Cidades
Centros de di�lise amea�am n�o atender novos pacientes no Pa�s
FÁBIA ASSUMPÇÃO Os centros de hemodiálise em todo o País podem deixar de atender novos pacientes, caso o Ministério da Saúde não faça uma revisão na tabela de pagamento dos serviços de terapia renal. A advertência foi feita, ontem, pelo presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), Washington Luiz Correia, que esteve em Maceió, para manter contatos com representantes do setor no Estado. ?Nossa intenção não é parar, mas não há condições de manter o tratamento de hemodiálise com os valores atualmente pagos pelo SUS?, ponderou. Segundo Washington Correia, numa reunião, no mês passado, no Recife, os associados da ABCDT decidiram parar os serviços de hemodiálise para novos pacientes. Só que o Ministério da Saúde entrou com uma Medida Cautelar contra a entidade, para impedir a paralisação dos serviços. ?Mas já entramos com uma liminar para recorrer contra essa ação?, adiantou Washington. O setor reivindica um reajuste de 47% na tabela de pagamento do SUS para os serviços de hemodiálise. No dia 13 de maio, o Ministério da Saúde anunciou um reajuste de apenas 5%. O último reajuste, de 10%, foi concedido em 2001. O presidente da ABCDT afirma que esse reajuste não atende às necessidades do setor, que depois das mortes ocorridas no Centro de Hemodiálise de Caruaru, nos anos 90, foram obrigados a investir na melhoria da qualidade dos serviços, com a aquisição de equipamentos de última tecnologia, a maior parte importada. A situação ficou ainda pior com as constantes altas do dólar. ?Há muitas empresas que não querem fornecer insumos aos centros de hemodiálise porque a maioria está sem condições de pagar?. Washington explica que pela tabela do SUS, são pagos R$ 103,95 por sessão de hemodiálise. Com o reajuste de 5%, esse valor sobe para apenas R$ 108,00. Para o setor, esse valor deveria ser, no mínimo, R$ 160,81. Hoje, no Brasil, existem 55 mil pacientes realizando terapia renal. Em Alagoas, existem nove centros de hemodiálise (cinco em Maceió, dois em Arapiraca e dois em Palmeira dos Índios) que atendem 700 mil pacientes. De acordo com o nefrologista Dagmar Vaz, a estimativa é que só em Alagoas surjam 300 novos pacientes para realizar terapia renal. A taxa de mortalidade entre os pacientes que se submetem a esse tratamento é de 10%.