Cidades
Macei� tem alto �ndice de mortalidade materna
FÁTIMA VASCONCELLOS Apesar dos avanços da obstetrícia, o índice de mortalidade materna em Maceió, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), está acima da média tolerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 20 por cada mil partos. ?Os dados locais mostram que no ano passado foram registrados 42,66, contra 46,70 e 58,77 do dois anos anteriores. Houve redução, mas o número ainda é alto?, diz a médica Fátima Santiago. Ela explica que só é admissível haver óbito materno quando decorre da existência de doenças de causas inevitáveis, ligadas a patologias preexistentes. Mesmo assim, com um pré-natal bem feito é possível reduzir a morte a um índice mínimo. ?É imprescindível que as equipes do Programa de Saúde da Família descubra cada gestante e faça com que ela tenha atendimento adequado durante os nove meses e até seis meses após o parto. Cada comunidade deve ter no posto de saúde mais próximo um ginecologista que acompanhe a gestação?, enfatiza Fátima, também integrante da Comissão de Saúde da Mulher na Câmara de Vereadores. Em nível nacional, o Brasil ocupa o segundo lugar na América Latina em mortalidade materna, com 114 óbitos por cada mil gestantes em trabalho de parto, como explica a médica, baseada nas estatísticas da OMS. Em Alagoas, por sua vez, de 2000 a 2002, o índice foi respectivamente de 34, 18 e 23, conforme estatísticas da Secretaria Executiva da Saúde. ?Entre as razões que levam ao problema constam principalmente a falta de conhecimento sobre a importância do pré-natal, o acesso à assistência especializada durante a gestação e as limitações das condições de atendimento nas maternidades públicas, começando pela superlotação?, reconheceu a parlamentar, ao abordar o assunto na Câmara, no Dia Nacional de Combate à Mortalidade Materna, 28 de Maio. Escolaridade De acordo com a médica, as estatísticas mostram que quanto maior a escolaridade, melhor a condição social, o nível de conscientização acerca do acompanhamento médico completo no pré-natal e, conseqüentemente, menor problema durante o parto, tanto com a mãe quanto com a criança. ?A subnotificação é grande, portanto, se as estatísticas oficiais causam preocupação, mais preocupante ainda é saber que muitas mortes ocorrem na periferia sem sequer ter a causa registrada. ?Dados da Unicef, referentes a 1996, relatam a morte anual de 585 mil mulheres no mundo em decorrência de complicações de gravidez, parto e puerpério. A maioria acontece nos países em desenvolvimento, onde a mulher padece até da falta de condução para chegar até a maternidade?. A parlamentar alerta que, do ponto de vista social, a morte da mãe acarreta desagregação familiar, gerando muitas vezes seqüelas trágicas não só para os membros da família, mas para a sociedade como um todo. Os filhos órfãos são distribuídos entre os parentes, geralmente o pai vai embora, deixando uma dor que se soma à principal e superlativa o problema. O índice de evasão escolar entre crianças cujas mães foram a óbito no parto é enorme, segundo dados da OMS. A médica explica que entre as complicações maternas que afetam a criança constam anemia crônica e hemorragia, hipertensão, gerando na criança baixo peso, asfixia e aumento de chance de morte fetal; mãe com infecção na gravidez e DST pode apresentar parto prematuro, infecção ocular, cegueira, pneumonia, sífilis congênita e morte fetal. Já a falta de higiene no parto leva ao tétano neonatal, septcemia e a mãe com hepatite terá filho com a mesma doença. ?Só o pré-natal evita tudo isso?, diz a obstetra, acrescentando existir, ainda, os casos de gravidez de alto risco. ?É imperativo intensificar as ações de atenção a saúde da mulher, fazendo incluir no Programa Saúde da Família e no trabalho dos Agentes Comunitários um reforço nessa área, como um meio de reduzir ainda mais a mortalidade materna. O interessante não é estacionar a estatística desses óbitos, e sim ir além, promovendo qualidade na assistência à classe feminina, principalmente para a gestante?, comenta a profissional, citando que, de acordo com a OMS, as infecções respondem por 15% das mortes; 13% ocorrem por complicações de aborto; 12% devido à hipertensão; 8% devido À demora no trabalho de parto e 20% são de causas preexistentes das quais 80% são evitáveis quando há assistência adequada.