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Crise anunciava fim das atividades na tecelagem

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FÁTIMA ALMEIDA O fechamento da Fábrica Vera Cruz já vinha sendo cogitado desde dezembro do ano passado, quando aconteceu a primeira demissão em massa. Mas, os funcionários sempre alimentavam a esperança de que a crise fosse superada. ?Foi uma surpresa desagradável para todo mundo?, diz José Francisco dos Santos. Ele começou a trabalhar na tecelagem aos 16 anos de idade. Há três anos, acreditando na estabilidade do emprego, casou e constituiu uma família. Hoje, aos 33 anos, está pronto para procurar outro emprego, mas, nem sabe por onde começar. ?Sempre fiz isso a minha vida toda?, observa. Essa preocupação é a mesma do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de São Miguel dos Campos: a falta de qualificação dos trabalhadores para outras atividades. O presidente do sindicato, Modesto Gonçalves, faz parte da empresa há 33 anos e lamenta o fechamento com lágrimas nos olhos. Ele diz, que ainda não tem nem coragem de ir lá e ver tudo parado. ?Nós sabíamos que havia dificuldades. Desde dezembro, vem muita gente sendo demitida. Mas, eu achava que o fechamento não iria acontecer nunca. Estou ainda chocado e muito preocupado com o destino de todos esses trabalhadores que passaram a vida trabalhando em tecelagem, e que não sabem fazer outra coisa. Alguns, estavam bem perto de se aposentar. Agora, vão para onde??, indaga ele. Modesto diz que vai procurar a Secretaria do Trabalho ou outros setores do Estado na esperança de encontrar apoio para algum programa de requalificação desses trabalhadores, para que eles possam ser recolocados no mercado de trabalho. Além do emprego, os operários sabem que a qualquer momento podem perder também a casa onde moram, na Vila Operária, patrimônio da fábrica. No momento, eles não estão sendo pressionados a deixar a moradia, mas, muitos já têm consciência de que, com a fábrica fechada, mais cedo ou mais tarde terão que arrumar outro lugar para morar.

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