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Nº 5718
Cidades

Do outro lado do rio a vida prospera

Laudicéia, 8, e Maria, 6, ganham a vida colocando terra nos buracos da rodovia que liga São José da Tapera a Xingó, na margem alagoana. Izaías Júnior, 6, estuda, brinca e festeja a vitória do pai, Izaías Pereira de Jesus, que comprou motocicleta, cavalo,

Por | Edição do dia 17/03/2002 - Matéria atualizada em 17/03/2002 às 00h00

Laudicéia, 8, e Maria, 6, ganham a vida colocando terra nos buracos da rodovia que liga São José da Tapera a Xingó, na margem alagoana. Izaías Júnior, 6, estuda, brinca e festeja a vitória do pai, Izaías Pereira de Jesus, que comprou motocicleta, cavalo, televisão, geladeira e duas vacas de raça. O que faz a diferença entre os três não é a terra, mas o Estado – do lado de Sergipe, onde mora Izaías, os projetos públicos de irrigação deram condições aos agricultores de sobreviverem no semi-árido. Em relação a Sergipe, o semi-árido alagoano está atrasado vinte anos. No começo da década de 1980, quando se discutia o projeto Xingó, o então governador sergipano, João Alves, conseguiu aprovar o Projeto Califórnia, irrigando terras do semi-árido na margem direita do São Francisco. O governo de Alagoas (na época, Suruagy) preferiu pedir financiamento para construir a rodovia Delmiro Gouveia-Piranhas. O choque A terra é a mesma, o rio é o mesmo e as condições idênticas, daí o choque com o contraste é inevitável. Basta atravessar a ponte sobre o São Francisco, em Xingó, para se ter a idéia do atraso – Alagoas é o único Estado banhado pelo São Francisco que não dispõe de projetos públicos de irrigação no semi-árido. E não há perspectivas de implantação, porque o recurso disponível no orçamento para o projeto do Canal do Sertão é ínfimo – apenas 11 milhões de reais, quando seriam necessários no mínimo 40 milhões de reais. Para garantir a produção no semi-árido, através da irrigação, o governo sergipano subsidia os projetos. Os agricultores pagam a conta de energia elétrica quadrimestralmente, no valor fixo de 233 reais por lote. “A irrigação é cara. Não é fácil manter projetos de irrigação no semi-árido, mas é possível, com esforço e compromisso do governo”, ensinou o engenheiro Hamilton Sant’Anna. Os pais de Laudicéia e Maria são agricultores sazonais – trabalham quando há chuva. Apesar de este ano ter chovido muito no sertão, eles não têm como plantar porque não dispõem de sementes e o governo, há dez anos, não faz a distribuição gratuita. As duas filhas freqüentam a escola, mas só pela bolsa de 15 reais; não aprenderam a ler e passam a manhã à beira da rodovia, onde conseguem faturar 2 reais por dia. O dinheiro é entregue à mãe para as despesas de casa.

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