Flash Back
Operação prende suspeitos de cometer crimes em nome do PCC
Em Alagoas foram cumpridos 66 mandados de prisão; em Arapiraca, um homem morreu após reagir à abordagem policial
Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (27), em oito estados do Brasil, inclusive em Alagoas, prendeu dezenas de suspeitos de integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que seria responsável por executar crimes bárbaros em todo o País. A maioria dos 110 mandados expedidos foi cumprida em cidades de Alagoas, um total de 66. No Estado, além das prisões, um suspeito morreu em Arapiraca após reagir à abordagem policial.
Batizada de ‘Flash Back’, a operação mobilizou, desde o início da manhã, forças policiais em Alagoas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo, Tocantins e Sergipe.
No Estado, grande parte dos 66 mandados cumpridos diz respeito a pessoas que já se encontravam no sistema prisional do estado. É o caso dos alvos em Maceió, onde 23 já estavam presos e outros 19 se encontravam em liberdade e foram detidos nesta quarta.
As outras cidades de Alagoas onde foram cumpridos mandados foram Arapiraca, com sete presos e um mandado cumprido no sistema prisional; Girau do Ponciano, onde os quatro alvos já se encontravam presos; Igreja Nova, onde uma pessoa foi presa; Japaratinga, onde dois suspeitos de integrar o PCC foram detidos; Penedo, com um preso; Rio Largo, com dois; Santana do Ipanema, com quatro, e Viçosa, com dois.
De acordo com informações repassadas durante a coletiva, apenas quatro alvos não foram encontrados. No interior do estado, além das prisões, também houve a morte de um suspeito que teria reagido à ação das forças policiais. Ele teve apenas o apelido de “Maceió” divulgado pela Segurança Pública.
O coordenador de Combate ao Crime Organizado no Ministério da Justiça, delegado federal Wagner Mesquita de Oliveira, disse que o Estado não poderia ficar inerte diante da propagação das facções criminosas. “Vamos recolher material de DNA para inserir no sistema de segurança pública afim de criar um sistema integrado e fortalecer o combate aos crimes. Também devemos encaminhar os líderes que identificamos para presídios federais”.
Washington Luiz, que está à frente da Secretaria de Justiça do Ministério da Justiça (MJ), disse que esteve em abril em Alagoas e sugeriu todo suporte para a operação de combate às facções. “Em reunião com o secretário Lima Júnior, disponibilizamos o suporte para que a operação fosse desencadeada e cumprida, desde o reforço nas equipes ao material utilizado”, pontuou.
Conforme as investigações, o núcleo do PCC teria base no Mato Grosso do Sul, de onde estariam saindo as ordens de justiçamento para todo o Brasil, sob comando de um faccionado identificado como ‘Maré alta’. Segundo as investigações, ‘Maré Alta’ compõe a atual liderança da facção, que substitui o fundador e líder, Marcos Willians Camacho, conhecido como “Marcola”, que, atualmente, está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Este grupo ligado à facção seria o responsável por execuções sumárias de rivais ou inocentes, sequestros, tráfico de drogas e assaltos. Uma das características do PCC é a frieza com a qual determinam a forma de execução das suas vítimas, incluindo jovens inocentes e membros da própria facção, tidos como desobedientes, quase sempre narrando para elas como será o passo a passo da morte. Durante as execuções, os criminosos costumam fazer contato com o líder que deu a sentença e transmitir, por meio de vídeos, para provocar “prazer” e reforçar sua autoridade, bem como ganhar prestígio dentro da facção.