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Empres�rios tamb�m sentem falta de limpeza e de atividade cultural

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FÁTIMA VASCONCELLOS Os empresários que investiram em Jaraguá se dizem frustrados diante da expectativa criada pelo projeto de revitalização do bairro, sem que o poder público tenha cumprido com a sua parte, a de oferecer infra-estrutura. O principal aspecto reclamado por eles é a falta de segurança, mas também há queixas quanto à limpeza e a manutenção de atividades culturais no bairro. A beleza arquitetônica do lugar foi realçada depois dos investimentos iniciais no projeto, mas todo o dinheiro utilizado parece que não conseguiu ainda gerar o retorno pretendido: alavancar o turismo, e, com ele, a economia local. No auge das obras de revitalização, muita gente investiu nos imóveis antigos do Jaraguá, realizou reformas onerosas, mas, o que no começo era o point mais movimentado, há mais de um ano amarga a ausência da clientela. As poucas pessoas que vão ali, somem assustadas com a onda de assalto. Diversos estabelecimentos fecharam suas portas e quem resiste enfrenta o prejuízo, como diz Tanagy Andrade, do Bar Casa da Sogra. ?Ninguém teve lucro, ou melhor, ninguém tirou sequer o que investiu. Não é fácil reformar esses casarões antigos. Gastamos muito. Na época acreditamos no projeto. Houve também o entusiasmo inicial com a receptividade do público. As pessoas adoraram a idéia de ficar na rua, ao ar livre, tomando chope, uísque, um drinque, enfim, no bate-papo com os amigos de forma bastante natural, sentindo a brisa, ouvindo música. Vivemos momentos em que a Sá e Albuquerque ficava lotada. O vaivém de gente fazia lembrar o tempo de festa no interior. A cena urbana nunca valorizou tanto a cultura popular, as tradições nordestinas. Os barzinhos se juntavam para contratar seus cantores. Houve época em que os grupos culturais também se apresentavam, cumprindo programação das respectivas secretarias de Cultura do município e do Estado, mas, infelizmente, não houve continuidade. A Sá e Albuquerque deixou de ser interditada, os barzinhos recolheram suas mesas da rua, o problema do estacionamento virou crônico e daí em diante o projeto de revitalização virou um paciente de UTI. Com a sua morte, morremos juntos?, desabafou Tanagy, um dos que continua com o negócio aberto ao público. Situada num dos pontos mais privilegiados do Jaraguá, em frente à Associação Comercial, o Casa da Sogra hoje é um laboratório para os estudantes do curso de Turismo e Hotelaria da Faculdade de Alagoas (FAL). Mas para não fechar, reduziu o quadro de pessoal e limitou o serviço do bar. Hoje não oferece no cardápio a mesma quantidade de petiscos nem de bebidas. ?A gente vive tentando sair do vermelho. A situação é constrangedora e dói profundamente, porque se o poder público tivesse feito a sua parte, tudo teria dado certo. O povo aprovou o projeto, participou, freqüentava o bairro. Entretanto, por falta de segurança, todo mundo sumiu. Quem vai nos compensar pelo prejuízo? O sonho virou pesadelo, mas nós pagamos caro por isso?. Mau cheiro O gerente da Motorval Náutico, Charlliton Oliveira, disse que, além da falta de segurança, outro problema é o mau cheiro resultante da sujeira do bairro. ?A partir das 17 horas ninguém suporta o odor de rato morto. O descaso com a limpeza é generalizado. Ora, se se pretende atrair turistas para essa área, jamais poderia falhar com a higiene. Também faltou prioridade no serviço de segurança. Desde o início nunca deveria ter faltado aqui policiamento e reforço dos guardas municipais. Isto por 24 horas, nas ruas e no estacionamento. Independentemente do problema que houve com o estacionamento, o povo continuou usando o espaço, por isso jamais se justifica a falta de segurança no local. Houve muito arrombamento de carro. Então, sem opção de onde deixar o veículo, as pessoas procuraram novos lugares?. Charllinton disse que sua loja foi assaltada e ele teve que investir em cerca elétrica e sistema de alarme com monitoramento 24 horas. ?É um absurdo porque pagamos impostos, mas na hora de usufruir de direitos tudo é negado?. Outro empresário que também se diz frustrado é Joaquim Fonseca, da Procar. ?Sou um dos mais antigos investidores do bairro. Tenho negócio aqui há 28 anos, mas nunca vi tanta insegurança. Toda semana tem arrombamento de carro e assalto a mão armada. Os funcionários das lojas apresentam queixa quase todos os dias. Só se vê guarda de trânsito, ao invés de policiamento ostensivo ou guarda municipal. O interesse da prefeitura é com as multas, não com a segurança do cidadão?, desabafou.

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