Cidades
Defici�ncia no transporte coletivo faz comunidade depredar �nibus
FÁTIMA ALMEIDA Cinco ônibus da empresa Massayó foram destruídos, ontem, pelos moradores do Conjunto Village Campestre, numa manifestação de protesto contra a precariedade do serviço de transporte coletivo no bairro. Os manifestantes, inclusive muitas crianças, esvaziaram os pneus e estilhaçaram com pedras, tijolos e pedaços de pau, os vidros dos pára-brisas, portas e janelas dos ônibus, e ameaçavam atear fogo, caso representantes da empresa e da SMTT não chegassem para negociar as reivindicações da comunidade. O Corpo de Bombeiros e guarnições da Polícia Militar chegaram ao local, mas ficaram à margem, sem intervir. ?Estamos aqui para garantir a integridade física do cidadão e não para intervir na manifestação?, disse um policial. A manifestação começou por volta das 7 horas, e segundo o presidente da Associação dos Moradores do Village, Fernando José dos Santos, tanto a empresa quanto a SMTT tinham conhecimento de que ela iria acontecer. Ele disse que o fiscal da Massayó foi orientado pelos manifestantes a manter os veículos estacionados na entrada do Conjunto, até que aparecessem emissários da SMTT e da empresa. Eles não apareceram e a revolta popular resultou no quebra-quebra. ?Estamos há anos reclamando do corredor de transportes, da quantidade insuficiente de ônibus, da falta de linhas para outros bairros como Ponta Verde e Trapiche, da falta de um terminal, e até da discriminação, porque somos uma comunidade grande, com mais de 35 mil habitantes, e temos só cinco ônibus a nosso serviço, enquanto outras comunidades bem menores, como o Graciliano Ramos, tem 59?, diz Fernando. Segundo moradores, para chegar ao local de trabalho, no Centro, às vezes gastam até duas horas. Cerca de 40 a 50 minutos ficam no ponto, esperando o ônibus, e o resto do tempo dividido entre o esburacado corredor do bairro e o percurso. Para chegar a outros bairros, que não seja o Centro, o usuário tem que pegar um integração até o terminal do Graciliano Ramos (existem dois ônibus que fazem o transporte gratuito para o bairro vizinho), e de lá pegar outro ônibus. O gerente de operações da Massayó, José Antônio Soares, lamentou o prejuízo que, segundo ele, não é coberto pela seguradora, e reclamou da dificuldade de acesso ao bairro, em função dos buracos. Mas assegurou que, ?mesmo com muito sacrifício o serviço é mantido e dentro dos horários determinados pela SMTT, a cada 25 minutos?. Por sua vez, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito, através de seu superintendente José Lessa, justificou que a quantidade de ônibus para atender o bairro é determinada por estudos de demanda. Ele reconhece o problema do acesso, embora diga que isso não é atribuição da SMTT, mas informa que a Prefeitura vem estudando meios de viabilizar recursos para resolver o problema.