Cidades
MST afirma que CPI do Senado vai ser usada contra a reforma agr�ria
BLEINE OLIVEIRA O representante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Alagoas, José Roberto da Silva, disse, ontem, que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que o Senado aprovou, na última quinta-feira, 3, pode revelar surpresas para o próprio partido que a propôs. A CPI, cuja instalação está prevista para agosto próximo, foi proposta pelo senador Arthur Virgílio, do Amazonas, líder do PSDB no Senado. ?Essa CPI vai descobrir, por exemplo, que fazendas desapropriadas pelo governo do PSDB tiveram seus preços superfaturados para beneficiar amigos desse grupo?, disse o coordenador do MST. Ele assegura que o movimento não teme a CPI ou qualquer outro tipo de investigação, ?pois nada tem a esconder?. Para o MST, a Comissão de Inquérito tem o objetivo de desviar a atenção da sociedade para o desvio de dinheiro público envolvendo parlamentares do PFL e do PSDB e que vem sendo investigado pela CPI do Banestado. Não há qualquer temor no comando do MST diante da decisão do Senado de iniciar uma investigação sobre o movimento que a cada ano tem reunido mais e mais brasileiros na luta pela reforma agrária. A coordenação nacional já previa, inclusive, que ?a reação da direita seria intensificada? após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, para a presidência da República?. Enviado a Alagoas pela direção nacional para reorganizar o movimento no Estado, José Roberto Silva avalia a CPI como uma tentativa de fazer o presidente Lula recuar dos compromissos assumidos com os movimentos que querem a reforma agrária.