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Dirigentes do MST anunciam novas ocupa��es

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BLEINE OLIVEIRA Dirigentes alagoanos dos movimentos sociais que lutam pela reforma agrária vão manter a política de ocupação como forma de obrigar o governo a atender suas reivindicações. Eles seguem os rumos definidos pelas coordenações nacionais, ou seja, entendem que, sem a pressão no campo, os trabalhadores sem-terra serão esquecidos e a reforma agrária não passará de tema em discursos político-eleitorais. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), por exemplo, já está organizando duas novas ações em Alagoas. Só este ano famílias ligadas à CPT fizeram duas ocupações: nas terras do Sítio Velho, em União dos Palmares, e da Fazenda Lucena, em Porto de Pedras. Ações similares serão desenvolvidas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), pelo Movimento dos Trabalhadores (MT) e pelos demais grupos que atuam no Estado. A trégua proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva esta semana, que pediu paciência ao MST, parece ter ecoado no vazio. Lula prometeu uma política de reforma agrária, e marcou para o dia 7 uma reunião com os movimentos. O MST aceitou conversar, mas seus líderes disseram com todas as letras que as invasões vão continuar. Para esses dirigentes, a decisão de continuar promovendo ocupações em todo o País não pode ser encarada como um desafio ao governo Lula, eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), de quem sempre foram aliados. ?É um governo novo, que nós apoiamos, mas as reivindicações dos trabalhadores são antigas?, argumenta o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima. Segundo ele, mais de 80 mil famílias brasileiras estão vivendo embaixo de lonas nos acampamentos instalados nos diversos por estados. Destas, ressalta o coordenador da Pastoral da Terra, 10 mil são famílias de alagoanos. É com dados como esses que ele reafirma a luta dos trabalhadores como uma necessidade para conquistar a reforma agrária. O objetivo dos movimentos que organizaram os trabalhadores brasileiros do campo é quebrar a estrutura fundiária vigente, substituindo-a por um modelo que democratize o acesso à terra. ?Para isso precisamos mais que discursos, precisamos de medidas fortes?, disse Carlos Lima. Além das ocupações, eles recusam o termo invasão, os sem-terra promovem o bloqueio de estradas e instalam acampamentos em áreas urbanas como forma de conquista. O efeito dessas ações tem gerado a crescente insatisfação da sociedade, que dá sinais de que o apoio ao movimento está se transformando em desaprovação. ?Reconhecemos que alguns casos podem ser encarados como excesso, mas essa é a trincheira que mais tem trazido resultados?, diz o dirigente da Pastoral da Terra. Como exemplo, ele diz que a CPT já teve desmarcadas três audiências com a Secretaria estadual de Educação a quem apresentaria algumas reivindicações. ?É um descaso inaceitável. As autoridades só nos ouvem quando a situação chega ao caos?, argumenta Carlos Lima. Ele revela que os movimentos estão se esforçando para evitar danos à sociedade, principalmente em se tratando do bloqueio de áreas urbanas. A estratégia de protesto agora pode ser montar acampamento em áreas urbanas. Os dirigentes sem-terra refutam as críticas que têm recebido, apontando-os como despreparados para viabilizar o desenvolvimento das famílias que conquistam um pedaço de terra. Eles entendem que essa crítica não cabe aos trabalhadores, mas sim ao governo que não estrutura os assentamentos promovendo a reforma agrária verdadeira. Sem água, sem energia, sem estradas e sem crédito, milhares de famílias desistem da meta inicial que é ter uma área para plantar e garantir seu sustento. ?O governo é responsável pela implementação de uma política agrícola capaz de assegurar a produção e o escoamento do que for produzido. Não é o que estamos vendo?, reclama o coordenador da Pastoral. Dispostos a conquistar a terra para produzir, os trabalhadores dão sinais de que não se intimidam e prosseguem na luta. O próximo mês será marcante nessa batalha. É provável que voltem a ocorrer ocupações e outros atos que marcarão a Semana do Agricultor, no período de 20 a 25 de julho. Em Alagoas, por exemplo, os sem-terra promoverão caminhadas dos acampamentos no interior até Maceió, onde realizarão manifestações públicas. ?Essa é a nossa luta?, encerra Carlos Lima. +++ Fazendeiros dizem que vão impedir invasões à força DORGIVAL JUNIOR Sucursal União dos Palmares ? Os fazendeiros da zona da mata alagoana, mais precisamente no município de Joaquim Gomes, estão começando a se articular para defender suas propriedades da ação dos movimentos sem-terra. De acordo com alguns proprietários que acompanham com preocupação a mobilização dos sem-terra, a medida tem o objetivo de coibir novas invasões, não descartando o uso da força. Eles alegam que estão sendo discutidas estratégias legais de combate à ação dos invasores. Segundo os fazendeiros, o processo de reforma agrária no Estado encontra-se fora de controle, alegando que táticas semelhantes as de guerrilha já foram praticadas na região, como a invasão do complexo industrial da Usina Peixe, quando várias máquinas e equipamentos foram destruídos por um grupo de manifestantes sem-terra, ano passado. De acordo com Demétrio Gomes Neto, vereador de Joaquim Gomes e proprietário de terras que lançou a idéia da formação de uma associação de defesa dos interesses dos fazendeiros de Alagoas, os latifundiários são favoráveis ao processo de reforma agrária efetuada de forma a não prejudicar os proprietários de terras que desejam trabalhar. ?Estamos tentando criar uma frente de resistência a estas invasões. Só está sendo defendido o lado dos sem-terra. Os direitos dos fazendeiros, como o de propriedade, não estão sendo respeitados. Vamos adotar medidas legais, com um fazendeiro ajudando o outro. O uso de algum tipo de força pode não ser descartado?, frisou ele, alegando que as instituições governamentais precisam se posicionar sobre a problemática da reforma agrária no País. Os fazendeiros alegaram que as determinações judiciais, apesar de serem expedidas em tempo hábil, demoram a ser cumpridas. Eles alegam que a retirada dos invasores das propriedades se torna um processo lento e desgastante para ambas as partes. Só na região dos municípios de São Luiz do Quitunde, Flexeiras e Joaquim Gomes, seis fazendas foram reinvadidas nas últimas semanas. No sertão alagoano, três propriedades foram invadidas, só este mês. ?Tem espaço para todo mundo. Apesar de ser uma situação complexa, pode-se encontrar uma saída para o problema da reforma agrária. Há fazendeiros que querem vender suas propriedades e o governo poderia comprá-las e não desapropriar as de quem quer trabalhar?, frisou um outro fazendeiro do município de Joaquim Gomes, que preferiu se identificar apenas pelo nome de João. A nova ordem do movimento sem-terra em nível nacional é realizar mobilizações ostensivas e próximas às cidades. A ação vem ocorrendo em todas as regiões do País onde o movimento tem frentes de atuação, como o Nordeste e o Sudeste. Dados apenas do Movimento Sem Terra (MST) nacional dão conta de que o Estado de Alagoas possui um contingente de cinco mil famílias acampadas, sendo o Estado de Pernambuco o de maior número de acampados, com estimativas em torno de 18 mil pessoas.

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