Cidades
Combust�vel: pre�o s� cai se for tabelado nas refinarias
FÁBIA ASSUMPÇÃO O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis em Alagoas (Sindcombustíveis), Mário Jorge Uchôa, afirmou, ontem, que se o governo federal quer realmente exercer um controle de preços dos combustíveis deveria promover um tabelamento nas refinarias, distribuidoras e postos de gasolina. Segundo Uchôa, o governo aponta os postos como vilões pela não redução dos preços da gasolina nas bombas, mas não exerce uma fiscalização efetiva sobre as distribuidoras de combustível. Ele salientou que em Alagoas foi anunciado que a redução do preço da gasolina nas refinarias chegaria a 10%. Só que nas distribuidoras a redução ficou muito abaixo desse índice, de acordo com tabela do dia 27 deste mês. Na Shell do Brasil, a redução foi de apenas 3,19%; na Texaco, 5,31%; na Esso, 4,89%; Ipiranga, 3,20%, e na BR Distribuidora 6,52%. ?A média de redução das distribuidoras ficou em torno de 4,63%, com essa redução, o litro da gasolina que era vendida em Maceió por R$ 2,35 está hoje, em média, por R$ 2,21, uma diferença de R$ 0,14?. Mário Jorge reclama que o governo não ataca um dos principais fatores para que não haja uma redução efetiva do preço da gasolina que é a forte carga tributária sobre o produto. ?A parte de impostos hoje representa 57% do preço final do combustível?, lembra o presidente do Sindcombustíveis. ?Se o governo quer realmente baixar o preço da gasolina, porque ele não reduz o valor da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) que hoje representa R$ 0,51 sobre o preço final do produto??. Além da Cide, incide sobre o preço final dos combustíveis o ICMS (25%), PIS, Confins e a CPMF. Em Pernambuco, lembra Mário Jorge, a gasolina chegou a ser comercializada por R$ 1,82 porque as distribuidoras conseguiram uma liminar na justiça para não pagar a Cide. E agora, o governo exige que esses preços sejam mantidos lá. Tabela Segundo Mário Jorge, o valor do litro da gasolina comercializado em Maceió está abaixo até da tabela sugerida pelo próprio governo federal. ?Para Alagoas, o preço do litro da gasolina sugerido pela tabela do governo federal é de R$ 2,24?. Mário Jorge rebate as acusações de que exista um cartel dos postos de combustíveis. ?O que chamam de cartel significa apenas concorrência?, argumenta. Ele reclama também que os postos enfrentam problemas porque não podem comprar combustível em distribuidoras de bandeira diferente. ?Se um posto de bandeira da Shell quiser comprar na BR Distribuidora que vende o combustível mais barato, ele não pode?, protesta. Um levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo nos postos de Maceió, no período de 18 a 24 de maio, mostra que a média de preços da gasolina praticada na capital é de R$ 2,247. Na maioria dos postos, o litro da gasolina está sendo vendido entre R$ 2,24 a R$ 2,26, inclusive os de bandeiras da BR Distribuidora, que estabeleceu o maior índice de redução.