Cidades
Sem-terra fazem bloqueio na AL-101 e exigem assentamento
BLEINE OLIVEIRA Famílias de sem-terra bloquearam, ontem pela manhã, por cerca de três horas, o trecho da rodovia AL-101 Norte próximo da praia do Mirante da Sereia. Os trabalhadores exigiam a definição de uma área de assentamento para se instalarem em definitivo, pois já estão naquele acampamento há mais de quatro anos, mas a ação de bloqueio teve como objetivo prioritário obter assistência médica e cestas básicas. A intermediação da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar, que convocou representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria de Saúde de Maceió, permitiu o desbloqueio da rodovia. Mas os sem-terra só desobstruíram a pista, liberando o tráfego de veículos, depois que a Secretaria de Saúde viabilizou a internação de três crianças, com problemas de desnutrição e assegurou que, amanhã, envia ao acampamento uma equipe do Programa de Saúde da Família (PSF). Sobre a definição de uma área para assentamento das famílias que há anos vivem em barracos de lona na AL-101 Norte, o tenente PM José Daniel Lima Neto revelou que o Incra já iniciou negociação com os proprietários de duas áreas, as fazendas Santa Quitéria e Paraguai, no município de Paripueira. Ontem mesmo, técnicos do Instituto se reuniram com o advogado de uma das áreas. O Incra quer concluir, nos próximos dois meses, o trabalho de vistoria e avaliação de 130 áreas de terras no Estado para efeito de desapropriação. Para isso, firmou parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Instituto de Terra de Alagoas (Iteral), que vão liberar seus técnicos para o verdadeiro mutirão que o Incra promove, a partir desta semana. Além dos processos em andamento, a nova direção do Instituto vai reabrir processos de desapropriação arquivados em gestões anteriores. ?Discordamos do arquivamento de muitos processos e essas terras serão reavaliadas?- disse o chefe de gabinete do Incra, Marcos João Lisboa.