Cidades
Clima de viol�ncia
?Esse clima de violência acaba levando as pessoas a um nível de estresse insuportável e elas, armadas, geram mais tragédias?, afirma o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda. ?O fato de Rio, São Paulo e Espírito Santo chamarem mais a atenção é porque nesses estados fica mais clara a presença do crime organizado. Mas nos outros estados a criminalidade é igualmente intensa, fruto da violência nas relações entre as pessoas. Ninguém está se respeitando mais?, avalia Lacerda. ?Essa realidade que vemos hoje está replicando para outros estados?, concorda o delegado Marcelo Itagiba, subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Para o sociólogo Túlio Kahn, coordenador de Análise e Planejamento da Polícia de São Paulo, a criminalidade brasileira não é fruto apenas da miséria, mas do desenvolvimento desordenado que inchou a periferia dos centros urbanos mais ricos. A reboque desse processo, explica, aglutinou no entorno uma massa da população urbana que convive com a abundância e a riqueza, beneficiando-se dela, se comparado a estados menos desenvolvidos, mas que não se integraram nem têm meios de se integrar aos mercados sofisticados de produção e consumo. Esse diagnóstico, feito por Khan, que assinou o último editorial do balanço da criminalidade nas capitais realizado pela Senasp, se aplica, especialmente, a São Paulo, Distrito Federal e Porto Alegre, capitaismais violentas quando se trata de crime contra o patrimônio, o que ele chama de crimes de oportunidade. Todos os crimes ocorrem sempre em todos os lugares, mas, no caso específico do Rio de Janeiro, Khan ressalta as particularidades da cidade vitrine do Brasil: ?Seqüestro e furto estão caindo no Rio há uma década, apesar das ações espetaculares da criminalidade organizada?, afirma. O sociólogo ressalta, ainda, a diferença do crime no Rio em relação a outros estados, que se concentra em duas naturezas: a do tráfico e a da geografia. ?Trata-se de um Estado totalmente urbano, não tem zona rural e o tráfico é um crime multiplicador?.