Suspensão da pesca
Medida do Ministério da Agricultura preocupa pescadores
Segundo Maria Aparecida, seguro-defeso não garante sustento dos pescadores
Instrução normativa do Ministério da Agricultura, publicada na terça-feira (29), proíbe a pesca de lagosta verde e vermelha, camarões-rosa, branco e sete-barbas, no período de 1º de novembro a 31 de dezembro. Maria Aparecida da Silva, vice-presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas (Fepeal), diz que a medida será prejudicial aos pescadores locais.
A medida foi motivada por possível contaminação química do óleo derramado nos litorais do Nordeste, desde 30 de agosto. Mais de 200 locais, até o momento, foram afetados pelas manchas de óleo. A instrução normativa cita “grave situação ambiental” decorrente do derramamento de óleo.
Segundo a vice-presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas (Fepeal), o governo precisa achar meios de resolver a situação dos pescadores que não poderão trabalhar. “Se ele [governo] proíbe a pesca das duas espécies, tem que resolver a situação dos pescadores. Hoje mesmo estamos com baixo consumo, mesmo do peixe que é pescado desde sempre, que é o que chamamos de peixe de linha. Se agora proíbem a pesca de duas diferentes espécies, a situação complica, né?!”, explicou Maria Aparecida.
Ao ser questionada sobre o seguro-defeso, que é o auxílio de um salário mínimo pago em período de paralisação de atividades, a vice-presidente afirma ser pouco e que isso não garante o sustento dos pescadores. “Além de ser pouco, tem outra questão que é ainda mais grave. Nós temos aqui pescadores que desde 2016 não conseguem tirar esse auxílio, então, se daquela época para cá, onde os problemas eram menores, eles já não estavam conseguindo, imagine agora, onde estamos passando por essa crise ambiental”, questionou Maria Aparecida. “Tem muitos aqui com problema no cadastro, e problema do próprio governo, que não foi resolvido, como eles ficam?”.
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Ela comentou também sobre a situação das marisqueiras, que não estão recebendo atenção no recebimento do seguro-defeso. “Para conseguir o auxílio o pescador tem que estar cadastrado, e para saber quem é pescador tem que ir até as colônias, porque essa informação somente com os presidentes. As marisqueiras não tiram seguro-defeso no mesmo período que pescadores homens. Como ficará a situação das mulheres que são da cadeia produtiva da pesca?”, comentou Maria Aparecida. “Espero um dia ter essa resposta por parte do secretário Nacional de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif.”
Compra de peixes afetada
Por medo da contaminação, nesse caso inexistente, as pessoas estão deixando de comprar os peixes vendidos na Balança do Peixe, na Pajuçara, o que faz o movimento diminuir e os pescadores sentirem a diminuição nos bolsos. “Isso não é só aqui, é em todo o Estado, não adianta a gente ir pescar, buscar os peixes e não ter quem comprar. As pessoas têm medo do pescado estar contaminado, mas ele já foi analisado e não está”, contou Maria Aparecida, que acha que o governo deveria achar formas de acalmar e conscientizar a população para que voltem a comprar os peixes normalmente. “Acho que o IMA deveria achar formas de passar isso para a população”, disse a vice-presidente da Fepeal.