Cidades
Servidores federais entram em greve contra reforma
FÁBIA ASSUMPÇÃO Contrários ao texto da reforma da Previdência proposto pelo governo, servidores públicos federais de todo o País ligados às 11 entidades que compõem a Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais (CNESF) iniciam, nesta terça-feira, a primeira greve por tempo indeterminado, desde o início do governo Lula. Estimativas da coordenação apontam para uma adesão de 40% a 45% dos servidores federais à paralisação, ainda neste mês, o que corresponde a cerca de 400 mil funcionários públicos parados. A promessa do movimento grevista é suspender as atividades nas universidades e escolas técnicas, no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nos serviços de saúde, na Receita Federal e no Judiciário, entre outros setores. A decisão de paralisar as atividades foi tomada, no fim de semana, em reunião plenária da CNESF, em Brasília. Quase houve unanimidade: dos 397 delegados presentes, apenas quatro se abstiveram e os demais votaram pela greve. Mesmo diante da ameaça de greve, o governo tem afirmado que não negociará a proposta de reforma da Previdência. Há menos de um mês, durante instalação da Mesa Nacional de Negociação Permanente (fórum de discussão entre governo e servidores), o ministro José Dirceu (Casa Civil) deixou claro que qualquer negociação deverá ser feita diretamente com o Congresso. Ontem de manhã, o comando de mobilização dos servidores públicos federais, em Alagoas, se reuniu, na sede do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal e Ministério Público da União (Sindjus), para definir as estratégias do movimento. O presidente do Sindicato dos Auditores da Receita Federal, José Gonzaga, explicou que cada categoria vem fazendo assembléias setoriais. Ele adiantou que a proposta é, também, engajar os servidores públicos estaduais e municipais na luta contra a reforma da Previdência. Para marcar o início do movimento grevista, os servidores farão um ato, às 15 horas, na Praça dos Martírios. Pela manhã, os servidores da Previdência fazem uma mobilização em frente da sede do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), na Rua da Praia.