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Cidades Preço do pão deve ser reajustado em breve por causa do aumento do dólar, já que a maior parte do trigo é importada

Alta do dólar deve provocar reajuste do preço do pão

Brasil importa mais da metade do trigo que consome; panificadores dizem que repasse será gradual

Preço do pão deve ser reajustado em breve por causa do aumento do dólar, já que a maior parte do trigo é importada

Mais cedo ou mais tarde, a alta do dólar – que chegou a quase 6% em novembro – deve chegar à mesa do brasileiro. O aumento tem impacto direto na inflação e pode provocar o reajuste de alimentos bastante consumidos como os pães, exatamente porque o Brasil produz menos da metade da matéria-prima para a fabricação, no caso, o trigo. A previsão é de que a alta do dólar – que fechou em mais de R$ 4 – afete setores da indústria e comércio e um deles, por causa do trigo, é o de pães, bolos e biscoitos. “Evidentemente que esse aumento demora um pouco para chegar, alguns produtos sim, mas a maioria não. Por exemplo, matéria-prima que importamos de outros lugares como a própria gasolina e trigo têm encarecimento, ficam um pouco mais caros. Com o dólar alto você também acaba inibindo as viagens fora do país e o brasileiro acaba partindo para consumo interno”, explica o economista Jarpa Aramis. O economista lembra ainda do consumo de produtos tecnológicos pelos brasileiros, a maioria deles importados e que devem sofrer variação de preços também. “A grande maioria evidentemente vem de fora e com o dólar mais caro existe a dificuldade de consumir”, explica Jarpa. Para o presidente do Sindicato dos Panificadores de Alagoas, Alfredo Dacal, a produção de trigo no país apresentou evolução de qualidade nos últimos anos, mas dependência para importação dos grãos ainda é grande. “Se continuar do jeito que está ou aumentar, a tendência é ter reajuste de pão por causa da farinha, além disso a safra brasileira do trigo ficou de péssima qualidade porque choveu mais do que deveria chover, isso complica. Significa comprar mais trigo para pão. Vamos aguardar o que vai acontecer nos próximos dias”, explica Alfredo Dacal. Em nota enviada à Gazeta de Alagoas, a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) - como representante das categorias – informa que o aumento impacta no preço dos insumos da cadeia produtiva e no valor final dos produtos.

“O Brasil produz menos da metade do trigo consumido e precisa importar grandes quantidades do grão de países do Mercosul – sobretudo da Argentina –, do Canadá e dos Estados Unidos. A elevação do dólar, impacta diretamente os valores de produção. Nas massas, 70% do custo é de farinha. Nos biscoitos, o peso é de 30%, e nos pães e bolos industrializados, de 60%. Sendo assim, qualquer variação no preço do trigo tem impacto direto para os fabricantes”, informa a assessoria da Abimapi. De acordo com a associação, o aumento não têm como ser totalmente absorvido pela indústria. “De todo modo, este repasse tende a ser gradual, pois não há espaço para elevar os preços de uma só vez para o consumidor final. Além disso, as indústrias estão com estoque (de dois a três meses, dependendo de cada fabricante) de trigo e produto acabado”.

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