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Fal�sias de Jequi�

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Mais novo município de Alagoas e dotado de uma beleza singular, Jequiá da Praia, localizado a 65 km de Maceió, ainda é um mistério a ser desvendado pela maioria dos alagoanos. Com boa parte de seu território coberto por águas e um cenário em que o exótico e o natural se encontram, o município se apresenta como uma das grandes promessas para o desenvolvimento do ecoturismo no Estado e que começa a ganhar forma dentro de um projeto que está sendo elaborado pela Prefeitura Municipal em parceria com a Secretaria Estadual de Turismo. A prefeita Rosinha Jatobá, que é também empresária do setor hoteleiro, confirma para os próximos dias a instalação do primeiro receptivo turístico no município. Ela está, inclusive, organizando com o secretário de Turismo do Estado, Tito Uchoa, uma visita de empresários e jornalistas da área de turismo para conhecer as maravilhas que encantam a todos que vão a Jequiá da Praia, onde o artesanato e as festas tradicionais revelam também a riqueza cultural de seu povo. Mar, lagoa e rio se encontram em Jequiá, que possui a terceira maior lagoa do Estado. Com 17 km de extensão, a Lagoa Jequiá, apesar do assoreamento que vem sofrendo nos últimos anos, garante emprego e renda para cerca de seis mil pessoas que vivem diretamente da pesca. Mas não é só isto. A lagoa foi declarada Reserva Extrativista Federal por meio de decreto presidencial datado de 27 de setembro de 2001, com o objetivo de assegurar seu uso sustentável e a conservação dos seus recursos naturais. Além da lagoa, o Rio Jequiá, que corta a cidade com suas águas cristalinas, encanta os visitantes, que se deslumbram no cenário paradisíaco da praia da Lagoa Azeda, que abriga as famosas falésias, uma das formações rochosas mais antigas do planeta, com formas dominadas pelas encostas elevadas dos tabuleiros e que sofrem a influência das mudanças de temperatura e do avanço do mar. Encanto e história Situada a menos de uma hora de Maceió, incluindo a passagem pelo Mirante do Gunga, em Roteiro, a Praia da Lagoa Azeda tem 8 km de vastas areias douradas que, somadas à diversidade de cores e formatos das falésias, compõem o cenário de uma verdadeira obra de arte. Lagoa Azeda é um vilarejo fundado na década de 30 e habitado basicamente por pescadores que ainda hoje guardam na memória uma das mais interessantes histórias da região e que remonta à segunda guerra mundial. Em suas águas profundas, estão os restos de um navio bombardeado por um submarino nazista em 1943. Acordados pelo barulho ensurdecedor das bombas, foram os moradores do pacato vilarejo que socorreram a tripulação do navio em meio às labaredas e fumaça nas quais ele naufragou. A região de Jequiá da Praia aparece contemplada também como das mais importantes em narrativas relacionadas ao Descobrimento do Brasil, não apenas por historiadores e cronistas alagoanos, entre os quais vários mais antigos, como Thomaz do Bomfim Espíndola, Jayme de Altavila e Alfredo Brandão, de que suas terras foram as primeiras avistadas pela esquadra de Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500. O primeiro referiu-se ao fato sem maiores comentários, como observa a também historiadora Isabel Loureiro de Albuquerque em sua recente História de Alagoas, mas Altavila e Brandão, ao contrário, chegam a ser detalhistas, já defendendo a hipótese de Humbolt (alemão, e um dos mais famosos viajantes da história) e a opinião do historiador pernambucano Fernandes Gama, de que a descoberta do Brasil se fizera aos 10 graus da latitude sul e que as primeiras terras avistadas por Cabral tenham sido as do litoral de Alagoas. Como na Carta de Pero Vaz de Caminha, encaminhada ao Rei de Portugal, com as informações sobre os fatos relacionados ao Descobrimento, há referências a barreiras brancas e vermelhas e a uma lagoa grande de água doce (...), ?mas naquela região baiana (Baía Cabrália) não existe nenhuma lagoa de água doce, existindo apenas ?três pequenas lagoas salgadas, cujas comunicações com o mar só se estabelecem nas marés altas?, o historiador Altavila passou a defender o ponto de vista de que as primeiras terras avistadas pela mesma esquadra fora um dos cabeços da Serra da Naceia, localizada atualmente no município de Boca da Mata; o ancoradouro da esquadra a enseada do Rio Coruripe e que as barreiras brancas e vermelhas são as falésias de Jequiá. Alfredo Brandão só não concorda, nessa história, na parte referente ao primeiro ponto avistado, que supõe ter sido um dos cabeços da Serra Dois Irmãos, em Viçosa. Ele admite que o Porto Seguro tenha sido mesmo na Bahia. Mas reforça a versão quanto às barreiras, de que pertencem ao território de Jequiá, porque no litoral sul da Bahia não existem barreiras, ou as famosas falésias que podem ser vistas, cada vez mais belas e atraentes, na Praia de Jequiá, um verdadeiro monumento da natureza que se destaca entre as maiores atrações do litoral brasileiro. Sinônimo de aventura Passear por Lagoa Azeda, como observa a prefeita Rosinha Jatobá, é também sinônimo de aventura, porque a chamada ?Garganta da Falésia? tem atraído visitantes de vários estados brasileiros e até do exterior para escalar as falésias até o topo, de onde se tem uma visão deslumbrante de toda a praia, famosa também por abrigar o ?Maria Farinha?, um caranguejo que entra e sai tão rápido das tocas na areia que é difícil de apanhá-lo. ?O nosso município é contemplado com uma beleza natural sem comparações e tem um povo extremamente hospitaleiro?, reforça a prefeita de Jequiá da Praia, cuja administração tem sido voltada para garantir uma boa infra-estrutura para atendimento aos visitantes, desde o atendimento médico, segurança pública e fácil acesso à iluminação e transportes. Rosinha Jatobá também tem investido nos programas de assistência às famílias que sobrevivem do artesanato, incentivando o aumento da produção e de beneficiários. ?Nosso objetivo, agora, é carrear investimentos em projetos turísticos, incluindo pousadas, bares e restaurantes, que garantam o desenvolvimento do município de forma equilibrada e em harmonia com o meio ambiente?, assinala a prefeita, fazendo um convite a todos os alagoanos para ir a Jequiá da Praia e conferir o monumental patrimônio de sua beleza natural. (Raimundo Gomes e Valmir Calheiros)

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