do projeto estruturante do Vale do Reginaldo, inclusive para o processo de despoluição da Praia da Avenida, onde o riacho deságua, já incorporado ao Salgadinho. FAL ///