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Alta do d�lar fecha f�brica em S�o Miguel

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FÁTIMA ALMEIDA A alta do dólar fez mais uma vítima em Alagoas. Ou melhor, fez várias vítimas. Cerca de 250 operários que há anos sustentavam suas famílias com o salário que recebiam como tecelões no Contonifício João Nogueira (Fábrica Vera Cruz), em São Miguel dos Campos, acabam de perder o emprego. Depois de 68 anos de funcionamento, é mais uma empresa que fecha as portas no Estado. NA semana passada, a GAZETA mostrou a crise enfrentada pelas empresas alagoanas, citando o exemplo da Fábrica da Pedra, em Delmiro Gouveia, ameaçada de fechamento por falta de incentivos fiscais do Estado.. Na entrada do enorme casarão da empresa, em São Miguel dos Campos, marcas no chão lembram os tempos de grande movimento, quando imensas filas se formavam em dias de pagamento. Nas paredes, os vários quadros que guardavam os cartões de ponto agora estão praticamente vazios. Restaram apenas cinco funcionários: o gerente, dois vigias e dois encarregados do setor de pessoal, fechando as contas dos ex-colegas de trabalho. No interior do prédio, inúmeras máquinas cobertas; máquinas que não trabalham sem gente; que não mais produzem tecido e nem geram mais empregos. A fábrica foi fundada em 1925, por comerciantes do município, e desde 1946 estava com a família Nogueira. No auge de sua capacidade, chegou a produzir 40 mil metros de tecido ao dia e a empregar 550 trabalhadores. Nos últimos cinco anos, entretanto, com o maquinário já obsoleto, a crise que já incomodava começou a acentuar. Apoio O proprietário João Nogueira Júnior faz questão de frisar que nos últimos quatro anos a empresa recebeu todo o apoio possível do governo do Estado, sendo beneficiada com incentivos por meio do Programa de Desenvolvimento Integrado, mas aí veio a alta do dólar e, com ela, o aumento da matéria-prima como tiro de misericórdia. A empresa não suportou. ?Há um ano comprávamos a arroba de algodão a R$ 39. Mas, com o aumento do dólar, os fornecedores passaram a produzir para exportação e a arroba, no mercado interno, passou a ser vendida a R$ 59. Esse custo não dá para ser repassado para o produto final ? observa João Nogueira, explicando, ainda, que a pouca rentabilidade da indústria têxtil suporta endividamento para a modernização e, sem modernizar, perde-se também a competitividade. ?Fechamos no limite, mas a tempo de conseguir arcar com as indenizações de todos os trabalhadores?, destaca o empresário. Ele afirmou que o maquinário e o prédio serão colocados à venda.

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