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“Descaracteriza��o era lamentada em 46”

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ANA MÁRCIA Sem saudosismo, por entender que a sociedade é dinâmica e sofre forte influência da mídia, o presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas, Ranilson França, lembra que em 1946, o historiador alagoano Félix Lima Júnior já lamentava a descaracterização das festas junina à época. ?Lamentamos que o progresso tenha contribuído para a descoloração da cultura nacional e do Nordeste?, comenta. Ranilson cita alguns fatores que pela própria segurança foram inibidos durante o São João: os balões coloridos e os toques das fogueiras nestas noites de festas, mas como defensor da cultura popular alagoana, se ressente da troca de ritmos ocorrida. ?Velhos valores tradicionais como Dominguinhos, Trio Nordestino, a alagoana, Clemilda, Marinês, de Palmeira do Índios, entre outros, que tiveram a influência do mestre Luiz Gonzaga, não são divulgados entre os mais jovens?, afirma. A juventude, então, passou a absorver o que é servido em massa: o tradicional forró pé-de-serra perde o espaço, sobretudo, para o forró de forma, eletrônico tipo ?Calcinha Preta e Mastruz com Leite?, que segundo Ranilson França, para ser identificado necessita ficar ?gritando? o nome da banda no meio da música. ?O São João é a festa mais nordestina de todas as festas e não podemos deixar de evidenciar os ritmos nordestinos do forró, do xote, xaxado ou baião, entre outros, que são substituídos ou adaptados com mau gosto, onde tecladistas substituem sanfonas?, ressalta. A descaracterização da quadrilha é outra realidade que veio de um movimento com maior ascendência em Caruaru. De acordo com Ranilson França, o nome passou de quadrilha para drilha e algumas têm um estilo escola de samba. ?A quadrilha fugiu as suas origens decorrentes da adaptação de antigas danças de palácios europeus, surgindo uma espécie de matutada destas danças palacianas?, diz. Hoje, ele explica que as quadrilhas desprezam o fato de ter ido à zona rural, ganham roupas caras e modistas e até enredo próprio, são as chamadas quadrilhas estilizadas, com um estilo urbanizado em coreografia, música e indumentária que mais parece roupa de gaúcho. O caminho para evitar o fim das genuínas tradições juninas é utilizar o espaço da universidade, da escola para levar este conhecimento às crianças e jovens, através da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas e das Secretarias Municipais e Estadual de Educação. ?Estamos levando caravanas juninas às escolas, com violeiros, cantadores de coco, bandas de pífano, sanfoneiros, ou seja informações sobre a cultura popular?, completa. Ele afirma que não se pode ir de encontro à mídia, mas integrar as novas manifestações culturais, sem apagar as tradições artísticas e culturais de um povo. Todas as quintas-feiras, grupos folclóricos alagoanos fazem ensaios no Museu Téo Brandão, uma atividade que deverá ser ampliada depois.

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