Cidades
Trabalho: 53% em Alagoas n�o t�m carteira assinada
BLEINE OLIVEIRA Os mais recentes indicadores sociais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que dos 1.145.039 alagoanos que o Instituto considera empregado ou ocupados, 47,3% têm carteira de trabalho assinada, 18,4% são empregados domésticos, 5,9% pagam à previdência por conta própria e 44,5% são empregadores que contribuem. Do total de alagoanos empregados, 44,3% exercem atividades no setor agrícola, 5,7% na indústria e 4,2% na construção civil. Os trabalhadores de Alagoas se distribuem ainda da seguinte forma, pelos demais ramos de atividades: 11,8% da população ativa está no Comércio, 14%, na prestação de serviços, 13,6% na administração pública e 5,6% em outros serviços. Alguns desses dados, relativos ao ano de 2001, são diferentes da realidade alagoana mostrada pelo próprio IBGE em 1999. Naquele ano, o Instituto mostrou, por exemplo, que do total de trabalhadores domésticos apenas 9,9% tinham carteira de trabalho assinada, contra 90,1% que atuavam sem o registro exigido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Em 2001, o percentual de empregadores que assinou a carteira do trabalhador doméstico chegou a 18,4%. Bastante amplo, o novo documento mostra as diversas variantes da economia brasileira por região, unidades federadas e regiões metropolitanas. Os indicadores do IBGE mostram que o 1% mais rico da população detém o mesmo volume de recursos que os 50% mais pobres. Os 10% mais ricos ganham 18 vezes mais que os 40% mais pobres. Mas é no tocante a rendimento e trabalho que essa desigualdade se configura mais profunda. Mostram os técnicos do instituto que a permanência das desigualdades no mercado de trabalho ainda são um grande desafio para o desenvolvimento econômico e social brasileiro. Desigualdade racial Outro dado do IBGE sobre a desigualdade no mercado de trabalho mostra que ?pretos e pardos recebem metade do rendimento de brancos em todos os estados (sobretudo nas regiões metropolitanas de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba) e nem o aumento do nível educacional tem sido suficiente para superar a desigualdade de rendimentos. Os dados mostraram, ainda, que a desigualdade por cor era mais forte que por gênero, pois os homens pretos e pardos ganhavam, em 2001, 30% a menos que as mulheres brancas. Do total de pessoas que faziam parte do 1% mais rico da população, 88% eram de cor branca, enquanto que entre os 10% mais pobres, quase 70% se declararam de cor preta ou parda?. Para o chefe da Unidade do Instituto em Alagoas, André Luiz Azevedo, a realidade retratada deve agora ser analisada por especialistas, como sociólogos, economistas, demógrafos e outros, para indicar alternativas de políticas públicas capazes de mudar os problemas identificados. ?Nosso trabalho é retratar a realidade. A análise cabe a quem tem essa atribuição, mas está claro que muita coisa precisa ser feita?, afirma André Azevedo. Ele avalia que a configuração da concentração de renda (o IBGE mostrou que 1% dos mais ricos concentra o mesmo volume de rendimento de 50% dos mais pobres) é um dos dados mais chocantes dessa realidade brasileira. ?É um número de País de terceiro mundo. Essa desigualdade tem que ser modificada?, acrescenta o chefe do IBGE no Estado. Para André Azevedo, o que o Instituto mostrou nesse novo diagnóstico ?exige mobilização e parceria da sociedade?. Desigualdade social No tocante às questões sociais, o IBGE revela uma realidade que, de tão grave, arrasta o Brasil para o nível dos países subdesenvolvidos. Apontado como líder da América Latina, na última década o País não conseguiu superar a marca das desigualdades sociais e o resultado é que se tornou ainda maior a concentração de renda e os índices de miserabilidade.