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Toror� do Roj�o acusa a Prefeitura de discrimin�-lo

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ARNALDO FERREIRA Manoel Apolinário da Silva, 65 anos, completa 35 anos dedicados à música popular e típica do Nordeste. ?Tororó do Rojão?, como é conhecido, vive à beira da miséria. Apesar do prestígio e do carinho que goza do público nordestino, particularmente do alagoano, em meio ao período que deveria faturar por causa dos festejos juninos, Tororó passa por tantas dificuldades que afirma: ?Preencho todos os requisitos para entrar no programa Fome Zero?. Ele acusa a Prefeitura de Maceió de não apoiar as festas juninas e desvalorizar os artistas populares. Ele aprendeu a viver da música regional, do forró pé-de-serra, com outro nordestino, Luiz Gonzaga - o Rei do Baião -, com quem trabalhou como motorista. Tororó é um artista do tipo Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva. Suas músicas levam alegria para as camadas mais simples e o pessoal do Interior. Mesmo assim, não esconde a tristeza com a falta de apoio cultural do governo e das prefeituras. Porém, sua maior crítica é contra a Prefeitura de Maceió: ?A Prefeitura contrata artistas de fora por dez, vinte, trinta mil reais para animar as festas, o São João da cidade, e despreza os artistas da terra?. Segundo o cantor, o desprezo começa com o cachê de mil reais para um trio de forró de quatro pessoas e ainda levam até dois meses para pagar. Depois do período que passou com Luiz Gonzaga, passou a compor o grupo de ?Gonzagão?, tocando triângulo. De lá para cá gravou um compacto, dois discos de vinil e um CD: ?O povo não quis acreditar?. O CD teve apoio do poder público, depois de muita pressão. ?Fico triste com a política cultural de Maceió porque sou um artista que mora aqui, paga IPTU daqui e não sou valorizado na minha terra?, desabafou este alagoano do município de Matriz do Camaragibe. ?Os políticos só nos conhecem para nos usar nas épocas eleitorais. Depois que se elegem são umas lástimas?. Enquanto a Prefeitura paga grandes cachês a artistas de fora, Tororó disse que no São João passado ganhou cachê de R$ 250,00. ?Este ano, não deve ser diferente, pois, para nós, a Prefeitura não tem dinheiro?. Tororó hoje tem uma casa, onde mora, no bairro do Poço, porque ganhou num bingo. Não tem carro porque não teria como mantê-lo. ?Minha renda mensal como artista na minha terra é de quinhentos reais, que gasto pagando água, luz, gás e com alimentação de três pessoas da família?. Ressaltou, ainda, que outros artistas de seu quilate cultural, como os companheiros Edgar, Vavá dos ?Oito Baixos?, Chau do Pife e os mestres que mantêm as tradições folclóricas e a cultura popular viva, apesar de pagar em dia seu IPTU, são esquecidos pelo poder público e não têm incentivos?. O artista declarou, também, que a Prefeitura tem ?uma panelinha de músicos, alguns trabalhando até no gabinete da própria prefeita?, que tem direito a apoio para gravar CDs e à participação em shows com cachês do nível dos artistas de fora. ?A falta de apoio é para os artistas populares?, destacou Tororó do Rojão. Políticos Independentemente dos partidos, a classe política de Maceió demonstrou solidariedade com a situação dos artistas populares. Demonstrou conhecer a discriminação. Alguns reforçaram as críticas ao lembrar que a Prefeitura prefere investir no carnaval fora de época do que nos festejos juninos. O vereador Thomaz Beltrão (PT), além de se solidarizar com os artistas que ganham cachês irrisórios, observou que é o poder público responsável pela potencialização do artista local, do artista popular, dos nossos tradicionais forrozeiros e mestres. Até o líder da prefeita Kátia Born (PSB) na Câmara, vereador Pedro Alves (PSB), reconheceu a necessidade de o Executivo municipal desenvolver uma política permanente de valorização do artista local. ?Esta política é quem vai propiciar a identidade de alagoanidade, sobretudo na juventude?. Observou que, além de artistas alagoanos consagrados como Eliezer Seton, Maclem e Júnior Almeida, existem outros que têm seu público, como Tororó do Rojão, Chau do Pife, Mestre Benon e tantos outros. ?Não se admite que haja uma coisa pontual para apoiar nossas atividades culturais. Tem de haver um calendário permanente de eventos para os artistas locais?. Pedro Alves prometeu, inclusive, formalizar uma proposta com esta finalidade à Prefeitura. O vereador Jorge VI (PSDB), que é do grupo da prefeita, esqueceu a aliança política e aproveitou para reconhecer o drama dos artistas populares. ?Temos de dar os parabéns aos nossos artistas populares, pois sobrevivem num Estado com tantos problemas financeiros, violência e drogas?. O vereador, que é conhecido como o ?festeiro da grande Bebedouro?, disse que na sua área valoriza e paga um cachê razoável para os músicos que animam sua região. ?Este ano, estamos realizando a décima primeira edição do São João do Sextão, com forró pé-de-serra, grupos folclóricos, bandas de pífano?. Ele se gaba em dizer que sua luta é para não deixar a tradição junina morrer. Outro governista, vereador Galba Novaes Filho (PTB), diz que há muito tempo luta pelo artista alagoano. É dele a lei municipal que obriga os organizadores do Maceió Fest e o Poder Público a incluir na programação do carnaval fora de época 50% da participação de artistas alagoanos. Já o vereador José Márcio (PTB) lembrou: ?Os turistas que vêm para Maceió querem conhecer as atrações, os artistas locais. Ninguém vem para ver artistas de fora?. Apesar de a Fundação de Criação Cultural fazer parte do organograma da Prefeitura, a organização de shows culturais e dos festejos populares é da responsabilidade da Secretaria Municipal de Promoção ao Turismo (Seturma). A secretária Perolina Lyra garantiu que os trios de forró terão oportunidade, neste São João. ?Faremos um pacotão para garantir trabalho aos trios?. Ela nega discriminação com artistas locais. A Prefeitura terá atrações de fora, como Flávio José, Jorge de Altinho e outros, no Jaraguá. Quanto ao cachê, Perolina não revela muitos detalhes. Diz que no caso do artista local não há um cachê mínimo. ?O que existe é um cachê negociado?. Mas, segundo os artistas populares, este cachê não passa de mil reais.

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