Cidades
Alagoas � 2� na exporta��o de m�o-de-obra escrava
FÁTIMA ALMEIDA Alagoas está em segundo lugar no Brasil em exportação de mão-de-obra escrava para outros estados da Federação. Só perde para o Maranhão. A revelação foi feita, ontem, pelo Delegado Regional do Trabalho, Ricardo Coelho, em entrevista ao Bom Dia Alagoas, da TV GAZETA. Segundo ele, só nos meses de março e abril uma operação conjunta da Delegacia Regional do Trabalho com as polícias Federal e Rodoviária Federal conseguiu interceptar 15 ônibus que levariam trabalhadores clandestinos para outras regiões do País, mas calcula-se que o número tenha sido superior a 40 nesse período, o que significa que mais de 25 ônibus conseguiram furar o bloqueio. O Estado ganha essa ?patente? em função da grande quantidade de mão-de-obra que fica ociosa no período da entressafra da indústria canavieira. Segundo Coelho, são cerca de 60 a 70 mil trabalhadores demitidos nesse período. Eles são procurados por fazendeiros do Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, por terem experiência no corte da cana. No desespero pela falta de trabalho, tornam-se alvo fácil para propostas de trabalho clandestino, saem do Estado sem contrato assinado e, às vezes, nem sabem para onde vão. A maioria desses trabalhadores, informa o delegado do Trabalho, sai da região da Mata, dos municípios de União dos Palmares, Branquinha e Murici, mas há registros, também, de trabalhadores do Agreste e Sertão, principalmente dos municípios de Santana do Ipanema e Arapiraca, como o caso do agricultor Celestino Avelino Silva e 15 membros de sua família, resgatados esta semana, num sítio, no interior de São Paulo, onde viviam em condições subumanas, trabalhando sem carteira assinada, por um salário mensal de R$ 40,00, que não era pago há quase um ano. O delegado da DRT explica que a lei não proíbe a contratação de trabalhadores de um Estado para outro, mas determina que o contrato de trabalho deve ser firmado no Estado de origem, registrado na DRT local e encaminhado à DRT do Estado-destino. Ele também anunciou a pretensão da DRT em firmar convênio, no próximo ano, envolvendo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Procuradoria Regional do Trabalho, Departamento de Estradas de Rodagem, Batalhão de Polícia de Trânsito e sindicatos rurais para intensificar a barreira de combate ao transporte clandestino de trabalhadores alagoanos para outros estados. Família libertada no interior de São Paulo chega amanhã FÁTIMA VASCONCELLOS Está confirmado para as 10 horas de amanhã, no terminal rodoviário de Arapiraca, o desembarque de 14 dos 16 trabalhadores libertos do serviço escravo pela Procuradoria do Trabalho de Campinas (SP), no Sítio Taquara Branca. Eles são de uma mesma família, que tem como patriarca o trabalhador rural Celestino Avelino Silva, que chegou na última segunda-feira em Maceió com o sobrinho Cláudio Silva. O trabalho era realizado numa plantação de tomates, em Monte Flor, distante 40 quilômetros de Campinas, numa propriedade arrendada por Cláudio Donizete Ross Matheus. O contato dos alagoanos era com o encarregado pelo sítio, Cleiton Rodrigues Ribeiro, pessoa de confiança de Cláudio. Era ele quem repassava mensalmente o valor de R$ 660 para a família. Dividindo, cada um recebia R$ 40 por mês. O trabalho era executado em condições subumanas, inclusive com exposição direta aos agrotóxicos e não havia instalações para descanso, entre outras irregularidades. Os trabalhadores residem na Rua Pedro Amâncio, bairro Nova Esperança, em Arapiraca. Eles chegam num ônibus da empresa São Geraldo/Cia Nacional, que saiu de São Paulo ontem, às 18 horas. O relatório da diligência realizada pela Procuradoria do Trabalho foi assinado pelo procurador Ronaldo Lima dos Santos, dando conta das irregularidades trabalhistas e das péssimas condições em que a família estava vivendo. A exploração de trabalho humano é crime inafiançável e, como aconteceu em São Paulo, o processo foi aberto pela Jurisdição local e lá terá o devido desfecho.