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Saúde

Alagos tem aumento do número de casos de leptospirose

Secretaria de Saúde registrou 124 ocorrências de janeiro a outubro deste ano; no mesmo período de 2018 foram 100 casos

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Hospital Hélvio Auto tem registrado mais internações por leptospirose este ano
Hospital Hélvio Auto tem registrado mais internações por leptospirose este ano -

De janeiro a outubro do ano passado foram cem registros confirmados de leptospirose em Alagoas e, no mesmo período de 2019, já são 124 ocorrências, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O Hospital Hélvio Auto é importante termômetro que constata o avanço dos casos da doença, já que a unidade é referência no atendimento e passou a receber aumento da demanda de internações. Rafael da Silva Bonfim tem 34 anos e enfrenta uma batalha contra a leptospirose. Descobriu a doença há cerca de quinze dias, está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular, onde faz hemodiálise porque ficou com os rins paralisados. “Ele começou a fazer hemodiálise dois dias dele ter sido internado. Ele começou a se queixar de uma dor muito forte no estômago, aí depois começaram os vômitos. Levei ele para o hospital e a primeira vez ele foi diagnosticado com infecção intestinal. Foi medicado e voltou para casa, mas ele piorou, teve febre e sangramento pelo nariz”, recorda Kelly Cristina da Silva, irmã de Rafael que é casado e tem dois filhos. Como Rafael não melhorava, a família levou novamente ao hospital quando finalmente foi feito exame de sangue e recebeu o diagnóstico de leptospirose. “Ele já estava com os rins paralisados e a gente não sabia. As dores que ele estava sentindo eram os rins que estavam paralisados há dois dias. Foi logo para a UTI e ficou entubado sete dias. Quando foi no sábado agora diminuíram a sedação dele e agora está conseguindo respirar por conta própria. Agora estou mais tranquila porque a situação que vi meu irmão ele não falava, não escutava a gente, só de ver ele agora falando e conversando. Vejo a alegria dele”, conta Kelly. “A gente tem percebido que tem havido mais internações de casos graves de leptospirose no hospital. É uma doença que é transmitida pela urina do rato, então em locais que têm saneamento inadequado, que junta água e junta lama, que quando chove alaga tudo isso facilita situações com o aparecimento da leptospirose, tudo isso aumenta a chance da pessoa entrar em contato com a água contaminada”, afirma o infectologista Fernando Maia. “A falta de saneamento leva à proliferação dos ratos, quanto mais ratos mais chance de transmissão da leptospirose porque ele é o principal transmissor. Quando você tem condição sanitária ruim, você tem aumento de rato e da leptospirose. É uma doença que não costuma deixar sequelas, mas a forma grave tem o risco de matar”, finaliza. Segundo o Ministério da Saúde, a leptospirose é uma doença infecciosa transmitida ao homem pela urina de roedores, principalmente por ocasião das enchentes. “A doença é causada por uma bactéria chamada Leptospira, presente na urina de ratos e outros animais (bois, porcos, cavalos, cabras, ovelhas e cães também podem adoecer e, eventualmente, transmitir a leptospirose ao homem). A doença apresenta elevada incidência em determinadas áreas, alto custo hospitalar, além do risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua ocorrência está relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados”, resume o MS.

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