Cidades
Institui��es celebram Dia Nacional da Ado��o
Para tornar ainda maior a motivação do Dia Nacional da Adoção ? instituído pela Lei 10.447/02 e comemorado no próxima dia 25 ? a Fundação Municipal de Apoio à Criança e ao Adolescente (Funacriad) e a Casa de Adoção Rubens Colaço estarão realizando uma missa no domingo, às 17h, na Igreja de São Pedro, na Ponta Verde. A celebração, que tem como objetivo despertar para a importância da família, terá como tema ??Adoção é um Ato de Amor?. ?Queremos aproveitar o momento de reflexão e de fé para incentivar esse gesto de amor, reforçando que a formação de uma família não precisa ser exclusivamente natural, mas que também pode ser gerada a partir de laços de solidariedade, carinho e afinidade. Precisamos lembrar ainda nossa responsabilidade em resgatar a cidadania para crianças privadas da convivência familiar e comunitária?, ressalta a presidente da Funacriad, Tereza Nelma Porto. Criada durante a gestão do então prefeito Ronaldo Lessa, em 1992, a Casa de Adoção Rubens Colaço é uma instituição do município de Maceió que atende atualmente a 45 crianças ? 23 abrigadas e 22 à espera de adoção - na faixa etária de 0 a 12 anos. Além de seu corpo funcional, a instituição funciona com o apoio de um grupo de voluntários, que realizam atividades recreativas ou simplesmente fazem companhia às crianças. Além de contar com a presença da prefeita Kátia Born, das crianças da Casa de Adoção, secretários municipais e da sociedade de forma geral, a missa terá o depoimento de pessoas que viveram a experiência da adoção. Uma dessas experiências será relatada pela voluntária Renata Ramos Cipriano, que, além de criar os filhos naturais, adotou três crianças da creche. Carta de Itajaí ? Com a meta de incentivar a criação, ainda este ano, do grupo de adoção do município ? com a participação de pais e representantes do Ministério Público, do Poder judiciário e dos órgãos ? estará direcionando suas ações dentro dessa questão pelo documento oficial retirado do 8º Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção (Enapa), realizado no início deste mês em Itajaí (SC). A Carta de Itajaí estabelece que é preciso buscar a efetiva inclusão e cidadania para crianças nessa situação, reivindicar a criação de cargos necessários para a implementação de equipes multidisciplinar em cada comarca, reclamar do MP estadual a exigência de Poder Judiciário do cumprimento do Art. 150 do ECA, que define a obrigatoriedade dessa equipe na Justiça da Infância e Juventude e, ainda, a ampliação do número de varas especializadas nessa área judicial. Voltando à questão específica das adoções, Tereza lembra aos interessados que o primeiro passo é manifestar essa intenção junto à 2ª Vara do Juizado da Infância e da Juventude em Maceió, onde o pretendente pode se cadastrar para conhecer a creche. Mas se o objetivo for apenas o de passar algumas horas com as crianças, como voluntário, basta apenas se dirigir à instituição, que está localizada na Rua Marieta Lages, 60, no Farol. /// Mãe de dois filhos adota três crianças Renata Ramos adotou três crianças da Creche Adoção e tem dois biológicos. ?O resultado é compensador. Se num primeiro momento parece assustador, no dia-a-dia as crianças transmitem muita alegria e enchem a nossa vida de emoção?, confessa. Ela explica que não é diferente criar filho biológico e não biológico. ?Quem se dispõe a criar deve ter a mesma capacidade de amor para todos. Quando eu e meu marido adotamos o primeiro, na época com oito meses, tínhamos apenas um filho e ele pedia irmãozinho. Depois engravidei pela segunda vez. Mesmo assim adotamos outro menino com dois anos e, por último, a menina, com três anos?. Ao chegar na Creche Adoção, Renata disse que fica comovida com a necessidade de amor das crianças. ?Difícil é entender a frieza das pessoas. Tem gente que diz que eu sou louca, que exagerei. Não é assim. Sempre digo que quem se recusa em adotar, pelo menos colabore com a criação de alguma criança que não tem referência familiar. Visite as creches, ajude, mantenha algum tipo de participação. Absurdo é se manter omisso diante de um quadro de abandono tão grande?, ressalta. Atualmente existem 19 crianças liberadas para adoção, na Creche Adoção, situado no bairro do Farol. Foi de lá que Renata, 27 anos de idade, tirou suas três crianças. ?Converso bastante com todos eles. Digo que cada um veio de uma mãe diferente, mas em casa somos todos uma só família. Existe amor para todos da mesma forma e intensidade. Eles sentem o carinho no dia-a-dia, mas o relacionamento é satisfatório. Os filhos adotivos ainda expressam sentimento de insegurança. Quando eles ficam algumas horas longe de mim perguntam se eu vou voltar. É uma reação natural de insegurança, afinal, eles foram abandonados um dia. É preciso trabalhar isso neles e ir suprindo a carência que trazem. É um desafio, mas tudo na vida é assim. Os próprios filhos biológicos, quem garante o retorno que darão? Filho é sempre uma caixa de surpresas. Compete a gente criar com amor, educar, dar as condições materiais e afetivas para um bom desenvolvimento. Mas considero que a dose de amor é o que tem maior peso na formação da personalidade?, conclui Renata. Ela mesma tem irmã adotiva e os tios também têm em casa filhos adotivos. ?Cresci vendo casos de adoção na família. Pra mim é uma coisa natural, mas percebo a aversão que muita gente tem pela atitude. Tem muita criança esperando e dependendo de um gesto de amor para resgatar sua auto-estima, se sentir amada, crescer feliz?, enfatiza Renata, feliz com seus cinco filhos. /// ?Esta responsabilidade social necessita ser amadurecida? O promotor Luiz Medeiros, da Infância e Adolescência da Capital, explica que os cidadãos precisam amadurecer o senso de responsabilidade social diante da problemática do menor sem referência familiar. Implica, entre outras coisas, em ser mais receptivo à idéia da adoção. ?Infelizmente temos observado que as pessoas de maior poder aquisitivo resistem ao gesto de adotar uma criança. Quem o faz são pessoas mais simples, que têm renda fixa, vão criar o filho adotivo não porque vivem folgados. É muito mais pelo desejo de criar; é pelo amor mesmo?. Ele disse que por ano são realizadas cerca de 400 adoções, uma quantidade bem abaixo da demanda de crianças disponibilizadas para adoção. Atualmente existem 150 crianças sem referência familiar catalogadas pela Promotoria. A lista de pessoas inscritas e habilitadas para adotar é de 20, mas nenhuma mostrou interesse nas crianças disponíveis. ?Essa lista é muito oscilante. Existe uma rotatividade grande porque algumas são escolhidas para adoção, mas chegam outras imediatamente, até em número maior?. Os interessados em adotar devem oficializar o desejo perante o Juizado da Infância e Adolescência, que funciona na Rua Hélio Pradines, 600, Ponta Verde, das 8 às 12 horas. Quando alguém expressa o interesse, passa por uma avaliação psico-social e, sendo aprovado, recebe laudo de habilitação. ?Não existe dificuldade. A equipe de serviço social verifica se a pessoa tem condições de se responsabilizar pela criança, suprindo suas necessidades materiais e afetivas e a adoção é realizada tão logo a pessoa apresente a criança. Não se paga absolutamente nada. Durante um ano os pais adotivos enviam relatório trimestral falando sobre o relacionamento e adaptação da criança na nova família. Há um acompanhamento para observar se a criança está sendo bem tratada, checar o seu nível de satisfação e desenvolvimento?.