Cidades
Macei� � 2� no ranking nacional de viol�ncia
Uma pesquisa nacional revela que Maceió é a segunda cidade mais violenta do País na modalidade roubo seguido de morte. A capital alagoana divide esse ranking macabro com o Distrito Federal e só perde para Porto Velho, que lidera esse tipo de violência. O Brasil vive uma síndrome chamada violência. ?A doença é grave e se converteu numa epidemia que se expande sem freios?, afirma o secretário Nacional de Segurança Pública (Senasp), Luiz Eduardo Soares, para quem a criminalidade sem fronteiras se converteu no maior desafio do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Estudos produzidos pela secretaria e divulgados pela revista Istoé ajudam a medir a febre do paciente. Vitória, Cuiabá, Porto Velho, São Paulo e Aracaju lideram o ranking de homicídios dolosos de 2002, segundo taxa por 100 mil habitantes. Os dados ainda são precários num país onde 75% dos roubos não são registrados, 8% dos furtos não são notificados e apenas 14% das vítimas de agressões sexuais procuram as autoridades para registrar queixa. Muitas pessoas dizem que não denunciam por medo, por não confiar ou não acreditar na polícia. Mas o que se vê ? ainda que a ponta de um iceberg de ocorrências policiais ? é uma violência crescente em quase todo o território nacional. Exemplos não faltam: na madrugada da última quinta-feira, o traficante Cláudio Roberto Pacheco, o Sussuquinha, ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) paulista, fugiu do Batalhão de Choque da Polícia Militar no Rio de Janeiro. Pela porta da frente. Na véspera, no Recife (PE), Eduardo Barbosa de Oliveira foi flagrado com 186 papelotes de maconha e levado para uma delegacia. Detalhe: Eduardo está preso no Presídio Aníbal Bruno. Na Baixada do Pará, em Macapá (AP), a Polícia Civil comemorou a prisão de uma ?quadrilha? de traficantes: Mariane Pereira de Lima, 25, grávida de oito meses, Keila Ferreira Neves, 19, e uma menor de 16. Elas embalavam 78 papelotes de cocaína. Em Vila Marina, São Carlos (SP), mãe e um filho de 15 anos foram presos com crack e pasta de cocaína. Quase ao mesmo tempo, Simão Sales de Melo, 21, e Charles Sousa Lustaral, 20, moradores de um conjunto habitacional em Rio Branco (AC), foram baleados com tiros de escopeta quando voltavam de uma festa. São José dos Pinhais (PR), que já foi uma cidade pacata, termina o mês com uma onda de violência recorde: 13 mortes violentas. São Bernardo do Campo, no ABC paulista, registrou aumento de 71% nos homicídios: 24 casos só este ano. Em Ji-Paraná (RO), que enfrenta uma série de homicídios, uma ocorrência chocou até a polícia: um bebê recém-nascido foi abandonado em cima de uma mesa de sinuca de um bar. Foi levado para um abrigo municipal. Tão grave quanto o crime organizado, que cerca territórios, corrompe e constrói milícias de meninos, é o crime desorganizado do dia-a-dia das grandes cidades. Nada menos que 95% dos homicídios registrados no País são de natureza interpessoal, em que o agressor conhece a vítima, e cometidos pelo chamado ?cidadão comum? armado. Por outro lado, só 8% deles são solucionados. Menos de 50% dos locais desses crimes não são sequer periciados. ?Boa parte desses homicídios é o primeiro e único crime do sujeito. Ele mata para roubar porque brigou no trânsito, por ciúme da mulher?, diagnostica o coronel da reserva da PM paulista José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública. (Informações publicadas na Revista IstoÉ desta semana)