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Valmir Calheiros (*) Ainda na primeira metade do mês, soubemos que a maioria das vagas dos principais hotéis de São Luís, a bela capital maranhense, estava reservada por turistas por causa de suas festas juninas. Em Teresina, além de uma série de outros eventos relacionados a esta época, que sempre foi a mais festiva do nordeste brasileiro, acontece, desde sexta-feira e até o dia 29, o 27o Encontro Nacional de Folguedos. Outros estados da região também passaram a promover, nos últimos anos, não só em suas principais cidades, verdadeiros espetáculos para comemorar os santos de junho. Com isso, engordam suas economias, além de proporcionar maiores oportunidades de geração de emprego e renda. Um deles é Sergipe, cuja capital está com os hotéis lotados. Em declarações ao Jornal do Commercio, há poucos dias, um artista e produtor cultural de Caruaru, disse que, ali, no São João, só defunto não ganha dinheiro. De fato. A pernambucana Caruaru está entre as cidades que promovem as mais movimentadas e autênticas festividades por Santo Antonio, São João e São Pedro. E assim que elas acabam, mal se apaga a última fogueira e se ouvem os derradeiros sons das sanfonas, começa a discussão dos preparativos com vistas ao próximo ano. São festas que duram um mês inteiro. Segundo aquele jornal do Recife, dados oficiais dão conta de que seis mil empregos são gerados este mês na ?Capital do Forró?. Tem gente que chega a tirar mil reais líquidos apenas assando e vendendo espetinhos de carne e frango no Parque de Eventos, cuja denominação já é uma grande atração: Luiz Gonzaga. Estima-se que, só em Caruaru, a festa junina seja um negócio que, afora outros benefícios, movimenta 7 milhões de reais, aumenta as vendas no comércio em 60% e resulta em uma taxa de 100% de ocupação. Os 30 dias de eventos devem atrair 1,5 milhão de turistas para a cidade que, no resto do ano, tem pouco mais de 250 mil habitantes. Quanto aos investimentos, o mesmo jornal traz a informação do produtor Milton Santana de que foram de três milhões, sendo a metade bancada pela prefeitura. Poderíamos destacar aqui outras cidades nordestinas, como Campina Grande, Fortaleza, Salvador, que investem cada vez mais em eventos usando suas próprias tradições. Promovendo-as, principalmente, em amplos espaços abertos. Enquanto isso, temos de admitir que nossas festas, especialmente as juninas, carecem de algumas decisões que as esquentem o suficiente para atrair mais turistas, divisas e pudermos avançar mais e mais em busca de melhorias nas áreas econômica, social e cultural. Graças a Deus, somos, provavelmente, o Estado com a maior quantidade de grupos folclóricos preservados no País. Além de obras de especialistas no assunto, que estão entre os mais citados no Brasil e no mundo. Dispomos, ainda, de empresários da área turística e outras, sempre dispostos a participar da construção do nosso desenvolvimento com os órgãos públicos. E de pessoas, entre as quais folcloristas e promotores de eventos culturais, relacionados, sobretudo, ao folclore, que se sobressaem entre os mais abnegados e incentivadores. Temos também atuantes secretarias e fundações ligadas à cultura e entidades não-governamentais, como a Comissão Alagoana de Folclore, a Associação de Folguedos Populares, ambas presididas pelo professor Ranilson França, e instituições públicas, como a Ufal, por intermédio do Museu Théo Brandão, sob a direção da museóloga Carmem Lúcia Dantas. A relação é extensa. Com mais um pouco de estímulo, disposição e criatividade, esses segmentos colocarão Alagoas numa posição ainda mais destacada no plano nacional em organização e realização de verdadeiros festejos populares. Em todos os aspectos. (*) É jornalista e membro da Comissão Alagoana de Folclore

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