Cidades
Preço da carne bovina dispara e assusta consumidores e vendedores
População busca alternativas, como ovos e peixe; economistas atribuem alta ao dólar e às exportações
O aumento no preço da carne já pode ser sentido no prato e no bolso dos alagoanos. O principal motivo desse aumento vem de fora do Brasil, mais especificamente da China. Exportações para o continente asiático causam um disparo no preço levando consumidores e vendedores a se preocuparem em como farão para comprar o alimento que preenche o prato dos alagoanos.
Segundo o mestre em economia Emanoel Lucas de Barros, o aumento do preço da carne bovina está ligado diretamente às exportações internacionais nas quais o Brasil está inserido. “O aumento do preço está ligado a uma situação internacional. O Brasil, dentro da Divisão Internacional do Trabalho (DIT) fica em grande parte na exportação de commodities, e um deles é a carne bovina. Essa questão do aumento do preço está ligada a demanda da exportação, quanto maior a procura, maior o preço”, explicou.
“Essa exportação é, de certa forma, prejudicial internamente, uma vez que o salário mínimo não vai aumentar, a população brasileira tem menos acesso a esse tipo de proteína e a tendência é que migre para outros tipos, de forma a substituir a carne bovina, sendo elas, a carne suína, de aves etc”, contou Emanoel Lucas.
No que tange à normalização do preço da carne, segundo o economista, talvez a situação demore a normalizar, uma vez que está muito ligada ao valor do dólar e a produção bovina do Brasil. “O preço só volta a diminuir se houver uma queda significativa no preço do dólar, ou uma diminuição das exportações, porque a outra opção seria o aumento da criação de gado, e isso não se faz de um dia pro outro, leva tempo”, explicou o economista.
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É consenso entre aqueles que dependem da venda de carne de bovinos para sobreviver: o negócio está ficando complicado. “Nós estamos sentindo esse aumento faz alguns dias, fica difícil manter a situação desse jeito. Eu estou pagando quase 2 reais mais caro no quilo da carne, e estou vendendo praticamente pelo mesmo valor, porque os consumidores não querem pagar mais caro, e se eu não vendo o negócio desanda. Fica difícil manter um negócio onde seu lucro está sendo inexistente”, contou Evilázio Costa, dono de um açougue.
Outros vendedores falam que o movimento já diminuiu e que já estão sentindo nos bolsos a falta da clientela. "Sentimos esse aumento aqui constantemente, o movimento está muito baixo, e quando chega alguém para comprar desiste quando ouve que o preço aumentou. O assalariado não tem condições financeiras de pagar R$27 no quilo da carne, nós sabemos disso, mas temos que vender ou não temos lucro algum", contou Djanaelma da Silva, que junto ao marido são donos de um açougue.
“Normalmente no horário da tarde aqui costumava ficar cheio, as pessoas compravam, sempre têm aqueles que acham caro, mas levavam. Agora a situação complicou, porque eles não querem levar quando o preço sobe, a solução está sendo a venda de outras carnes, e aves, porque a bovina, com o aumento está difícil sair”, explicou.
CONSUMIDORES
Se para os vendedores está difícil, para quem compra a situação fica ainda mais. A solução para os consumidores está sendo optar pelo consumo de outros tipos de carnes, já que a bovina aumentou o preço a tendência é que migrem para suína, de aves, peixes etc. É assim que os alagoanos vão mantendo a situação até que normalize.
“O preço disparou, não apenas o preço das carnes, o preço de tudo mesmo, mas na carne bovina principalmente. A solução está sendo trocar por outros tipos de carnes até que o preço baixe, as vezes isso não é possível, mas tentamos. Eu tenho um pequeno restaurante em casa, então preciso de carne bovina e com esse preço complica”, explicou Eliane Nascimento.