Cidades
Evento discute responsabilidade�social do terceiro setor em Alagoas
ANA MÁRCIA Num Estado onde quase um terço da população (28%) não possui nenhuma fonte de renda, e há 49% de analfabetos, entre 1,6 milhão de eleitores, segundo o próprio Tribunal Regional Eleitoral, pesa a responsabilidade social do chamado terceiro setor, na tentativa de reduzir estes elevados percentuais de exclusão social. Os dados sobre Alagoas foram apresentados, ontem, na Associação Comercial, pelo economista da Ufal, Cícero Péricles, durante seminário realizado pela entidade Maceió Voluntário, em parceria com a Legião da Boa Vontade. Ele lembrou que em muitos municípios alagoanos pequenos não há, sequer, feira semanal. ?Há uma total falta de mercado consumidor, porque os ativos são concentrados, a renda é concentrada?, destacou o economista, durante o evento. Para o sociólogo pernambucano, Vando Nogueira, outro palestrante do seminário, há desafios que as entidades formadas pela sociedade civil organizada têm que enfrentar para dispor de condições de atuar na busca de uma melhor qualidade de vida. ?O primeiro desafio é a credibilidade pública, que deve vir acompanhada da visibilidade do reconhecimento. A partir daí, chamo a atenção para as exigências de que as organizações da sociedade civil sejam mais profissionalizadas e cumpram suas obrigações legais?, disse Vando Nogueira, ressaltando a necessidade de garantir a qualidade nos trabalhos em que estão comprometidos. Na sua opinião, este segmento deve ter um constante aprimoramento, inclusive nas questões gerencial e administrativa. ?Como o terceiro setor tem críticas ao Estado por ineficiência, deve ser modelo de organização a baixo custo, mas isto não se faz apenas com consciência e esforço. É preciso planejamento para identificar possibilidades e potencialidades existentes?, falou o sociólogo.