Cidades
Camel�s: queda nas vendas chega a 50%
FERNANDA MEDEIROS Os ambulantes do centro de Maceió reclamam uma queda nas vendas que varia de 30% a 50% nos primeiros quatro meses do ano, em relação a 2002. Eles lamentam o desaparecimento dos clientes e também o acréscimo nos preços das mercadorias que compram para revender. ?Os produtos também tiveram um aumento considerável no custo e, em conseqüência disso, tivemos que aumentar o preço ao consumidor. Por isso, as vendas caíram?, lamentou Maria do Carmo Cirilo, dona de uma barraca que comercializa confecções infantis, peças íntimas e meias, na Avenida Moreira Lima. De acordo com ela, há oito anos comercializa no mesmo ponto e nunca viu um movimento tão fraco. ?Quando a gente pensa que em um mês o movimento é o mais fraco, no mês seguinte o movimento volta a cair e observamos que a queda foi pior que a do mês anterior?, observa. Em sua barraca, as vendas caíram cerca de 30% a 40%, segundo afirma, mas há outros vendedores ambulantes que amargam uma queda maior. É o caso, por exemplo, da comerciante Gilvanete dos Santos, que comercializa CD?s, também na Avenida Moreira Lima. ?Antes eu vendia miudezas, agora passei a vender CD?s, mas o movimento continua fraco. A gente tenta mudar o tipo de produto e, mesmo assim, não resolve. O povo está sem dinheiro e está com medo de comprar?, disse. Atualmente, existem 20 mil camelôs cadastrados na Prefeitura de Maceió, pela Superintendência Municipal de Convívio e Controle Urbano (SMCCU), através da Associação e do Sindicato dos Camelôs, a quem os vendedores pagam uma taxa de R$ 5 para cada entidade. Mas, Maria do Carmo e Gilvanete, por exemplo, se sentem prejudicadas pelo fato de a SMCCU querer padronizar as barracas, impondo algumas normas que segundo elas, são ?severas?. A operação da SMCCU foi montada em parceria com a Polícia Militar de Alagoas, e retirou , no início da semana, cerca de 30 vendedores ambulantes não-cadastrados, dos calçadões do comércio. Faz parte do projeto de revitalização do centro de Maceió, inclusive, com a padronização das barracas, para deixar o local mais atrativo aos consumidores, tanto do Estado como os turistas. Luiz Veríssimo da Silva há mais de 17 anos comercializa com sua barraca na esquina da Moreira Lima com a Rua Joaquim Távora. Ele também, está insatisfeito com o fraco movimento de clientes e com as medidas adotadas pela Prefeitura de Maceió. ?O movimento já não é bom e ainda querem nos tirar daqui. Agora, eu pergunto: vão nos levar para onde??, questiona. ?Não temos emprego, vivemos disso aqui, trabalhamos honestamente. Por que não nos deixam em paz??, reforça, acrescentando que em sua barraca, onde comercializa confecções e roupas íntimas, as vendas também tiveram uma queda de 40% até 50%. ?Eles (prefeitura) dizem que a gente atrapalha o movimento dos lojistas, mas, nesse tempo todo que eu trabalho por aqui, nunca nenhum lojista reclamou. Ao contrário, quando inventaram de nos tirar daqui, há alguns anos e nos levaram para o camelódromo na Praça da Cadeia, o movimento no calçadão caiu, e muito. Até mesmo, os lojistas reconheceram isso, pois, com os camelôs no centro, o povo circula em maior número pelo calçadão e pelas ruas do comércio, e até entra nas lojas para comprar?, opinou. ?Esperamos que a associação e o sindicato façam algo por nós?, concluiu.